sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Coisas que me enternecem


 Diálogos com a minha neta.

. esta árvore está morta!

- porquê vovó?

- porque não respira nem faz fotossíntese.

. ah! E porquê?

- porque não tem folhas

.-mas agora é outono vovó. As folhas caem.

- é verdade mas nesta árvore já não vão nascer novas folhas.

. o que é a fotossíntese vovó?

- é o modo como as árvores conseguem produzir o seu alimento. Elas não necessitam de ir ao supermercado. Produzem o seu alimento.

- e fazem isso nas folhas?

. sim. As folhas são muito importantes nisto tudo.

- as árvores são muito inteligentes vovó!!

Como é que não hei-de derreter com esta neta?

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Coisas de meu pai




Como duas gotas de água, eu e ele nem necessitávamos  de falar. Sinto umas saudades imensas deste entendimento que nunca mais senti! Podia contar-lhe tudo e ele a mim. Já no fim da vida, tornou-se mais solto nos desabafos e eu ria com ele e aconselhava-o. 

Lembro-me especialmente e com muita saudade de um passeio de carro que fizemos os dois para falar de coisas muito importantes na minha vida. Eu conduzia e ele ouvia as minhas razões. Acabou da forma como sempre acabava:

O teu coração é  o teu mestre. Tens de ouvi-lo!

E, com o tempo, habituei-me a esperar que o coração falasse. Antes de decidir qualquer coisa e não sei o que fazer, espero pacientemente que no meu cérebro o coração comece a formar a resposta. Quando tal acontece desce sobre mim uma grande certeza e decido bem. Aprendi com o pai e tenho desenvolvido a técnica de ouvir o coração. Nunca se engana! Mesmo que pareça o contrário, o tempo acaba sempre por colocar tudo no seu lugar.

Querido pai!

Coisas de minha mãe

 


Gostava de ajudar, de ouvir os outros, de concluir sobre as suas necessidades e, sem dizer nada a ninguém, ajudar de todos os modos e feitios. Incomodava-a a pobreza, a carência e a doença que tudo acarreta. Herdou este modo de estar na vida da "madrinha velha" como nós, os seus sobrinhos netos lhe chamávamos. Mulher independente, solteira, com posses, estava lá sempre para acolher quem não tinha com que alimentar os filhos, quem necessitava de medicamentos, ou quem só necessitava de um conselho amigo. 

Quando era pequena, as tardes de Domingo eram passadas em conversas com as mulheres que vinham dos casais e que iam lá a casa acabando sempre por lanchar. Minha mãe ouvia-lhes a solidão e os problemas e tinha sempre uma palavra para cada uma delas. Na penumbra da cozinha, trocavam problemas, carências, dificuldades e saiam, muitas vezes, com sacos de roupa ou outras necessidades.

Perante a grandeza da minha mãe, sempre me meteram muita impressão as falinhas mansas, as conversetas sem fim, as ajudas fictícias, o passar a mão pelo ombro para ficar bem na fotografia e nada mais. 

Ajudar o outro é estar lá com uma dose muito grande empatia. Não interessa dizer que se vai. É preciso ir!

Os dias só fazem sentido, se deixarmos de olhar o umbigo e começarmos a olhar e a ouvir os outros muito para lá do que é visível. 

Como a minha mãe costumava dizer amiúde:

De boas intenções está o inferno cheio.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Coisas em que penso muito agora

 


Minha mãe tinha muitas expressões que empregava amiúde. De tanto as ouvir, quase não se pensa no seu significado. Por qualquer razão têm-me vindo à memória. Nos últimos dias tenho matutado nesta. Porque se tornou muito verdadeiro para mim e porque a paciência que sempre pautou a vida da mãe está a ser muito necessária agora à vida da filha.

O que mais me aborrece é que Nosso Senhor mais me abastece!

Verdade!

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Dia muito importante

 


Hoje fazes 4 anos! Foram tempos muito vividos e emocionantes para todos. Ver-te crescer e ganhar independência,  personalidade, beleza, graça e inteligência iluminou cada um dos meus dias. Por vezes, era só mesmo isso - um farol na escuridão! 

