sexta-feira, 17 de abril de 2015

O que aprendo


Vivia em Coimbra, há muitos anos atrás, um médico endocrinologista que era o terror de quem queria fazer dieta. Duro, muito duro, nas abordagens que fazia a quem ia à consulta com a finalidade de perder uns quilos. Contavam-se histórias diabólicas de meninas que desciam as escadas a chorar, de mulheres maduras que do alto da sua idade lhe iam respondendo defendendo e justificando a sua falta de vontade e de heroísmo na luta contra a balança. No entanto, conhecedor e grande médico, quem por lá passava e levava a coisa a sério, raramente voltava a engordar.
Um dia, fui lá. E tudo o que me disse fez sentido. Na mão trouxe um papel  com o plano alimentar, tão simples e saudável que até fazia impressão e nos levava a questionar por que não comíamos todos assim. Reduzir hidratos de carbono complexos, cortar totalmente o açúcar ( isto quer dizer não comer absolutamente nada doce)  diminuir ao máximo as gorduras, fazer 5 a 6 refeições por dia, beber água.
Leva-se bem este plano alimentar. Necessita alguma planificação para que à hora da refeição exista sempre algo saudável para comer evitando desvarios devido à fome.
Sempre que necessito perder quilos volto a esta rotina que tão bem interiorizei. É fácil de apreender e não necessita grandes conhecimentos. Pelo caminho, fui pesquisando novos pratos como o puré de couve, de bróculo, de couve flor que dão uma sensação de saciedade e são pouco calóricos.
Aprendi que não se consegue fazer dieta a passar fome e que a primeira semana é sempre a pior de todas. Depois, como tudo na vida, o corpo e alma habituam-se ao novo regime.
Não conseguiria seguir estas novas abordagens que incluem frutos secos (calóricos que dói) granulas caseiras, sementes de toda a ordem, sumos detox (muitas das vezes feitos com grandes quantidades de fruta que tem açúcar). Não digo que não resulte desde que bem aplicado mas exige muito tempo e aumenta a possibilidade de fazer tudo mal feito por falta de conhecimentos científicos apurados.
Sempre que resolvo entrar em dieta recorro ao velho plano alimentar do Dr. Ruas. Este é o dia!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Viagens que me lembram

 O mercado local

Não foi programada por mim. Apareceu à última hora. Parti com duas colegas e amigas de longa data para uma semana na Roménia no âmbito de um projecto europeu. 
Não é costume viajar com amigas mas foi uma viagem maravilhosa. Aprendi imenso com o grupo de trabalho dos vários países, vi outras condições de escolas, senti outras vidas de alunos bem mais difíceis do que as nossas,  visionei aulas bem diferentes das nossas e fiquei com muito menos paciência para ouvir queixas e desabafos constantes dos que comigo trabalham todos os dias.
Ao fim do dia, corríamos as ruas da pequena cidade onde estávamos, rindo e conversando como só pessoas que se conhecem há muito conseguem fazer.
Aventuras que ficaram para as nossas histórias, episódios que se encerraram quando o avião aterrou.
Depois, duas de nós passámos por dias difíceis, muitas noites sem sono e muita coisa mudou nas nossas vidas mas esses dias ficarão para sempre em nós.

sábado, 11 de abril de 2015

E depois ... fui rever as fotos!

 Piccadilly Circus

Central London

À entrada de casa

Tão pequenos os meus filhos! Tão engraçados, vivos e cheios de vida! Não quer dizer que agora não o sejam mas é tudo tão diferente!!

Coisas que me tocam


Filho mais velho está em Londres em trabalho. Tem corrido pela cidade e revivido espaços por onde andámos há muitos anos atrás. Passámos em Londres três semanas maravilhosas andando muito a pé, descobrindo a cidade, dando grandes passeios de bicicleta,  visitando tudo o que era museu e monumento. 
Levávamos sempre grandes e completas sandes e fruta para o almoço porque eles eram crianças e necessitavam de se alimentar bem. Normalmente, utilizávamos os inúmeros parques londrinos ou partilhávamos os espaços para comidas dos museus, pouco usuais por cá na altura, mas por lá cheios de famílias felizes em férias. 
Éramos  diferentes das habituais famílias que recorriam a Europa em excursões organizadas. Nós partíamos à descoberta. Trocámos a nossa casa com uma família londrina que vivia numa casa soberba e típica que ainda hoje eles recordam com saudade. Tinha um jardim com vasos cheios de espinafres e todas as manhãs passávamos algum tempo a regá-lo para que nada murchasse. Nesse ano, trocámos também o carro. Foi uma aventura conduzir pela esquerda até Oxford. À noite, víamos televisão para que os meninos aprendessem inglês e passeávamos por Candem Street vendo os punks, as lojas de artigos em segunda mão, as livrarias, as lojas  de magia,  regressando a casa pelas bermas do  Regents Canal em grandes passeios de bicicleta com filho mais novo na cadeirinha frontal. 
Ontem, recebi uma mensagem com uma fotografia dele a almoçar umas sandes no jardim perto de Westminster com a legenda - Estou a ter uma sensação de déjà vu!
Por vezes penso se não teriam sido todas estas viagens na infância que fizeram dele o viajante destemido que é com esta sofreguidão de mundo que sempre teve e pratica!


