sábado, 19 de abril de 2014

Outras épocas...o mesmo esplendor!





Palácio Nacional da Ajuda - Residência da Rainha D. Maria Pia.
A mesa está posta! Com o  requinte de quem gosta de se rodear de coisas belas!
Cheguem os convivas! Comece a festa!

Apetece-me casa


Depois de uns dias a sair durante todo o dia, a fotografar, a sentir, a experimentar novos sabores, a descobrir a beleza dos lugares, hoje apetece-me ficar por casa. Sentar-me no sofá enrolada numa manta a ver um filme. Deixar passar as horas sem perguntar que horas são. não me preocupar com o jantar porque há imensa comida feita. Ver escoar o tempo só sabendo que o dia vai acabar por ir embora mas vem a noite que tem a sua beleza! Tempo de reclusão voluntária.
Acalmar os sentidos para uma semana de rotinas que aí vem.

Lembranças

Sábado Santo, pela tarde dentro, a minha mãe começava a fazer o arroz doce. Um tacho grande, leite gordo de boa qualidade, melhor ainda se fosse de ovelha e tivesse sido oferta dos pastores dos casais, laranjas, ovos, açúcar, arroz carolino e muita paciência. Pouco arroz para muito leite para que que ficasse cremoso. As gemas batiam-se e adicionavam-se no final com muito  cuidado para não cozerem. Ia ao lume outra vez para engrossar. 
Descansava então nas travessas fundas poisadas nos aparadores da sala. No dia de Páscoa estava divinal, coberto de canela a fechar um lauto almoço quase sempre de cabrito assado acompanhado de batatinhas vindas coradas do forno de lenha!
Jogava-se a "péla" pela tarde dentro. Neste dia, os adultos usurpavam este jogo de crianças e era vê-los em grandes competições em equipas pensadas ao pormenor. Riam-se as mulheres e galanteavam-nas os homens, certos de que a Primavera traria com ela novos amores e a esperança de dias de Verão longos e felizes.
A família toda junta esperava pela Cruz que, transportada pelo mordomo de opa vermelha e adornada com flores silvestres, entrava em nossa casa e era  esperada à porta,  com toda  a solenidade, pelo meu pai. 
 Não sendo homem de frequentar assiduamente a Igreja, o meu pai transportava  na alma um grande amor a Deus! 
Hoje, fiz arroz doce num apartamento de Lisboa. Enquanto o fazia, vi a luz da tarde  a entrar da cozinha da minha mãe, senti o garfo a bater as gemas e ouvi a minha mãe a pedir cuidado e calma para verter as gemas no arroz enquanto mexia energicamente para não solidificarem.
Rapei o tacho empregando os gestos sempre usados. Lambi a concha e rapei as cascas da laranja!
Espera-se agora pelo almoço de Pascoa! Desta vez, o cheiro dos lilases e das japoneiras do quintal substituído pela vista do rio com grandes veleiros que o cruzam amiúde. 
A paisagem muda! Eu serei igual! Eu, as memórias e tudo aquilo que semeei nos corações dos que me amam.
Boa Páscoa!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Anda comigo ver os aviões...


Eu e Cara metade gostamos de fazer coisas diferentes o que não nos impede de fazermos muitas coisas juntos.
Eu gosto de passeios em  sítios com glamour com paragens em restaurantes e esplanadas em moda, gosto de verificar por mim o que dizem dos lugares, gosto de espaços com design, gosto de descobrir o património que vou estudando antes da viagem, gosto de pormenores e das histórias e vivências dos lugares.
Cara metade gosta de aventura, de partir à descoberta de emoções que não sabe se encontrará no fim da estrada. Gosta do improviso, das ideias vagas que se vão transformando em planos à medida que a viagem avança.
Hoje, saímos para fotografar aviões! Andámos, andámos e conversámos. Parámos para almoçar uma salada divinal encontrada por um acaso num restaurante simpático  onde entrámos quando nos deu a fome.
Sentámo-nos na relva à espera dos aviões. Estava calor! Fotografámos o que foi possível. Rimos muito! 
E do que eu gosto mesmo nestes passeios? Da sensação por ser surpreendida por emoções, por descobertas que não previ, nem desejei antecipadamente mas que me fazem tremendamente  feliz. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Conhecer a história dos lugares - Igreja da Encarnação












Talvez seja, neste momento, a minha maior paixão!