Não conhecia este amor que rejuvenesce e traz ao de cima a nossa criança escondida e esquecida. És a luz dos meus olhos e só o simples pensamento que me conduz a ti me faz feliz. Anseio por dias que hão-de vir dedicados só a ti e ao que tu desejas. Só isso é importante! Quero lá saber do resto! Quero é ver o brilho dos teus olhos!

Feliz aniversário querida neta!

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Sobre a jornada para um corpo mais saudável - algumas reflexões

 


Algumas dicas:

- A primeira semana é a pior. O corpo pede açúcar e o dizer-lhe não é mal aceite. É necessário enganá-lo com fruta embora não exagerando. Duas peças de fruta por dia que este ano tudo está super doce.

- Programar as refeições com antecedência evitando chegar à hora das refeições sem nada saudável para matar a fome. Costumo cozinhar os legumes de véspera e deixá~los num recipiente de vidro no frigorífico. Quando a fome chega é só necessário acrescentar a proteína. 

- Cozo normalmente 8 ou 9 maçãs com água e canela que deixo no frio. Pela tarde dentro, há sempre 4 pedaços saciantes à minha espera que sabem muito bem.

-Os iogurtes não são todos iguais. Há alguns que são autênticas bombas calóricas. Escolher muito bem os que dizem zero açúcar e zero gordura. 

-O café da manhã passou a um grande copo de água com muito pouco leite e café solúvel e a metade de um pão geralmente sem nada dentro. 

-Ir para a cama com um pouco de fome não nos mata. Não me faz diferença.

-Quando me apetece algo mais saboroso faço uma omelete com dois ovos, e muitos legumes em frigideira  antiaderente com pouca gordura.

-Existe sempre sopa no frigorífico e é essencial que tenha bom paladar para não ser sacrifício. Se não gosto de algum ingrediente (nabo) não o coloco.  As ervas aromáticas são boas aliadas. Sopa de feijão verde com segurelha fica divinal. Uma boa sopa de peixe como prato principal não é vedada.

-Tenho feito todos os dias meia hora de aeróbica com vídeos do youtube. Guardei e sigo sempre os mesmos. Sinto-me melhor quando já sei as coreografias e a sequência dos exercícios. Deixa-me muito bem disposta e o facto de me sentir dorida significa que faz mais por mim do que a caminhada. 

Para me motivar resulta ter um camiseiro que me estivesse apertado e que de dois em dois dias experimento. Não há maior alegria que senti-lo a ficar largo.

E é isto. Por agora!


Reflexões


Foi muito tempo fora dos muros da escola! Estivémos separados fisicamente mito tempo. Adaptámos as estratégias, inventámos novos modos de chegar a eles, estudámos e aprendemos muito e, no final do ano, parecia a cada um de nós que tinha atingido os objectivos. As férias serviram para desconectar e sentirmos que havia vida ao ar livre, que o som do mar ainda lá estava e que o sol a bater na pele tinha um poder curativo fantástico.

E eis que chega Setembro. Os números da pandemia começam a crescer, as videoconferências regressam em grande e em diálogos à distância começo a perceber-me que o pormenor é o mais importante neste regresso. As aulas como eram ainda não estão para chegar e talvez nunca mais cheguem. É necessário pensar novos gestos, novas abordagens, novos pormenores que farão a diferença. Nada de ajuntamentos, nada de contacto ou aproximação. O simples gesto de recolher uma folha de papel das mãos de um aluno é vedado. O dispensador de gel faz de barreira entre o quadro e o aluno e a desinfecção será a palavra de ordem. 

Vai ser muito difícil pensar antes de  me aproximar de uma mesa para tirar uma dúvida, ou apenas fazer sentir a minha presença, tantas vezes dissuasora de comportamentos menos próprios  numa sala de aula. Tenho tão interiorizados estes gestos que receio não ser capaz de os coarctar nos próximos dias.

Se tenho medo de ficar doente? Muito!

Muita calma neste regresso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Outros tempos



Minha mãe era uma excelente cozinheira que tratava por tu toda a boa cozinha da Beira Alta.  

