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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Estas últimas semanas

 

Tanta coisa a acontecer e tão pouca vontade de partilhar.

Confinamento rima com amortecimento... dos sentidos no meu caso. Instalam-se umas rotinas tramadas de aulas online, tarefas, telefonemas, olhar pelas janelas para a pouca vida que se passa lá fora.

Olhar pelos nossos e sonhar.


Assente na experiência negativa do primeiro confinamento tenho andado muito. Aplicação no telemóvel que me vai dizendo os kms andados e pasmem já andei uma maratona!! Não foi toda num dia mas é uma vitória. Agora caminho para chegar aos 100kms. De vez em quando a aplicação apita  e envia frases de reforço. Muito bom! Está a funcionar não fora uma lesão num músculo que me faz olhar os táxis de uma forma apetecível no regresso a casa. Tenho resistido à tentação.

Os alunos estão a colaborar nas novas estratégias e penso que está a correr bem o E@D.

Neste entretanto fiz 60 anos! Uns dizem que é bom sinal porque muitos dos que conhecemos não chegaram a esta idade. Concordo mas mesmo assim foi um dia agridoce. É muita idade para uma cabeça que ainda se sente muito jovem. Ou pelo menos tenta todos os dias. 

Depois há os momentos de tristeza pura que guardamos no âmago do nosso coração e que sabemos que nunca mais de lá sairão. Fazem parte da vida mas custam a aceitar!


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Confinamento e solidão

 


Hoje acordei assim. Uma solidão cinzenta tomou conta de mim! Tanto trabalho ainda para realizar e tão pouca vontade. 

Os últimos tempos têm sido muito duros. Aulas e casa. Casa e aulas. Não havia mais nada. Agora deixou de haver aulas. Ficou só a casa. 

Na escola, deixámos de conviver como nos ensinaram ao longo destes anos todos. Distância física e distância emocional. Soube, quase depois de um mês, que o pai de uma grande amiga estava internado!

Não sei de ninguém nem ninguém sabe de mim! Ontem, fui dar uma volta a pé pela cidade! Encontrei cerca de três pessoas. Cidade deserta com as luzes amareladas a refletirem a escuridão.

Sim, posso tratar de mim, fazer máscaras exfoliantes, colocar cremes, fazer tudo aquilo para que se necessita tempo. Falta apenas a vontade.

O melhor programa neste momento seria ficar na cama todo o dia entre lençóis fofos e com a cabeça vazia sem pensar em absolutamente nada que me perturbe a alma.

Não há uma notícia boa, não há um sorriso sincero, não há abraços. 

Há solidão! Muito farta disto tudo!

Não tenho razão? Talvez não!

Tenho uma vida boa e comida em casa? É verdade que sim.

Hoje é um dia mau!


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Já fui e já voltei

Fui ver a mãe! Já se podia entrar mas eu fiquei à janela do quarto dela.  Parece que me conheceu e ficou contente com a minha presença. Não leva uma frase até ao fim mas nas palavras nota-se que alguma da vida que viveu, da qual eu faço parte, ainda lá está num espaço escondidinho do cérebro. 
Se valeu a pena? Muito. Mais uma vez que estive com ela que a olhei nos olhos, agora tão pequeninos e ainda vi o seu sorriso infantil. 
Vale o tempo da viagem, vale os kms percorridos, vale o sacrifício!
Querida mãe tu vales tudo!

