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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Manhãs de escola

 


No dia da inauguração da nova escola

Aulas de acompanhamento no estudo da Matemática.  Com poucos alunos fica muito mais fácil verificar as lacunas e os modos como pensam e fazê-los repensar e incluir novas abordagens. Para alguns alunos tem sido um caminho muito difícil tais são as lacunas. 

A amiga Luisinha fez anos e, como em todos os anos, fomos lanchar com ela. Nunca conheci ninguém que ficasse tão feliz por fazer anos mas ela fica iluminada. Fico contente por vê-la assim!

Uma vida a  percorrer os mesmos corredores de escola entre confidências e uma grande amizade. Alentejana de gema é de uma lealdade que já não existe. O que confiamos uma à outra ali fica por anos e anos. É bom ter amigas assim. 

Parabéns. 

Que para o ano estejamos novamente a rir, a comer torradas, a reviver férias e a programar novas aventuras.

sábado, 1 de fevereiro de 2025

A Lena partiu.

 


Foi ama dos meus filhos, amiga, família, confidente e uma das melhores pessoas que conheci. Partiu serena como ela era. Tinha 90 anos.

Vivia em frente da minha antiga casa, do outro lado da rua e, quando filho mais velho tinha 3 meses, foi para lá sempre que eu ia trabalhar. 

Os meus dois filhos foram para  a escola quase a fazer 4 anos depois de terem passado os melhores anos da vida deles junto à Lena e ao Quim que os mimavam até mais não. Nunca  queriam voltar para casa  e, muitas vezes, fui buscá-los mais tarde porque a brincadeira ainda ia a meio. Quando estavam doentes ficavam na Lena e eu partia descansadíssima para a escola porque os deixava em muito boas mãos. Um cuidado extremo, uma doçura de trato, um bem fazer, que ainda hoje está na memória de todos. Quando saiu o último, de mansinho, disse-me: se quiser ter a menina que lhe falta, eu ainda a crio! 

Partiu com tudo o que falámos e desabafei  porque, tenho a certeza, nunca contou a ninguém. Quando ia visitá-la era ainda um porto de abrigo, ouvia, dava a sua opinião e sorria. Mulher sólida de princípios, de bem fazer, de carinho, de família. 

Há um mês fui vê-la e, quando saí pela porta da cozinha por onde tantas vezes entrei, vi-a e percebi que era um adeus. Olhei para trás várias vezes e ela ali estava à porta com o seu sorriso doce. Virei a esquina e chorei.

Ontem, senti que se fechou um ciclo. Já estava quase encerrado mas a sua morte deu a volta à chave.

No funeral, o padre referiu que cada um de nós devia escolher alguma das qualidades dela e levá-la para a sua própria vida honrando assim a sua memória. Eu já escolhi!

Até um dia querida Amiga.

Ficou a saudade e um grande vazio! 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Coisas boas de trabalhar numa escola há muitos e muitos anos

 


Fui coordenadora da Biblioteca Escolar durante nove anos. Tinha uma equipa de duas funcionárias cinco estrelas. Todas temos a mesma idade e fomos vendo os filhos de cada uma a crescer, depois casarem, depois os netos. Estive alguns anos longe delas noutra escola e em outras funções.

Por acasos bons, este ano estamos novamente juntas. Elas nas suas funções, ainda ligadas à biblioteca, eu em aulas de apoio que decorrem naquele espaço que sinto ainda como um bocado meu porque resultou muito do nosso trabalho para além do que nos era pedido. Tantas ações, espetáculos, sessões  com escritores, teatros, lançamento de livros, enfim, tudo aquilo que pudesse incrementar a leitura e a cultura dos nossos alunos. Foi um trabalho fantástico. 

Sou amiga verdadeira delas, trocamos impressões, rimos muito de tudo o que vivemos e gosto muito do modo verdadeiro de cada uma. 

Hoje, uma delas trouxe-me uns bolinhos de maçã que são uma delícia. Emocionam-me estes pequenos sinais de que a amizade ainda existe. Que se lembrou de mim, mesmo não necessitando de nenhum favor meu, de nada em troca.

Esta gratuitidade na amizade emociona-me.

Sou de pequenos sinais e de acções que revelem muito.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Está a ser intensa

 


Esta leitura está a ser intensa. Pelo serão fora, sem conseguir parar de ler, as lágrimas vão e vêm e a saudade queima. O lar é o da minha mãe e todos os espaços descritos são transformados, na minha mente, nos espaços que conheço de cor. 

