quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A terrível palavra fim


 Estou a iniciar o ano lectivo, sabendo que, se tudo correr bem, já o vou concluir como reformada. Esta ideia, meio ainda no inconsciente, tem-me trazido noites de insónia, pesadelos, balanços, reflexões sobre a vida, a família, o envelhecimento, a morte... enfim! Apanharam-me um pouco de surpresa todas estas questões que me invadem as noites e me deixam derrubada. 

Parece um fim mas não tem de ser assim, eu sei! Mas houve tantos fins na minha vida e na de toda a gente!  Normalmente dolorosos mas que me ensinaram que levantar a mente e transformar os dias fazem parte da arte de viver. 

A  vida são ciclos que se fecham para que outros se abram mas os que se fecham deixam em nós imensa saudade! O dia em que o primeiro filho saiu para a universidade foi um fim de ciclo que nunca mais teve retorno. Passados três anos saiu o segundo e a vida com filhos em casa morreu para nunca mais ressuscitar. Se os queria cá com a idade que têm? Claro que não! Constroem as suas vidas como é natural. O que ficou foi uma saudade pueril de tempos bons que me assalta muitas vezes em sonhos. Compreendo melhor os meus pais e o que me diziam quando os visitava.

Depois, lá pelas quatra da manhã, começo a pensar nas minhas netas e no tempo que ainda terei para as ver crescer. Até quando? Seguirão também elas as suas vidas, deixarão as suas casas e construirão as suas rotinas com rumo à felicidade. Verei? Penso que não!

Acordei assim. Cheia de dores musculares depois de um treino puxado de retorno e a recuperar de uma insónia triste que se seguiu ao acordar de um sonho de uma vida lá muito atrás com filhos pequenos e eu tão nova e tão jovial!

Coisas!

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