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Menu de Páscoa


Dei-me conta que não é necessário fazer compras para tal refeição. Não podemos comer doces, logo, não há sobremesas. Deveremos comer poucos hidratos, sopa com fartura, uma torradinha ao lanche e pronto gastronomicamente está o dia completo.
Melhores dias virão. O estar fechada em casa tem destas coisas. Apetece-me fazer folares de azeite, folares de carne, sobremesas diversas mas para quem?
O que tem de ser tem muita força e quem não vê não peca. E está feito. Menos trabalho e mais saúde. Espero! 

sexta-feira, 27 de março de 2020

Sonhos que me atormentam


Sabem aquelas fotos que gostamos de tirar quando vamos de carro e encontramos estradas sem carros e muitas curvas românticas? Muito comum no Alentejo. Na última viagem que fiz para aqueles lados há aproximadamente três semanas (ainda bem que fomos!) encontrei trechos lindos de verde, de árvores centenárias e uma luz incrível que chamava pássaros e lembrava liberdade. 
Hoje sonhei com essas estradas e com essa liberdade de ir, só porque sim!
A madrugada mudou o sonho para casa de filhos queridos. Era eu que ia toda contente porque estava combinado e era o certo. Acordei e dei-me conta que não ia a lado nenhum! Nenhum mesmo! Fiquei na varanda um bocado até me passar a neurose e me começar a sentir com sorte por ter uma varanda grande e solarenga e depois comecei o trabalho do dia. 
Cozinhei legumes com ovos escalfados para o almoço. Foi uma boa opção!
 O trabalho continuou com uma videoconferência que ocupou quase toda a tarde. 
Agora é saber da minha gente, dar dois dedos de conversa, programar o dia de amanhã, sem idas ao mercado, e já está.
Durmam bem!

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Armário dos agasalhos...done!


Demorou tempo e exigiu uma grande dose de paciência. Retirar tudo para fora, limpar o armário, verificar os casacos, parkas, sobretudos e afins e verificar se estava tudo em bom estado. Retirar algumas peças que já não uso há mais de dois anos (é a minha regra, lida algures há muito tempo) para serem recicladas para outras pessoas. 
Colocar anti traças porque estes seres vivos adoram lã e tecidos de boa qualidade.
Amanhã começo pelo armário do desporto que vou organizar para os dois para o início da próxima temporada.  Já que não os vences, junta-te a eles mas, já agora, de modo prático e elegante.
 Pelo meio, tenho ainda mil e uma echarpes e acessórios  para colocar em caixas organizados e ao abrigo do pó e das traças e de outros estragadores dos acessórios que amo.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Passeio a Fátima


Tirámos a tarde para passear a pé por Fátima. Está bonita, arranjada, com passeios largos e muita sombra. Deixámos o carro longe para poder caminhar. Soube bem!
Estivémos na basílica nova e depois passámos para a Capelinha. 
É sempre uma emoção chegar aqui. Recantos  cheios de recordações, umas boas, outras muito más. Quando cara-metade saiu do hospital, depois do transplante, quis ir lá! Era Inverno e estava muito frio. Quis sair do carro e caminhar até perto da Senhora! Nunca mais retirarei da memória o passo incerto e a fragilidade com que passeou um pouco pelo lugar. Por aqueles dias, estava aterrorizada a tomar conta dele! E se...se... se... o que é que eu faria?
Foi muito bom hoje poder passear com ele, forte, conversador, alegre, parar para lanchar e mentalmente recordar que a vida tem sempre estes momentos para podermos dar graças à Virgem que nos ensina que há sempre saídas e dias menos bons que se vão transformando em dias melhores.
Em todos os aspectos da minha vida, mantenho sempre esta ideia peregrina que ainda haverá um tempo em que o que me atormenta hoje possa vir a transformar-se em algo bom, pacífico, alegre e que me faça feliz. Pedi-o à Virgem! Não sou muito de pedir. Sou mais de agradecer, mas hoje, os meus pensamentos navegaram por uns quantos assuntos para os quais necessito da ajuda divina na qual acredito plenamente.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

