Por estes dias e pelo segundo ano consecutivo, faço parte da equipa de verificação dos livros escolares que estão a serem entregues. Para quem está menos familiarizado com o processo, no início do ano os livros são fornecidos gratuitamente aos alunos com a recomendação de que não podem escrever neles, nem danificá-los e, no final do ano, são entregues para serem redistribuídos pelos alunos no ano seguinte.
Pensndo com alguma lógica, ninguém gosta de receber livros estragados, escritos, riscados, com desenhos, tudo e mais alguma coisa. Formam-se então equipas que têm como objectivo verificar o estado dos livros entregues.
Normalmente são os pais que vêm entregar os livros e alguns trazem os filhos.
Começando pelas boas notícias há uma minoria de pais excepcionais que trazem os livros encapadas e super limpos.
Depois, há os outros:
Esta não é a letra do meu filho.
Já estava assim quando lho entregaram.
Ela não vai apagar o que não fez. Aliás ainda dorme e já disse que não apagava.
Se dão os livros por que razão não pode fazer os exercícios nele?
Eu tenho de ir trabalhar não tenho o dia todo para estar a apagar livros.
É natural que os livros sofram desgaste, não? (perante dois livros sem capa e com folhas rasgadas).
Alguma vez o meu filho escreveria num livro? Ele nunca pegou neles. Passou sem os abrir!!!
Numa outra mesa um grupo de alunos passou quase a manhã inteira a apagar livros. Quando verificados estava quase tudo na mesma.
Não se imagina o quanto eu me violento durante estas sessões para não abrir a boca e dizer umas coisas que penso relativas à educação (ou não educação) que estes pais estão a transmitir aos filhos. Só me valeu o pensamento de que esta sessões serão as últimas da minha carreira e tenho de preservar o meu coração. Daria uma troca de palavras menos amigáveis e já perdi a vontade!
Ainda não bateu no fundo!! Tudo isto me faz muita pena!



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