terça-feira, 20 de janeiro de 2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

Saudades


Destes passeios serra adentro com o meu pai, merenda ao ombro e muita conversa. Nessa altura, era bonita sem o saber, tinha graça sem a valorizar. Tudo me passava ao lado entretida que andava a tentar ser perfeita.
A vida ensinou-me  que não há seres perfeitos e que temos de valorizar tudo o que temos e o que somos.
Aprendi tarde demais. Muito tarde mesmo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Conversas que me tocam


Sabes, quando o meu marido esteve doente durante dois anos, nunca pensei no pior. Era cada dia, com todas as tarefas que tinha de cumprir, com o trabalho onde me refugiava, com todos os pequenos nadas do dia a dia. 
Era como se um ser que não eu, sem uma ponta de emoção ou sentimento, saísse de mim e me representasse em tudo o que era necessário. Era eu mas sem sentimento! Só assim consegui sobreviver a esses tempos! Era tudo tão estranho!
Tal e qual!
That´s it!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

E um dia... chega a altura


De arranjar uma gaveta suplementar para lá colocar uns tantos pijamas, roupão e cuecas brancas de algodão para que, se ficarmos doentes e ingressarmos no hospital, tudo esteja pronto. A gaveta todos os anos tem mais uns pijamas arrumados por cores e fazendo conjuntos. 
Em casa da minha mãe, também existiam estas gavetas e estas teorias das quais eu trocei durante anos!
E depois... há um dia em que tudo parece que faz sentido e sempre pensámos deste modo! O  passar do tempo transforma a nossa loucura juvenil em actos cinzentos repetidos de outras vidas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Uma certeza

De que depois  de escalarmos esta montanha, havemos  de ter muitos e muitos momentos como estes, muitas  aventuras, muitas viagens e muito espaço para sermos nós.
Falamos disso mesmo: de ser muito mais forte do que o medo. Tudo vai correr bem. As águas  voltarão ao leito depois da tempestade. 

 Costa da Caparica
 Madeira
 Amarante
 Lisboa
 Sera D' Arga
 Caminha
 Marraquesh
 Viena
 Lisboa
 Veneza

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Um dia de cada vez


Talvez seja mesmo a melhor aprendizagem destes últimos tempos! Não desejar, não antever, não pensar que vai ser de um ou outro modo, não antever o futuro.
Esperar os dias, vivê-los, aprender a não antecipar más notícias e deixar-nos encantar  quando as boas notícias chegam. Viver na hora e nos minutos. Saber o que se pode  fazer neste momento. 
Tudo o resto é futuro e necessita ainda ser escrito. Para quê angustiar-nos?

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O frio da casa


Está muito frio  em casa! E este silêncio? Estes serões em que se sabe que ninguém o vai quebrar.
Parece que estás aqui! Consigo ouvir-te a respirar. Não é incrivel?
Não tenho sono embora saiba que tenho de domir! Estou cansada de ser forte! Quero um ombro onde possa desabar o medo que me assola. 
Até amanhã!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Minha mãe, minha mãe!

 Já soube todo este poema de cor quando ainda não tinha 10 anos! Um tio de má memória adoptou como livro de cabeceira " A velhice do Padre eterno" de Guerra Junqueiro. Talvez por ser um livro proibido pelo regime, talvez pelo belo dos seus poemas, talvez pelo imaginário aldeão com tantas pontes com o meu da altura, eu adorava ouvi-lo ler nas tardes quentes de Agosto. 
Ainda hoje algo se emociona em mim quando volto a ele.


