Mostrando postagens com marcador textos bem escritos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador textos bem escritos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de abril de 2019

A começar a semana


Se ao cabo de quarenta anos de vida cada um de nós olhar para a sua intra-história, que vê ele? que são os fastos e as misérias da sua actuação pessoal que a memória assinala e retém. Que foi a abertura de um túnel na escuridão do mundo, para passar desacompanhado, que ocupou todas as suas horas significativas. Que não foram as guerras dos outros mas as suas, que lhe deixaram cicatrizes no corpo.
Como um cego, que embora levado pela mão de alguém, tacteia sempre o seu caminho, e o sente, e o vive, e o descobre, assim cada indivíduo terá de pisar a terra, solitário bandeirante das suas aventuras. Ninguém o pode ajudar, nem o pode tolher. A mãe que o pare e o coveiro que o sepulta é que limitam e condicionam a sua empresa. Mas entre as duas barreiras ele é uma semente que tem de se abrir e  de se cumprir até ao último alento, desamparada entre as outras sementes que se vão abrindo a seu lado, na grande seara humana.

in DIÁRIO IV - Miguel Torga

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

As mudanças rápidas e constantes no Ministério da Educação


Recebido por email! Mas tão verdade!


 Lê-se numa crónica, que no ano de 1994 se celebrou uma competição de remo entre duas equipas, compostas por trabalhadores de uma empresa portuguesa e de uma empresa japonesa.
Dada a partida, os remadores japoneses começaram a destacar-se desde o primeiro instante. Chegaram à meta primeiro e a equipa portuguesa chegou comuma hora de atraso.
De regresso a casa, a Direcção reuniu-se para analisar as causas de tão desastrosa actuação e chegaram à seguinte conclusão: Detectou-se que na equipa japonesa havia um chefe de equipa e dez remadores, enquanto na equipa portuguesa havia um remador e dez chefes de serviço, facto que seria alterado no ano seguinte.
No ano de 95 e após ser dada a partida, a equipa japonesa começou a ganhar vantagem desde a primeira remadela. Desta vez, a equipa portuguesa chegou com duas horas de atraso. A Direcção voltou a reunir após forte reprimenda da Administração e viram que na equipa japonesa havia um chefe de equipa e dez remadores, enquanto que a portuguesa, após as medidas adoptadas com o fracasso do ano anterior, era composta por um chefe de serviço, dois assessores da administração, sete chefes de secção e um remador. 
Após minuciosa análise, chega-se à seguinte conclusão: O REMADOR É INCOMPETENTE.
No ano de 96, a equipa japonesa voltou a adiantar-se, mal foi dada a partida.  A embarcação portuguesa, que este ano tinha sido encomendada ao Departamento de Novas Tecnologias, chegou com quatro horas de atraso. Após a regata e para análise dos resultados, convocou-se uma reunião ao mais alto nível, no último piso do edifício, chegando-se à seguinte conclusão: Este  ano a equipa japonesa não inovou, tendo optado novamente por dez remadores e um chefe de equipa.
A equipa portuguesa, após uma auditoria externa e um assessoramento especial do Dep. de Informática, optou por uma formação mais vanguardista, composta por um chefe de serviço, três chefes de secção, dois auditores da Arthur Andersen e quatro Securitas que controlavam a actividade do remador, ao qual se tinha aberto um processo disciplinar e retirado todos os bónus e incentivos, devido ao fracasso dos anos anteriores.
Após prolongadas reuniões decidiu-se que, para a regata de 97, "um novo remador será contratado para o efeito, já que o comportamento do actual indiciava mostras de desinteresse a partir do vigésimo quinto quilómetro e uma indiferença quase total junto à linha da meta. "


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Porque tenho saudades dela


E porque todas as visitas não matam nem atenuam as saudades das conversas, da dedicação, da preocupação por mim, dos mimos disfarçados, da alegria em me ver chegar e da certeza do amor que me tinha. 
Este poema sabia-o todo em pequena quando, por influência de um tio avô, decorámos, eu e os meus irmãos, grande parte do livro "A velhice do Padre Eterno"! 

Minha Mãe, Minha Mãe!