E ainda o passar do tempo


Segunda feira é dia de sentir o stress do fim de semana. Já me conheço e sei que lido muito bem com os momentos de tensão. O pior vem depois!
Fim de semana com a mãe leva os meus níveis emocionais a picos muito difíceis de gerir. Olho para ela e já não reconheço a sensatez, a alegria dos olhos, a solicitude, o amor que sentia por todos nós. Enquanto estou com ela, vou fazendo o que é necessário mas o coração aperta e  a tristeza instala-se. Dúvidas e amarguras passam a toda a velocidade pela mente.
E ela? O que sentirá? Que se  passará na mente perturbada  dela ao ponto de o meu sentir não  reconhecer a minha mãe?
Que aconteceu para que a sensatez que sempre lhe conheci, por vezes até em exagero, tivesse desaparecido?
São dias emocionalmente muito difíceis de gerir. Dias de culpa sei lá de quê. Dias em que tudo me parece errado. Dias em que tudo ponho em causa e em que nada faz sentido.
Às segundas o levantar é muito perturbado. É normalmente o tempo em que caio em mim e o cansaço acumulado se instala no meu corpo!  O momento em que realizo que o trabalho continua, as tarefas acumulam-se e há que sair para trabalhar.
E ela lá está! Sentada na sua cadeira  de rodas! Sem saber muito bem onde está. Umas vezes mais calma, outras mais agitada. A pessoa que mais fez por mim em toda a vida! Demente!
 E eu aqui! A quase 300kms de distância a ir para o trabalho e a esperar pacientemente que chegue a minha vez de me sentar na cadeira, talvez na mesma sala!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Cabeça vazia


Sabem aquela sensação de terem de começar por algum lado mas nada parece bem, estás de mal com o mundo e contigo própria porque já devias ter começado e estás a colocar na tua mente horas para começar, e o tempo passa e não começas?
Mas afinal o que esperas? Milagres? Sem suor e trabalho?
Deixa-te de mimimis e atira-te a isso!

domingo, 12 de março de 2017

Coisas sem importância e com toda a importância do mundo


Fiz feijoada para o almoço e tratei da roupa. Separei e passei a ferro. Congelei parte da feijoada porque é bom e reconfortante saber que há refeições prontas cá por casa e não dependemos de frangos assados comprados fora de horas. Li legislação e um dossier inteirinho de papel com as questões do PISA. Chamo a isso preparar a informação necessária para a  semana. E que semana que se aproxima! 
A seguir tentei encontrar alguém que me lavasse e arranjasse o cabelo. Consegui. Saí ainda com sobrancelhas arranjadas depois do olhar atento da empregada ter verificado a necessidade.
Passei ainda por uma loja para repor stocks cá de casa. Entrei no AKI e trouxe
 umas quantas coisas necessárias como líquidos para limpa pára brisas e detergentes para retirar mosquitos agarrados ao carro. Tenho muitos! Não sei porquê porque ainda não é Verão!
Depois disto tudo um telefonema como se fosse um murro no estômago: Uma notícia triste!
Que dizer? Que reconfortar? A doença  tem conforto?

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Maldita doença


Partiu esta noite. Marido de uma colega e amiga. Ainda não tinha chegado ao meio século. Conhecia-o mal mas admirava a beleza deles como casal, a leveza da vida que tinham, o ar festivo com que partiam para almoços juntos como tantas vezes os vi.
Depois, um dia, tudo se alterou de forma súbita. Como sempre é: de forma súbita.
Acabou o sofrimento. Ficam as recordações e as saudades. Apesar de o sabermos doente, um frio permanece na nossa mente. Ainda não tinha 50 anos! Tinha uma família linda e merecia viver.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Regresso