No Verão tínhamos sempre familiares a passar férias ou só de visita. Nessas alturas, saíam do armário os pratos com flores verdes com o seu cheiro característico, os guardanapos de pano enfiados em bolsinhas bordadas, as jarras de vidro e a toalha imaculada. Havia sobremesa e café acompanhado por uns esquecidos divinais. Desfilavam pela mesa empadões de frango, coelho frito, cabrito no forno, pasteis de masa tenra, bolos de bacalhau,  peixinhos da horta, ervilhas com presunto e ovos escalfados,   travessas enormes de arroz doce, leite creme queimado, enfim um prazer supremo para os olhos e para o paladar.

Sentar-se àquela mesa exigia que se soubesse comer de faca e garfo, se tivesse maneiras, se soubesse ouvir as conversas dos adultos e só se levantasse quando o mais velho à mesa o  autorizasse. Minha irmã, desde muito nova, se sentou com os adultos. Gabavam-lhe as maneiras e a compostura que trouxe até à actualidade. Eu e meu irmão ficávamos na cozinha, um de cada lado da mesa à espera que os adultos se servissem. Só então, quando as travessas regressavam à cozinha, nós nos servíamos entre gargalhadas e maus comportamentos. Estes almoços eram também momentos de grande liberdade porque ninguém nos vigiava. Uma vez ou outra uma tia já idosa fazia-nos companhia. Não me lembro por que razão não ia para a mesa! Atrapalhação com os talheres? Talvez!

Num desses almoços meu irmão veio com a teoria que a comida depois de ser lambida por um gato sabia melhor!? Colocámos os pratos no chão e fomos buscar um gato que adorou a experiência. Depois acabámos de comer!

Até me arrepia pensar nisto agora mas aconteceu! 

domingo, 6 de setembro de 2020

Despertando a decoradora falhada que há em mim (II)



Tenho um roupeiro  parecido com o da fotografia que necessita urgentemente de uma remodelação. Já não é necessário para roupa e um dos carpinteiros a quem pedi opinião sugeriu que o deitasse fora porque não valia a pena a sua conservação. Entrei em choque! Foi a primeira peça de antiquário que comprei para a antiga casa e, nessa altura, fiquei tão feliz que deitá-lo fora me pareceu um sacrilégio. Permaneceu onde estava e de vez em quando olho para ele à espera que me diga algo.

Encontrei hoje procurando outras coisas na net. Parece-me que esta mudança de funções, só com umas prateleiras e um vidro lhe darão uma nova vida, um novo lugar cá em casa e acrescentarão algo ao meu hobby de decoradora. 

Primeiro propósito para o Outono. 

Despertando a decoradora falhada que há em mim


Todos nós temos espaços da nossa alma que vamos descobrindo, pouco a pouco, ao longo da vida. Começa de uma forma lenta e  um dia percebemos que gostamos imenso desta nossa faceta, deste nosso gostar e começamos a investir nele. 

Pouco a pouco, tenho vindo a desenvolver este meu gosto pela decoração das mesas para uma refeição especial. Comecei pelas toalhas que vou comprando. Umas mais clássicas, outras de outros tempos, damascos lindos que só por si fazem o decor, outras mais brilhantes de cores alegres que combinam com loiças de design. Neste momento, tento encontrar peças decorativas como jarras antigas, peças antigas da Bordalo, copos diferentes e de cores variadas. Vou adquirindo sem pressa e combinando mentalmente com o que já tenho. Dois ou três dias antes, começo a pensar nas combinações, nas velas e nas flores a incorporar. Normalmente é na véspera à noite que monto o cenário. É permitida uma certa anarquia desde que o resultado final seja harmonioso. 

Quando somos muitos, gosto de montar uma mesa mais pequena para as entradas de modo a que se possa circular e conversar bebendo um aperitivo. Existe sempre a mesa  das sobremesas que nunca é só uma cá por casa. Combino entre doces de colher, pequenos bolinhos individuais, doces de fatia e fruta laminada. Esta mesa é sempre mais cuidada e dramática e mantém-se pela tarde dentro de modo a que todos possam repetir. Gosto de receber, de estar e de conversar em frente de boa comida. 