Minha mãe, minha mãe! Ai que saudade imensa, 
Do tempo em que ajoelhava, orando, ao pé de ti. 
Caía mansa a noite; e andorinhas aos pares 
Cruzavam-se voando em torno dos seus lares, 
Suspensos do beiral da casa onde eu nasci. 
Era a hora em que já sobre o feno das eiras 
Dormia quieto e manso o impávido lebréu. 
Vinham-nos da montanha as canções das ceifeiras, 
E a Lua branca, além, por entre as oliveiras, 
Como a alma dum justo, ia em triunfo ao Céu!... 
E, mãos postas, ao pé do altar do teu regaço, 
Vendo a Lua subir, muda, alumiando o espaço, 
Eu balbuciava a minha infantil oração, 
Pedindo ao Deus que está no azul do firmamento 
Que mandasse um alívio a cada sofrimento, 
Que mandasse uma estrela a cada escuridão. 
Por todos eu orava e por todos pedia. 
Pelos mortos no horror da terra negra e fria, 
Por todas as paixões e por todas as mágoas... 
Pelos míseros que entre os uivos das procelas 
Vão em noite sem Lua e num barco sem velas 
Errantes através do turbilhão das águas. 
O meu coração puro, imaculado e santo 
Ia ao trono de Deus pedir, como inda vai, 
Para toda a nudez um pano do seu manto, 
Para toda a miséria o orvalho do seu pranto 
E para todo o crime a seu perdão de Pai!... 
(...) 
A minha mãe faltou-me era eu pequenino, 
Mas da sua piedade o fulgor diamantino 
Ficou sempre abençoando a minha vida inteira, 
Como junto dum leão um sorriso divino, 
Como sobre uma forca um ramo de oliveira! 

(Excerto do Poema «Aos Simples») 
Guerra Junqueiro, in 'A Velhice do Padre Eterno' 

domingo, 20 de maio de 2018

Esta sede do nada que nos adoece



É mesmo assim; perdemos a vontade, olhamos para a vida de um modo atonal, sem apetite. (...)
Na verdade não é a sede que nos faz morrer para a vida: a sede ensina-nos a arte do buscar, de aprender, de colaborar, a paixão de servir. Quando renunciamos à sede é que começamos a morrer. Quando desistimos  de desejar, de achar sabor nos encontros, nas conversas partilhadas, nas trocas, na saída de nós mesmos, nos projectos, no trabalho, na própria oração. Quando diminui a nossa curiosidade pelo outro, a nossa abertura ao inédito, e tudo nos soa a um requentado déjá-vu que advertimos como um peso inútil, incongruente e absurdo que nos esmaga.

In  ELOGIO DA SEDE - José Tolentino Mendonça

domingo, 8 de abril de 2018

Abrir as portas a um texto soberbo


Com grande pena minha, não é da minha autoria! Adorei ler e reler e concordar com tudo o que dizes como sempre foi e será!
Parabéns! Belo texto!



Viajar
Viajar… Ver… voar….
Nos olhos das crianças iniciamos uma viagem de futuro… e todos os olhos de velhos nos conduzem no sentido inverso da viagem, a de um passado…. Todos os olhos nos viajam na vida dos seus donos…  há que saber olhar… e essas são as viagens que todos os dias vamos fazendo.
Viver é uma viagem maravilhosa e é por isso que as palavras viver e viajar começam ambas com a mesmas duas letras. Só quem tem a vida presa por um fio pode bem apreciar esta fantástica viagem.
Esses não podem ver cuidadosamente as paisagens que se cruzam connosco, as árvores seculares que nos acenam para a janela e que todas as primaveras e outonos nos contam mais uma viagem…
Quem dera que a vida fosse eterna para ter tempo de fazer todas as viagens devagar e todas poder guardar só para mim, dentro de mim. Não aprecio fotos de viagens nem mesmo as últimas selfies. Todas as minhas viagens estão dentro de mim e guardo todas as paisagens que me chamaram desde Vermont aos prados verdes da Polónia de onde me chegaram ecos de todos os horrores da segunda guerra.
Viajar também é encontrar outras gentes e outros costumes e descobrir o porquê das variedades, mas …. se nos soubermos dar, descobrimos que os homens e as mulheres são iguais em todo o lado. Entregam-se e dão-se do mesmo modo, sofrem pelos mesmos motivos e rejuvenescem com as mesmas alegrias.
As crianças brincam umas com as outras da mesma maneira e os velhos são nostálgicos em toda a parte. Às vezes há uns velhos loucos que não envelhecem da mesma maneira, mas esses só vêm confirmar que a sua viagem foi talvez um pouco mais rica, quem sabe?
Alguns dias costumo viajar no meu sofá virando as folhas de algum livro perdido. Então viajo para longe ou perto, para o passado ou para o futuro ou para dentro desta coisa chamada humanidade e aprendo muito sobre mim própria e sobre todas as minhas viagens.
Assim vou criando as minhas asas que me levam em voos planados a viajar sem fronteiras nem tempo. Nestas viagens nunca esqueço quem colocou e regou dentro do meu peito esta semente que só a curiosidade e a imaginação podem alimentar. Ah! E a liberdade! A liberdade interior que te obriga a fazer escolhas e a viajares pela vida à tua volta, dando a mão a quem não consegue sair do mesmo lugar, porque não teve ninguém que lhe semeasse no peito a mesma alegria das viagens de todos os dias.
Amanhã, quando o sol se levantar, partirei numa nova viagem, desta vez para parte certa desta velha europa, onde espero arquivar dentro de mim um pouco mais que me continue a dar vontade de todos os dias querer levantar-me tal como o sol.
Como sempre não levarei máquina fotográfica nem telemóvel, só um novo par de óculos para melhor ver e um coração aberto a todas as novidades e velhidades que por lá abundam.
Boas viagens interiores, exteriores, circulares, escritas, ouvidas, filmadas…de qualquer modo registadas e enriquecidas pelos olhos de quem as vê.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O grande Vergílio