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Coisas que penso


gosto de seguir blogues.  Conhecer os seus autores através da escrita. Não sou daquelas seguidoras que comentam os vestidos, os filhos, as férias. Não me interessa esse aspecto. 
Gosto simplesmente de ver e sentir como a vida das pessoas se vai modificando ao longo do tempo. Como as prioridades mudam, como as rotinas se alteram, como eles próprios anseiam novos desafios e assumem novos modos de ver o mundo.  Gosto de ler nas entrelinhas o trabalho da vida e do tempo em cada uma das almas que escrevem. 
Acredito que por estes lados também esses aspectos são visiveis. Também se nota o alterar dos dias, a nossa tristeza, o tentar levar a vida de uma forma positiva (quando por vezes este exercício é tão difícil!), o envelhecimento e uma certa nostalgia de outros tempos. 
Acredito que se adivinhem os anseios e se leiam as desilusões. 
Acredito que pouco a pouco o meu envelhecimento seja cada vez mais visível, deixe de me rir por dentro de todas as coisas más que me acontecem e que o tempo me canse desta luta insana que travo em cada dia e simplesmente baixe os braços e me deixe levar pela corrente que me quer arrastar.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

How you spend your days...


 is how you spend your life.
Vamos lá então começar um novo dia com energia e pensamentos positivos. Aguarda-me muito trabalho mas eu gosto de trabalhar!

Dias de sol


A minha Páscoa foi perto do mar. Mesa farta e a alegria do futuro em outras Páscoas noutro local que não naquele. Todos juntos novamente apesar de, durante o tempo que medeia entre uma e outra Páscoa,
um de nós tivesse vivido o risco de não chegar aqui. Mas chegou e damos graças por tudo.
O sol hoje pareceu mais quente e a luz mais brilhante.
Sabemos que para o ano a mesa não estará aqui entre estas paredes! Esteja onde estiver, que estejamos novamente juntos.

terça-feira, 31 de março de 2015

Tão bom!


Uma notícia pelo telefone que me deixa feliz. Gosto de ver e de sentir os meus filhos felizes! Para mim é tudo!
Vontade de fazer coisas, de festejar a vida, as coisas boas, o presente, o que sinto e as promessas boas do futuro. 
Adeus cansaço e coisas menos boas!
É tudo!

quinta-feira, 26 de março de 2015

Sinto-me cansada


Que dias de trabalho tramados estes!
Uns que entram, outros que saem, falam, gritam, riem alto, perguntam, exigem respostas rápidas para os seus problemas, muitas coisas a fazer, a dizer, a decidir. Pais que esperam. Professores que vão, gente que  quer estar. Uns, muito tempo, outros, só um minuto ou dois. Alunos castigados que todos os dias mostram aos outros que trabalham. E bem! 
Mimos em forma de bolos deliciosos chegam como presente e cheiram a amizades que para mim são novas e sabem muito bem. Amêndoas de muitas cores que adoçam momentos mais stressantes.
Profissionais que dão o litro que querem fazer bem e para quem os alunos são pessoas a encaminhar. Comovem-me quase até às lágrimas!
Alunos com as suas vidas tramadas, enxotadas do caminho certo (?) pela vida e pelos dias menos bons. Alunos que lutam pelo futuro. Alunos que baixaram os braços numa inércia doente que custa a suportar. Alunos vivos e confiantes. Alunos que não lutam, que pararam à espera de um milagre que tarda em aparecer.
Eu, fragilizada, no meio de tudo isto. Querer fazer mais e melhor e já não conseguir. Pensar na casa sempre que o trabalho aperta. Pensar no nada.
Venha então a Páscoa. O tempo da Ressureição!

De mal


Quando eu era pequena havia uma expressão que há muito não uso:
-Estás de mal comigo?
que queria dizer - estás zangada,  não me falas, o que é que eu te fiz?
Estou de mal com o mundo. Não me apetecem as coisas que realmente me fazem viver:
Não me apetece estar com gente
Não me apetece ler
Não me apetece estudar
Não me apetece ouvir coisas negativas
Não me apetece andar
Não me apetece pensar em nada
Não me apetece fazer planos
Não me apetece sair de casa
Não me apetece viajar
Nem sequer me apetece falar.
E quando tenho de fazer alguma destas coisas , o meu corpo crispa-se e a minha alma enruga.
Quero o meu canto, o saco de água quente, uma manta, qualquer programa de televisão que me anestesie.