Gosto de dias como o de hoje em que ando todo o dia a olhar com outros olhos aquilo que já vi sem VER. 
Acrescentar-lhes as histórias pitorescas, as tragédias, os dias bons, as vidas que cruzaram as ruas e os lugares. Andar, parar, observar e fotografar. Guardar momentos de espaços que um dia deixarão de ser como são.
Gosto muito.
Mais aqui

sábado, 12 de abril de 2014

Coisas do envelhecimento


Ontem  trouxe este comigo. Acredito que comece a ser um amigo intimo daqui para a frente!!
Promessas, só promessas!

Sentimentos



Ontem, Cara metade estava entusiasmado com a visita a Coimbra e por poder estar com a Ana. Programou os dias e incluiu a sobrinha em tardes de ginásio, visitas ao museu Machado de Castro e por aí adiante.
Depois, telefonou-lhe a contar as novidades e ... estava no Porto!
Cara metade ficou desiludido e desabafou:
- Coimbra perdeu a graça! Só tem piada com ela!

Tradições


Na aldeia era tradição dar-se um folar de Páscoa a todas as crianças mais chegadas. Havia doces e simplesmente de pão. Eu gostava dos doces, compridos, com açúcar por cima e dourados.  
Na Semana Santa fazia por visitar avós e primos que já estavam prevenidos e compravam uma grande saca de folares ao padeiro. Não era hábitos fazerem-se em casa vá-se lá saber porquê. 
Comiam-se em grades fatias barradas com manteiga e, lá mais para a frente, já duros, em torradas.
Ficou-me sempre este sentir de dar e oferecer ligado a esta época. Já não há folares para oferecer! 
Ontem, fui às compras para umas meninas queridas que merecem tudo. Uns mimos de Primavera. 
Manter as tradições, mesmo que a oferta não tenha nada a ver!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Amigos são para sempre


Encontrámo-nos com 23 anos numa cidadezinha do interior. As duas começávamos a  trabalhar longe de casa. Era loira, de olhos muito azuis e sabia como ninguém fazer malha.  Com a sua ajuda,  fiz imensas camisolas para o cara metade que por esse tempo era o meu namorado. Com ela conheci as praias do oeste, fizemos viagens engraçadas no meu carro a cair de podre mas que nos ia transportando. Com ela vim pela primeira vez à cidade que me acolhe há 27 anos.
Esta semana, encontrei-a através do facebook. Vivemos este tempo todo em cidades próximas, ambas abraçámos o desafio de acreditar que  é possível melhorar a escola pública com trabalho e com dedicação, ambas temos dois filhos, os mais velhos com a mesma profissão. 
Agora é tempo de recuperar os anos perdidos. 
Coisas boas que me acontecem!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Coisas que eu concluo


Até podia ir até ao Algarve, a Braga para ver as cerimónias da Semana Santa de que tanto gosto, à Galiza de que já tenho saudades, às cidades do norte que são uma grande tentação gastronómica nestas festas da Páscoa, à minha praia do oeste, a única, a que me faz feliz! Podia!
Mas concluí rapidamente que o melhor programa de todos será rumar à capital e poder ver os filhos e mimá-los em cada fim de tarde.
Assim, temos o dia por nossa conta, para grandes caminhadas pelos bairros típicos, com longos almoços em esplanadas com vista, com idas à praia à distância de 10 minutos de carro, com maratonas de fotografia como eu adoro, e à noite posso sempre dar dois dedos de conversa ou simplesmente fazer-lhes o jantar e tornar mais fáceis os dias duros que eles têm.
E pronto. Está decidido!
Coisas de mãe que gosta sempre de ter o melhor de dois mundos!