Estive parada e com muletas desde Dezembro 2022 a Maio 2023. Primeiro, sem colocar o pé no chão, depois com bota e sessões de fisioterapia. Todos os dias em um novo desafio. Subir e descer escadas um esforço sem fim. O medo de cair e piorar a recuperação apoderou-se de mim. Ainda hoje caminho a olhar para o chão para verificar qualquer alto na calçada que me faça tropeçar. Foram 60 sessões de fisioterapia. Primeiro em casa, depois na clínica. Seguiram-se novos tratamentos.
De todas as experiências, principalmente das más, retiramos lições para a vida. Deixo as mais importantes:
- Nada neste mundo é garantido. De um momento para o outro estás a caminho do hospital para ser operada e ficas completamente dependente de terceiros.
- Quando qualquer amigo tiver um problema, não basta dizer, se precisares chama-me. É necessário ir mesmo e fazer o que for necessário. Estar presente.
-Até nos sítios menos usuais encontras rotinas e momentos agradáveis. Tive pena do grupo que deixei na fisioterapia quando acabou! Não podemos ser negativos. Temos sempre de ver o lado positivo. aprendi muita coisa nas longas conversas com pessoas com idades e profissões muito variadas.
-Apreciar mais o que podemos fazer quando o pior já passou. Não há uma única vez em que suba as escadas da minha casa em que não me lembre de quando as subia agarrada ao corrimão com toda a força que tinha e mesmo assim com muito esforço.
- A família é o mais importante que temos na vida. Nestes momentos sabemos, se ainda tínhamos dúvidas, quem são os elementos que se interessam verdadeiramente por nós. Esta aprendizagem fica para a vida e condiciona o modo como vivemos dali para frente.
- Deixas de ter paciência para queixumes inapropriados.
- O que os outros pensam ou dizem deixa de fazer sentido. Reajo como sempre a minha mãe me ensinou: com o silêncio. Não confundir silêncio com surdez porque oiço, registo e nada fica igual.
- Ficou muito menos ruído à minha volta. O foco ficou mais claro e os objectivos também.