Nunca consigo dizer - vou embora, adeus.  Dou muitos beijinhos e digo-lhe que volto logo a seguir contando que a demência dela lhe apague a espera de me voltar a ver rapidamente. 
À porta, volto-me para a olhar uma última vez e ela lá fica sentada, manta nos  joelhos, olhar parado já de quem não me espera.
Disse-me que queria ver a mãe, que tinha saudades dela, como é que ela andava e eu respondi que bem, que estava magrita como sempre fora mas bem disposta. E ela sorriu e voltou a repetir que a queria ver. E eu respondi que a traria lá quando o tempo estivesse menos frio para não apanhar frio! 
Querida avó que faleceu tinha eu 22 anos e ainda hoje (também eu) tenho saudades dela e do sorriso dela. 
Está diferente a minha mãe. Os filtros sociais, tão importante para ela durante todos os anos em que a conheci foram-se e agora diz o que lhe apetece. Fico chocada! Mas no fundo de mim própria, não fosse eu estar a perdê-la como era, torna-se cómico! A mãe a dizer o que pensa, bem alto não se importando com o que os outros pensam! 
Meto-me no carro e o frio da serra parece que enregela o meu coração. Estrada abaixo em silêncio pensando nos outros tempos em que éramos todos e quase não dávamos valor a isso!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Chegados a sexta


Depois de uma semana para fortes e destemidos. Muito ainda para fazer e para modificar mas o essencial ficou feito.
Fim de semana  para dar apoio aos que necessitam. Rumar a outra cidade para confortar duas das minhas almas preferidas. 
Adiar por mais uns tempos uns sonhos e desejos que se instalaram em mim! Só mais um tempo! Depois, é tempo de ser feliz por uns dias.
Bom fim de semana!

sábado, 10 de outubro de 2015

Este post é para ti!



As melhores oportunidades, as melhores escolhas, as melhores vidas! ISTO não existe!
Coloquem nas vossas cabeças que não há vidas exemplares, não há oportunidades boas que não possam transformar-se nos piores infernos de um momento para o outro e que  há acontecimentos que à partida parecem maus e nos tornam os seres mais felizes do mundo. Não há gente incrível a quem tudo acontece de bom e resolve tudo bem e os outros os desgraçadinhos a quem tudo acontece de mau. Somos maus e bons, resolvemos umas vezes bem e outras vezes mal e quando estamos a pensar que é bem, é mal e o contrário também é verdadeiro. O ser humano é imperfeito por natureza!
VIVER é isto!  Saber  surfar as melhores ondas sabendo que algumas nos atirarão para a praia e outras que parece que não são nada nos tornarão os heróis de nós próprios. Pegar no mau e transformá-lo em bom e em oportunidades é um dos maiores desafios do ser humano.
Desafiem-se e tornar-se-ão mais fortes.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ontem, fui ver a mãe

 Os meus pais noutros tempos. A mãe ainda em recuperação da colocação de uma prótese. Éramos felizes sem o saber.

Talvez não devesse partilhar isto mas conheço tanta gente a sofrer com esta situação que talvez a partilha seja uma forma de exorcizar o medo. Mais o nosso que o deles.
Sentimentos profundos, recalcados, vêm ao de cima! Vê-la assim e não poder fazer nada! Começa uma frase e não consegue dizer o que pensa ou  o que sente. Resta só o afago, a mão na mão, os meus olhos nos olhos mortiços dela que se fecham devagarinho pela tarde adiante embalada pelas minhas conversas de uma vida que já não lhe diz nada. Falei, cantei e deixei-a a jantar rodeada pelas suas gentes, por todos aqueles que viveram a vida lado a lado e têm recordações comuns de outros tempos. As outros, os mais novos, (da minha idade), os cuidadores lembra-lhes a sensatez, a tenacidade, a verticalidade da mãe noutros tempos  e interrogam-se, em conversas comigo e olhando para  ela, onde também nós chegaremos.
Regressar ali é regressar um pouco à minha infância, às minhas amigas da escola primárias muitas delas agora a cuidar da minha mãe. É lembrar tardes soalheiras, brincadeiras e trabalhos de meninos que, sendo pouco, quem o perde é louco. Foi sempre assim por aquelas bandas. O trabalho como parte importante da vida. 
A mãe não olhou para mim quando saí. Ficou direita, à mesa de  jantar e eu morri um pouco ali. Continuei a morrer estrada fora, olhos na estrada e o coração lá longe, muito longe, noutros tempos em que o chegar era sempre a felicidade. 
Esta vida é tramada!