Os nomes são diferentes e a história também é outra mas quando a personagem nos transporta pelas recordações e objectos da casa dela, uma emoção muito grande toma conta de mim. Já não sei se pela minha mãe, se por mim, se pela vida, se por este espaço de tempo em que aqui andamos que parece tão importante e acaba para todos de igual modo. 

Por isso já não me importo com coisas pequenas, com tricas de quem ainda não viveu o suficiente para saber que a velhice traz a sabedoria necessária para ver com clareza que tudo se resume a muito pouco.

Ontem, passei a tarde com uma amiga de longa data. Ambas beirãs, com muito em comum. Revivemos tempos em que fomos colegas e pessoas que ambas conhecemos. Uma sensação de vazio tomou conta de nós. O que era e como tudo se transformou. O que pensávamos e o que era na realidade!!Ela anda a aproveitar bem os tempos em que não conseguiu fazê-lo. Eu fiquei a pensar na coragem dela, mais velha do que eu, e na vontade férrea que sempre teve e a trouxe até aqui. Bom exemplo a seguir. 

Antes de seguir, como ela própria o disse, para a tal residência onde todos chegam no dia a isso destinado. Foi um dia nostálgico, o dia de ontem! Com alguma descrença no ser humano. Nascemos sós e morreremos sós. Tudo o resto, é só ilusão!!

terça-feira, 7 de maio de 2024

Voltei renovada

 







Um pouco cansada mas valeu a pena. A Itália nunca desilude. As mulheres tendem a descomplicar e a achar graças às mínimas ocorrências. É esta característica que faz rir, descontrair e ser feliz por uns tempos. Mesmo o chato é transformado em riso. Tendem a ter os mesmos gostos e as lojas e as compras são sempre uma boa opção passando pelo património cultural e pela história de um país tão rico  de passado. 

Ao percorrer a paisagem num fiat 600 bem característico, vêm à memória os filmes já  um pouco esquecidos dos grandes realizadores da juventude. Tudo parece cenário de um filme do Visconti, do Bertolucci e por aí adiante. 

Milão,  lago de Garda (Sirmeone),Verona, Veneza, Pádua, Milão. Um périplo que soube a pouco mas há que voltar com calma para saborear novamente a musicalidade da língua italiana, os bons restaurantes, a boa música e estudar com calma a história dos lugares.

Cheguei cheia de novas emoções. Cansada mas contente. Vale sempre a pena. 

Não andei muito porque o aluguer do carro e os táxis ajudaram muito. O pé aguentou os pequenos passeios. Foi positivo. 

domingo, 21 de abril de 2024

As amigas de longa data

 


Tenho um grande carinho por elas e pelo que acrescentaram à minha vida.  Não estivemos sempre juntas mas perguntávamos umas pelas outras, ía sabendo das suas vitórias e dos dias menos bons. Há pouco tempo, uma dessas amigas muito especial ficou viúva. Tentei, de longe, escrever-lhe todos os dias um texto de esperança que a fizesse sair da escuridão a que uma morte repentina nos leva. 

Chegou a altura de voltar aos velhos tempos, às nossas conversas e às nossas recordações. 

Nunca me esqueço de quem me fez bem! Estando a  minha Mãe para ser operada, quando eu tinha cerca de 20 anos, fui levá-la à clinica onde a deixei triste como a noite. Despediu-se de mim quase a chorar,  numa enfermaria de seis pessoas quase já na penumbra do final do dia. Fui tomar café à noite com ela no pensamento. e esta amiga, médica de profissão, disse: anda daí, vamos lá. E fomos. Eram 11da noite e quase todas dormiam. Menos a minha mãe que quando me viu ao lado dela deu um sorriso de que ainda hoje me lembro.  

O outro dia contei-lhe este episódio de que já não se lembrava. Disse-me que sempre foi o lema dela ajudar. Acredito que sim. Um coração de ouro  e uma maneira de ser que sempre me agradou. Jogámos muitos jogos de ténis juntas, pelo calor tórrido da tarde nos campos de terra de Coimbra. 

Já está reformada e o poder estar com ela está a fazer-me bem. É com estas nossas pessoas que contamos sempre mesmo que os anos e a distância tenham encurtado o contacto, os sentimentos continuam bem presentes. 

Até já!