quinta-feira, 30 de abril de 2015

Ser eu


Com o passar dos anos gosto deste ser em que me transformei. Foi um aceitar lento e muitas das vezes doloroso e inseguro. Tateando, pensando, ouvindo-me, cheguei aqui. Hoje não me importo com o que os outros pensam do meu perfil ou de mim. Sou, simplesmente, eu! Faço o que penso que tem de ser feito, independentemente do que os outros pensam que devo ou não fazer, se me fica bem ou mal, deixando de traçar os meus dias à sombra de pensamentos alheios.
Sei fazer quase tudo e gosto disso em  mim. Quando não sei, parto à descoberta Tive uma educação muito boa nesse aspecto. Passo quase instantaneamente de faxineira para um jantar glamoroso onde é necessário brilhar.
Foi esta a educação que dei aos meus filhos. Podemos fazer tudo, nenhuma tarefa é menos própria desde que tenha de ser feita, o nosso perfil não depende, de todo,  disso. Depende sim do modo como tratamos os outros, como amamos  o que somos, como nos adaptamos às situações e como vivemos em conjunto. Depende, acima de tudo, da nossa capacidade de saber onde estamos e ser, em cada ocasião, o que esperam de nós.
Detesto mulherzinhas que do alto dos seus sapatos com gastas meias solas se consideram indignas para certas tarefas e acções e dependem das "criadas" para o trabalho menos próprio, o tal que lhes mancha a reputação de senhoras "não faz nada". A mim, nada me mancha a alma porque gosto de ser como sou.
Uma mulher inteira.

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