domingo, 26 de julho de 2015

Ontem, fui à praia e voltei

Só com tempo de fazer o que tinha de ser feito. Ainda levei o saco de praia mas não vi a areia. Fizemos de carro a nossa volta habitual pelo cabo  Carvoeiro e, lá longe, as Berlengas lembraram-me a alegria de outras férias e de outros tempos.
Hoje, aguarda-me a Serra. A minha. A única.  Até lá, tenho de preparar tudo mas não tenho a mínima vontade! 
A minha alegria foge-me!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Agora, mais que nunca, tudo me vem ao pensamento



Pelo génio do meu escritor preferido:


MÃE, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto
in "A Casa, a Escuridão"

terça-feira, 21 de julho de 2015

São 23 horas e vou começar a arrumar o meu armário


É o que me está a apetecer fazer. Vamos lá então! Tudo o que atrase a ida para a cama a e as tonturas que me atormentam quando me deito será uma boa tarefa. Isto depois passa quase logo a seguir mas dá-me medo! E ansiedade também!
Ao armário, às roupas, a qualquer coisa!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O peso dos dias


Foi um dia pesado! Muito pesado! Daqueles em que é muito difícil a concentração, o estar no que tentamos fazer e o nosso coração e a nossa mente estão noutro lado. Também o corpo gostaria de ter estado. Esta luta entre o "dever" e aquilo que a nossa alma nos pede, continua a torturar-me. 

Este é o primeiro Verão em que não marquei nada que se traduzisse em férias! NADA! Para a semana vou parar uma semana e depois volto por mais 15 dias. Oxalá consiga descansar para que volte mais eu, mais organizada e com mais vontade. Estou a deixar-me transportar pelo desânimo e pelo desalento. Penso, aborreço-me, sinto-me injustiçada e concluo que nada disto vale a pena!
Valer a pena? Vale o silêncio do entardecer do meu sítio, as gentes que conheço de cor, as jantaradas com a família, o aproveitar a mãe o mais possível enquanto a posso ter. Tudo o resto é só paisagem!

Foi hoje

 Num dos últimos almoços todos juntos
 
Eu aqui a kms de distância enquanto a minha mãe se encaminha para o lar! Aqui a pensar no que é importante na vida, no que conseguimos viver e sofrer e no que vale a pena. 
A pensar na doença que levou o sorriso franco da rosto da minha mãee e lhe deixou este olhar vazio que não reconhece nada nem ninguém. A pensar no que será de mim daqui a uns anos, como será comigo, que lar me acolherá e que percepção terei eu desse dia e se ainda terei capacidade de me lembrar do dia de hoje. 
Mais uma casa que se fechou. Na ultima vez que lá estive ela já não veio à varanda dizer-me adeus! Esqueceu-se que parti logo que a porta da rua se fechou. Senti a falta da sua mão no ar ate´desaparecer na curva da estrada! Todos os dias morremos um bocadinho no olhar de quem nos ama. Todos os dias andamos mais um pouco para o beco que há-de acolher a nossa velhice e a nossa  incapacidade.
Esquecidos e entretidos como andamos com coisas tão banais e tão fúteis  são raros os momentos em que paramos para pensar na nossa  finitude. 
Hoje, a porta da casa  onde viveu os últimos 20 anos fechou-se para ela mas eu já a empurrei aos bocadinhos de todas as vezes que saía e a deixava no hall de entrada de olhar parado e sorriso vago. Fui fechando a porta para que hoje fosse só preciso prender o trinco.
Até para a semana mãe. Vamos estar contigo na mesma. Mas nunca mais será a mesma coisa!

Fim de semana acabou


Este foi passado inteirinho com filho mais velho! Há tanto tempo que isto não acontecia e, talvez por isso, soube tão bem! Filho mais novo também esteve mas foi saltando de festa em festa  o que foi muito bom para ele.
Muitas conversas que pouco a pouco vão mudando a minha maneira de ver o mundo e a vida. Filho mais velho tem um modo de estar no mundo que faz  sentido para mim e que me faz bem.  Quando já não estou com ele tento colocar em prática estes ensinamentos de viver e  deixar viver.
Tudo comprado para a festa! Ufa! Foi difícil mas consegui! Lembrei-me ( não sei porquê) daquele programa piroso da escolha do vestido de noiva em que elas choram sempre que encontram o "Tal" vestido!). A mim também me apeteceu chorar mas de alívio depois de ter experimentando tanta vestimenta e ter perdido  litros de água dentro daqueles vestidores. Um martírio! Estou a ficar com alguma idade é o que é! 
Mais novidades, só daqui a alguns dias!
Até lá, quatro dias em que não hei-de conseguir ver a luz do sol. Quatro dias tramados de trabalho esperam por mim!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Semana tramada