Quantas pessoas te amaram? Quantas amaste? O afecto é a melhor forma de saberes o tamanho da tua vida. Ou seja, do até onde exististe. Haverá outro balanço para saberes se ela valeu a pena?


in Pensar - Vergílio Ferreira

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Para recomeçar

Somos passageiros – do infinito

A vida, como um comboio, leva-nos a muitos lugares, tempos, razões e sentimentos. Cada um de nós entrou numa estação e noutra, que desconhece, terá de sair. Vemos muita gente embarcar e desembarcar.
O caminho é sempre único, mas as belezas do mundo são comuns. Algumas estão nas paisagens dos dias e noites que vivemos, outras no interior do comboio: os passageiros que partilham connosco partes da viagem... e ainda há a maior de todas as belezas: a do mundo que cresce dentro de cada um de nós. A maravilha de ser, ter e sentir um coração que cresce só porque pode recolher um pouco de cada canto que há no mundo.
Muitos imaginam a felicidade como um sossego onde o prazer é permanente, mas a verdade é que temos de ser nós a lutar contra os desejos que nos inquietam e destroem a paz, aqueles que concretizados satisfazem, mas logo um vazio maior se apodera da alma… Importa aprender a distinguir as boas inquietações, que nos levam a superar os nossos limites, dos desassossegos que apenas nos destroem, porque nos fazem fúteis e caprichosos. Há bons prazeres e boas dores…
Ser feliz não é estar acima das nuvens. Não é um comboio especial ou uma carruagem de primeira classe. Não é, sequer, uma estação. Ser feliz é aprender a aceitar a viagem, tal como ela é, de coração aberto...
Ser feliz é ser um pedaço belo de mundo que não perde o brilho da sua harmonia, apesar de todos os acidentes do caminho, apesar dos invernos que parecem não ter fim... e, até, das tempestades que vêm sempre com vontade de arrancar as árvores pela raiz e o nosso comboio dos carris...
Talvez ser feliz passe pela capacidade de deixar um pouco de si em cada canto que há no mundo.
Viver é poder sentir de perto muitas lonjuras... ser feliz é fazer-se próximo e encontrar forma de ficar sempre ali.
A felicidade, como a vida, não é um momento, é uma viagem sem regresso, uma aventura sem fim. 

José Luís Nunes Martins

sábado, 9 de abril de 2016

Não posso deixar de partilhar

À procura de bibliografia e de ideias para o meu trabalho encontro este texto maravilhoso de um grande pedagogo - Miguel Angel Santos Guerra.
Os sublinhados e os negritos são meus!!