Nunca é tarde para iniciar um hobby desde que nos faça felizes!

sábado, 5 de setembro de 2020

No início deste novo ano

Uma das professoras
Os dormitórios dos alunos
O cozinheiro da cantina escolar
Os serviços administrativos da escola

As viagens são sempre um óptimo modo de ver novas coisas e aprender novas realidades. Em 2012 tive a oportunidade de participar num projecto escolar que me levou a uma pequena cidade na Roménia  e a uma escola que ainda hoje me lembra. A cidade (Targu Jiu) fica a sul da floresta da Transilvânia e a escola era constituída por um prédio onde decorriam as aulas e outro destinado a  dormitório dos alunos que pertenciam à montanha e  que ali viviam só visitando a família aos fins de semana. 

Recordo, com alguma tristeza, os olhos sem brilho destes alunos em plena adolescência vivendo em instalações sem conforto que seriam extremamente frias no Inverno rigoroso. Tudo para que pudessem tirar um curso que lhes permitisse melhorar a vida.

As aulas decorriam de forma ordenada mas  imperava uma certa tristeza que começava pelo semblante dos professores. Ali, até o livro de ponto, com dimensões fora do comum, era preto!!

Os serviços administrativos resumiam-se a duas senhoras sentadas num exíguo espaço que resolveriam todos os problemas que iam aparecendo. 

Lembro-me muitas vezes destes alunos, desta escola, destes colegas lá de longe, tão mal pagos e tão explorados. O mal dos outros não é conforto mas ajuda na minha motivação perante todas as condições que temos nas escolas hoje em dia. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Coisas que me lembram

 


Quando era mais nova e vivia em Coimbra fui grande consumidora de filmes, alguns deles muito bons. O Teatro de Gil Vicente tinha a preocupação de fazer ciclos de cinema dos grandes realizadores e espetáculos soberbos que eu não perdia. 

Vem isto a propósito de um filme de Ingmar Bergman que vi quando tinha 18 anos - A hora do lobo (1968). Naquela altura, impressionou-me muito pela temática e não o percebi muito bem. Hoje percebo perfeitamente este conceito da hora do lobo quando a noite começa a fechar-se e vem a madrugada e em que somos assaltados pelos nossos piores pesadelos. Parece que tudo o que tentamos esquecer durante a luz nos vem mortificar naquele tempo escuro de uma forma ampliada e  a nossa mente fica completamente negra. Entre o sonho e a realidade, sentimos os piores medos tornarem-se realidade e depois voltarem para um lugar da mente mais recôndito que nos permite acordar e ver a vida com olhos mais promissores. 

Não sei se todos sentem isso mas sempre que a hora do lobo me invade lembro-me do filme, da estranheza que, do alto da minha imaturidade, senti perante tanta angústia e da sensação de terror que o filme transmitia.

Coisas que se aprendem  e só se compreendem muito mais tarde! 


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

O youtube como aliado

 


No tempo da pandemia descobri os vídeos do youtube. Desde a aeróbica  passando pela dança e acabando nas sessões  de pesos, há ali um manancial de exercícios de que podemos usufruir dentro de casa evitando ginásios com muita gente e deslocações ao final do dia que deitam por terra a pouca motivação já existente. Evitamos também o nosso sorriso amarelo quando constatamos que a nossa forma física está muito aquém da do grupo. Poderia servir de incentivo mas a mim dá-me logo vontade de desistir que nisto do desporto as ideias de competição não apareceram. 

Deste modo, podemos fazer uma sessão de treino entre o corte dos legumes para a sopa e o arranjar a fruta para a sobremesa. Muito mais rápido, eficaz e motivador.

Aqui ficam algumas sugestões:

Este já é muito velhinho mas muito eficaz para trabalhar os braços. 

Este porque é fácil e a música é dos meus queridos anos 80 o que me deixa sempre muito bem disposta.

Este porque só tem a duração de 15 minutos, está bem explicado e não é muito difícil. 

Vamos lá!