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Como a avestruz


Estou neste modo há já alguns dias! Sabe bem, esquecer, não lembrar, deitar para trás das costas, esvaziar, meter para um cantinho do cérebro do qual não vai sair se eu não quiser pensar. E eu não quero!.
Amanhã não vai ser um dia fácil para mim! Um dia que adiámos tudo o que pudemos  mas que, como sempre na vida, um dia é o dia! 
Amanhã levaremos a mãe pela primeira vez ao lar. Para a conhecerem, dizem!
Para lhe continuarmos a dizer adeus penso eu, cheia de remorsos, de medo, de angústia, de abandono por tudo o que representou para mim, de tristeza por não conseguir fazer mais, de raiva por esta doença que lhe leva o espírito e lhe deixa o corpo. 
Amanhã começa uma nova fase que a afastará mais um bocadinho de mim. Um bocado de estrada entre nós mas acima de tudo esta linha mental que já se quebrou lá atrás, não  sei aonde porque nunca sabemos onde começa a nossa dor e onde acabam as coisas boas que temos, ingenuamente, como certas. 
Amanhã, também eu,entrarei no lar e o meu espirito ficará lá com ela. Se ficar!  Se for capaz de a deixar lá, quando para ela sou " a minha senhora" e já não tenho nome algumas das vezes que chama por mim.
Amanhã terei de desenterrar a cabeça da areia, conduzi-la, esconder as lágrimas e ser forte. como ela sempre nos ensinou.
Amanhã vai ser um dia tramado!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Depois da tempestade


A vida começa, pouco a pouco, a voltar às rotinas. Liga-se o forno, busca-se um peixe especial que sai para a mesa repleto de sabor.
Os filhos estão em casa e o sol entra pela janela.
Há ainda um grande caminho a percorrer mas, de repente, ficou mais plano e mais fácil de calcorrear.
A Primavera aproxima-se. Há tanto ainda para concretizar!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Dias parados


Não! Não é sem trabalho! São dias em que o corpo se move de um lado para o outro mas a mente está parada lá atrás. Tem medo de pensar, de colocar hipóteses, de antever. Limita-se a discorrer sobre o trivial.  O que se janta, o que se compra, o que tem de se fazer agora.
Vive-se o momento e espera-se que o dia chegue ao fim tal e qual como começou.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Levantar às 5


Tomar o pequeno almoço e começar a trabalhar às 5.30h. Voltar aos tempos em que esta era a minha rotina de estudo.  Porque tem de ser e porque sou pessoa de madrugadas para poder pensar com clareza.
O sol começa a nascer. Muito do trabalho agendado para esta madrugada está feito.
Vamos lá então começar o dia!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A MÃE faz anos


Quase nunca se lembra! Falamos ao telefone e ela divaga para outros assuntos "bengala" que o cérebro ainda recorda para que consiga disfarçar a névoa que lhe rouba os pormenores dos dias. Não sabe o que comeu ao almoço, nem se houve sobremesa ou bolo de aniversário. Riu-se comigo e imaginei o seu ar infantil que ultimamente acompanha todos os seus actos erráticos sem saber onde está.
Perguntou muita coisa e as minhas respostas perderam-se imediatamente no labirinto cerebral de quem já não consegue reter o tempo ou o espaço.
Vamo-nos habituando, se alguma vez alguém se conseguir habituar a esta perda progressiva, lenta e dolorosa que nos levará a mãe para um limbo de onde não sairá. 
Está bonita, elegante como ela sempre desejou estar e nota-se que isso a deixa contente. De vez em quando um lampejo de lucidez alegra-nos o coração! Parece que voltou, que é a mãe que conhecemos, que vai  argumentar, perguntar,  conversar. Mas não! Rapidamente volta a confusão do "onde estamos?" e a tristeza volta.
Tempos difíceis que há que aceitar.
Parabéns minha mãe!