Sei que, para os jovens de hoje, as coisas estão mais difíceis do que para as gerações anteriores. Como, talvez, não se possam com­parar fenómenos que não são comparáveis, direi simplesmente que as coisas estão difíceis. Muitos pensam que os jovens dispõem de tudo: estudos, dinheiro, diversões, viagens, oportunidades ... Eu penso que lhes falta o mais essencial: o sentido das coisas numa so­ciedade que se desumaniza. Não é fácil resistir à corrente que nos arrasta, violentamente, para a competitividade, o individualismo, o relativismo moral e o conformismo. Na sociedade em que vivemos, não é fácil conseguir um lugar, sem afastarmos os outros às cotove­ladas. Não é fácil opor-se a quem tem algo para dar. Na altura em que têm de mostrar que valem para alguém ou para alguma coisa, vêem-se condenados a uma corrida interminável que acaba por con­duzi-los ao desemprego.
Não sei quantos jovens de hoje subscreveriam as palavras de Camus: "Não podemos pôr-nos ao lado dos que fazem a história, mas ao serviço dos que a suportam". É mais fácil estar ao lado de quem pode distribuir prebendas, apoios, emprego ou, simples­mente, sorrisos.
É preocupante ver como alguns jovens viram costas à esperança, mergulhados em si mesmos, nada preocupados com os problemas das pessoas e da sociedade. É preocupante ver que os que começam a caminhar já estão cansados da viagem, fartos de si mesmos, sem vontade de melhorar o percurso da vida dos que caminham a seu lado.
Nem toda a juventude assim é. Bem o sei. Há jovens entusiastas, comprometidos, empenhados. Há jovens sensatamente optimistas e, ao mesmo tempo, com um realismo empreendedor para melhorar as coisas.
Quero repetir, aqui, a mensagem que um ancião de 88 anos es­creveu para os jovens. Uma pessoa que, apesar de já ter percorrido um longo caminho semeado de obstáculos, de tragédias e de dor, ainda mantém a esperança. Não de forma ingénua, evidentemente.
Ernesto Sabato escreveu o seu testamento destinado à juven­tude. Foi Seix Barral quem o publicou, com o título de Antes do Fim. Aos 88 anos, este doutorado em Física que abandonou os seus tra­balhos sobre radiações atómicas para se dedicar, a partir de 1945, à literatura dirige-se aos que estão a iniciar um projecto de vida. E fá­-lo sem dogmatismos, com humildade. As primeiras palavras da sua obra são significativas: "Tenho vindo a acumular muitas dúvidas ... ".
Sabato constitui como destinatários do seu testamento moral os adolescentes e os jovens. Delicada etapa da vida em que se busca, ansiosamente, o sentido das coisas. Também se dirige aos idosos que, olhando para trás, se interrogam se terá valido a pena tanta dor, tanto caminho .. "Sim, escrevo isto "- diz Sabato -" sobretudo para os adolescentes e jovens, mas também para os que, como eu, nos apro­ximamos da morte, e nos perguntamos com que finalidade e por que razão vivemos, aguentámos, sonhámos, escrevemos, pintámos ou, muito simplesmente, empalhámos cadeiras".
Disse Camus: "Existe apenas um único problema filosófico ver­dadeiramente sério: o suicídio. Decidir se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia". Todas as perguntas acabam por nos conduzir a esta pergunta central que tem as suas raízes no coração humano.
Sabato não é um ingénuo. Não é um cínico. Construiu, com dor, um pequeno monte do qual se vislumbra a esperança. Muitas vezes se debruçou sobe o profundo poço do suicídio. E encontrou em si mesmo e nos outros uma réstia de esperança que o ajudou  a continuar o caminho. As últimas palavras do seu testamento para os jovens são esclarecedoras: "Só os que forem capazes de encarnar a utopia estarão aptos para o decisivo combate, o de recuperar quanto de humanidade já perdemos".
Interroga-se Sabato, como já fizera antes em algumas das suas obras, sobre o sentido da pessoa na crise do nosso tempo. Estreme­cemos ao ler algumas das suas páginas (sobretudo o capítulo intitu­lado "A Dor Faz Parar o Tempo"). Como é possível manter a espe­rança no meio de tantos desastres, tanta miséria, tanta crueldade, tantos maus presságios?
O mais aberrante, talvez, é a desproporção da violência a que estão expostas as crianças. As torturas, a exploração, a venda, o abandono de crianças parece dar razão a Nietzsche, quando dizia:
"Os valores já não valem" .
O filósofo Fernando Savater encerra a sua interessante obra As Perguntas da Vida com este poema de Heinrich Heine: "E não dei­xamos de interrogar-nos uma e outra vez;! até que um punhado de terra/ nos cala a boca.! Mas, será isto uma resposta?".
Num mundo que se desumaniza, há que pensar, com Goethe, que "a humanidade acabará por triunfar". E uma boa parte desse triunfo está nas mãos da juventude.
A comunidade caminha para a Utopia. Está em Utopia. É como a personagem da seguinte história. Era uma vez, há centenas de anos, um homem que, uma noite, caminhava pelas escuras ruas duma ci­dade do Oriente, com uma lâmpada acesa. Encontra-se com um amigo que, surpreendido, lhe pergunta:
- Que fazes tu, que és cego, com uma lâmpada acesa nas
- ?
maos ....
Responde o cego:
- Não levo a lâmpada para poder ver o meu caminho. Conheço as ruas de cor em plena escuridão. Levo esta luz para que os outros, quando derem comigo, possam descobrir o seu caminho.A esperança radica na ajuda mútua, na justa convivência, na s( lídariedade. Li numa parede da cidade de São Salvador de Jujuy es1 grafito: "Somos anjos com uma asa. Precisamos de nos abraçar para poder voar".