 Minha mãe, minha mãe! ai que saudade imensa,
Do tempo em que ajoelhava, orando, ao pé de ti.
Caía mansa a noite; e andorinhas aos pares
Cruzavam-se voando em torno dos seus lares,
Suspensos do beiral da casa onde eu nasci.
Era a hora em que já sobre o feno das eiras
Dormia quieto e manso o impávido lebréu.
Vinham-nos da montanha as canções das ceifeiras,
E a Lua branca, além, por entre as oliveiras,
Como a alma dum justo, ia em triunfo ao Céu!...
E, mãos postas, ao pé do altar do teu regaço,
Vendo a Lua subir, muda, alumiando o espaço,
Eu balbuciava a minha infantil oração,
Pedindo ao Deus que está no azul do firmamento
Que mandasse um alívio a cada sofrimento,
Que mandasse uma estrela a cada escuridão.
Por todos eu orava e por todos pedia.
Pelos mortos no horror da terra negra e fria,
Por todas as paixões e por todas as mágoas...
Pelos míseros que entre os uivos das procelas
Vão em noite sem Lua e num barco sem velas
Errantes através do turbilhão das águas.
O meu coração puro, imaculado e santo
Ia ao trono de Deus pedir, como inda vai,
Para toda a nudez um pano do seu manto,
Para toda a miséria o orvalho do seu pranto
E para todo o crime a seu perdão de Pai!...

(...)

A minha mãe faltou-me era eu pequenino,
Mas da sua piedade o fulgor diamantino
Ficou sempre abençoando a minha vida inteira,
Como junto dum leão um sorriso divino,
Como sobre uma forca um ramo de oliveira!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O ano que agora acabou

Foi bom! Cheio de vida que quer dizer momentos bons. momentos menos bons e momentos horríveis. A todos eles sobrevivi. Os bons guardo-os para todas as  horas, os maus assaltam-me as madrugadas e fazem do meu sono o maior pesadelo.
Houve dias de sol, dias de brisa fresca de Verão e dias de tempestade. Dias em que em senti a melhor do mundo e capaz de tudo e dias em que o desânimo tomou conta de mim e me achei a pior pessoa. 
O entusiasmo tomou conta de mim nalgumas estações e os sonhos alumiaram-me o caminho. Houve caminhos cheios de pedras e buracos onde caí e me levantei e houve veredas verdejantes por onde foi fácil avançar.
Desafios que me empolgaram e me fizeram acreditar muito em que seria capaz. E fui!
Momentos em que me senti usada, triturada e mal compreendida. Por todos e por ninguém em especial.
Momentos de raiva e de tristeza, momentos de dizer amo-te, momentos de escutar o silêncio.
Dias tramados! Momentos que pareceram a eternidade. Momentos em que pensei que perdia tudo o que conhecia.
Momentos de alegria interior, daquela que dá um friozinho bom na barriga e não queremos partilhar com ninguém. Momentos em que me senti boa mãe e outros em que senti que podia fazer  mais.
Momentos de viagem com a melhor irmã do mundo: a minha! Outras paragens que há muito queria conhecer. 
Momentos de gratidão por tudo o que Deus me deu.
Momentos de agradecer todos os momentos que vivi porque só vivendo-os e sentindo-os sou EU.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sentir a grande cidade


As pessoas correm, apressadas para as prateleiras dos supermercados para assegurar a fartura de fim de ano. O velho solitário passa à frente na fila com a urgência da cerveja que carrega na mão. 
Casais de avós compram o possível e o impossivel para  seja possivel os filhos voltarem às suas casas neste final de ano que se quer de festa.
Amigas partilham  as tristezas dos seus Natais entre o que desejavam e o que foi.
Namorados procuram uma esquina isolada para trocarem beijos que sabem a ilusão do amor eterno.
Crianças brincam nas superfícies comerciais, entre corredores e lojas, não conhecendo a alegria de um prado verde a perder de vista como palco das suas brincadeiras. O Pai Natal, com ar de aborrecimento, espera-as por trás da cerca, para a foto da memória dos momentos felizes (?) depois de terem esperado em filas organizadas pelos seguranças dos shopping.
Telemóveis tocam e todos atendem e riem sozinhos na ilusão de estarem acompanhados.
Casais discutem na barafunda das lojas, já não baixando a voz, expondo aos que passam a infelicidade dos seus dias.
Uma mulher permanece imóvel e triste encostada aos expositores da loja enquanto espera que a calma desça ao companheiro que barafusta em altos berros no corredor lá mais à frente. 
A anestesia dos dias e das vidas!