Cansaço, discussões, rebentar, já não aguentar mais porque já não se aguentam as 4 paredes e as horas ali dentro enquanto lá fora a vida avança. O pior é o deixar a casa depois do almoço para tardes de calor e de trabalho árduo com cara metade cá por casa à minha  espera.
Eu sou assim: completamente "low profile"; não consigo  viver zangada com a vida e com as pessoas. Necessito de paz à minha volta. Necessito de  saber que tudo está no lugar certo para poder estar ao máximo no que faço e no que penso. 
Por tudo isto, para aliviar o stress e como me apetecia muito,  hoje, ao final da tarde, fomos ao campo passear. Ver o rio, sentir o silêncio, apreciar as obras de arte e andar um bocado.
Como já era tarde, acabámos a jantar fora e soube muito bem. Pequenas coisas que devemos valorizar todos os dias. 
 Tudo o resto? Apenas "peanuts" como dizia o meu pai. Ele era um homem muito sábio nestas coisas da vida!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Perguntas estúpidas

 O grupo de danças populares da Escola em plena actuação! Lindos!

Afinal o que deseja o ministro da educação? Que a média nos exames de Matemática continue a ser negativa ano após ano?
Porquê o espanto do ministro? Não trabalharemos nós professores para que a média, numa escala de 0 a 20 seja superior a 10? Ou será que deveria continuar eternamente  negativa porque somos um país de gente não dada a esta coisa da Matemática?
Estas questões do ministro explicam e justificam muitos "mitos" que passam pelas escolas que defendem que ser bom professor é ter muitos e muitos níveis negativos. Isso é que é !!!  Coisas difíceis que eu sei e que mais ninguém consegue entender!!!!
Ser bom professor é pegar em bons e menos bons, fazer uma boa diagnose das dificuldades e levá-los para além do que eles pensam ser capaz. É descobrir o brilho no olhar quando percebem algo, é fazer com eles bailados mentais que lhes façam perceber coisas até então desconhecidas, é explicar a um de forma diferente do que a outro porque pensam de forma diferente, é experimentar coisas novas, tentar, tentar até se conseguir que todos aprendam. Isso sim é ser bom professor.
E se o Ministério da educação fez bem o trabalho de casa e a média subiu só temos todos de estar muito contentes!
Estranheza? Porquê?

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Como a avestruz


Estou neste modo há já alguns dias! Sabe bem, esquecer, não lembrar, deitar para trás das costas, esvaziar, meter para um cantinho do cérebro do qual não vai sair se eu não quiser pensar. E eu não quero!.
Amanhã não vai ser um dia fácil para mim! Um dia que adiámos tudo o que pudemos  mas que, como sempre na vida, um dia é o dia! 
Amanhã levaremos a mãe pela primeira vez ao lar. Para a conhecerem, dizem!
Para lhe continuarmos a dizer adeus penso eu, cheia de remorsos, de medo, de angústia, de abandono por tudo o que representou para mim, de tristeza por não conseguir fazer mais, de raiva por esta doença que lhe leva o espírito e lhe deixa o corpo. 
Amanhã começa uma nova fase que a afastará mais um bocadinho de mim. Um bocado de estrada entre nós mas acima de tudo esta linha mental que já se quebrou lá atrás, não  sei aonde porque nunca sabemos onde começa a nossa dor e onde acabam as coisas boas que temos, ingenuamente, como certas. 
Amanhã, também eu,entrarei no lar e o meu espirito ficará lá com ela. Se ficar!  Se for capaz de a deixar lá, quando para ela sou " a minha senhora" e já não tenho nome algumas das vezes que chama por mim.
Amanhã terei de desenterrar a cabeça da areia, conduzi-la, esconder as lágrimas e ser forte. como ela sempre nos ensinou.
Amanhã vai ser um dia tramado!

terça-feira, 7 de julho de 2015

Este tempo de Julho


Todos os anos se torna a mesma coisa. Uma dificuldade em trabalhar ,em pensar, em articular e concluir. 
É o tempo em que se fecha um ano mas se projecta o novo e se altera tudo o que correu menos bem. Exige-se uma capacidade de trabalho e de reflexão acrescidas e o espírito já só pensa em férias e em descanso. Tomam-se muitos cafés e em todas as manhãs é necessária uma reflexão séria sobre as minhas prioridades e deveres. No final, tudo se conjugará mas o stress começa a aumentar e a má disposição também. Sou humana e o excesso de trabalho mata todos os dias um bocadinho mais da  alegria de viver
É o mês mais difícil, sem sombra de dúvida.