Miguel Santos Guerra. No coração da Escola.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O mais bonito poema de amor

Para mim é claro! Que isto de poesia tem a ver com a alma.



No te amo

No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.


Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de si, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendio de la tierra.

Te amo sin saber como, ni cuando, ni de donde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
asi te amo porque no se amar de otra manera,

sino asi de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mia,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueno.

Pablo Neruda

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sentir o Natal


S. Martinho de Anta, 24 de Dezembro de 1962

NATAL

Um anjo imaginado,
Um anjo dialéctico, actual,
Ergueu a mão e disse: - É noite de Natal,
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.

Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e oiro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breves como o vento
Que entra por uma fresta, quisilento,
Redemoinha e sai:

À volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternamente?
Quantas desejam que o menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?

in Diário - IX de Miguel Torga

domingo, 13 de setembro de 2009

Devia ser assim por cá mas não é!


Aqui pode ler-se um discurso que foca a responsabilidade individual no progresso de um país. Foi com estas palavras de culto do trabalho, da responsabilidade e do esforço que as crianças americanas começaram mais um ano escolar.
E as nossas? Com a ideia fixa dos professores como alvo a abater, da escola como sinónimo de recreio que durará eternamente, do grande favor que fazem à nação em sair de casa logo pela manhã.
A Educação deixou de ser o modo de crescer inteiramente, a vontade de ser mais alto e mais longe, a liberdade de inventar um novo mundo.
É muito triste!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Livros que me acompanham


A frase anterior foi retirada de um livro a que volto uma e outra vez. Começa com uma pergunta interessante: " Te sientes satisfecho contigo mismo y con tu vida?"
E vai por aí adiante, baseando a escrita nos dez pilares da felicidade.
- O amor - a si mesmo, aos outros e à vida;
- O humor - alegria de viver, optimismo, entusiasmo, riso;
- A empatia - Compreensão, altruismo, diálogo, perdão;
- A sabedoria - coerência, curiosidade, busca, aprendizagem constante;
- A liberdade - de eleição, de pensamento;
- A saúde - física, mental, emocional;
- A motivação - finalidade da vida, razão da própria existência, realização pessoal;
- O autocontrole - domínio de si mesmo, proactividade, responsabilidade consciente;
- A valentia - Valor, tenacidade, capacidade de risco sem perder a prudência;
- A fortaleza e grandeza de espírito - Dignidade frente aos azares da vida, resistência para enfrentar o sofrimento, serenidade, paz, plenitude.

Para dias em que se busca o sentido para tanta canseira!! A ler com atenção!!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Livros e pensamentos


Há alguns anos que vou ao CADIN, instituição conhecida por todos os que procuram uma rede de profissionais experientes, dedicados e humanos para acompanhar crianças com problemas mais ou menos visíveis. Podia ser só mais uma instituição que, pelo sítio onde está, se limitasse a seguir crianças cujos pais podem pagar serviços de alta qualidade. Não o é porque tem a geri-la um homem de excepcionais qualidades humanas e científicas: Nuno Lobo Antunes.
Quando se sai de uma consulta com este neuropediatra, vem-se com a esperança renovada e com a confiança de que tudo vai correr pelo melhor. Ainda que nem sempre seja assim, sabe-se que há sempre uma resposta. E quando a resposta não é a que queremos, há ainda o fazer entender que a vida não é uma estrada plana.
Publicou há pouco tempo o seu primeiro livro "Sinto muito". Lê-lo é sentir na pele os dramas humanos que passam pelas mãos dos médicos, as suas vivências dolorosas, a visão que têm da vida humana e das emoções. Paralelamente, com o seu fino e subtil sentido de humor, vai deixando nos leitores um sorriso sobre o sentido da vida.
Gosto de pessoas que sabem rir de si próprias porque considero ser só possível em pessoas inteligentes e de bem com a vida.
Todos os médicos deveriam ser assim!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Alguém escreveu o que eu sinto

Este editorial do João Ruivo ilustra tudo aquilo que eu sinto sobre a avaliação mas não consigo passar ao papel.