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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Uma certa nostalgia


 Em véspera de aniversário apodera-se de mim uma necessidade de fazer balanços, não do último ano mas de uma vida inteira. Vêm à memória pormenores já esquecidos, sentem-se saudades do pai e da mãe tão importantes nestes dias (e sempre). Relembram-se outros aniversários, outras gentes e outros ânimos.

Chegando a noite concluo que a vida foi o que foi. Combati com as armas que tinha, dei o meu melhor, tanto na vida pessoal como na profissional. Nem tudo correu como eu desejava. No entanto, o que interessa é o saldo dos dias e do que consegui  com as ferramentas que tinha. Esse é muito positivo.

Venham então lá os 65!

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Coisas engraçadas

 


Tenho no meu horário de trabalho duas horas para poder substituir professores que não puderam comparecer. Ontem foi um dia desses. Quando cheguei à entrada do laboratório percebi que iriam ter a disciplina de Ciências e quando me viram começaram todos a gritar: queremos dar a respiração, queremos a respiração! Considerei estranho, mas, já sentados, perguntei-lhes se andavam a dar a respiração mas que eu não iria avançar nos conteúdos porque não era a minha função. Explicaram que estavam a dar a puberdade mas era outra a  respiração de que eles falavam. Eu já tinha estado com eles no anterior semestre e tinha ensinado técnicas de respiração de relaxamento, a chamada respiração abdominal. Fizemos, nessa altura, um exercício de relaxamento o, que para meu espanto, eles cumpriram e no final disseram ter-se sentido mais descontraídos. 

Expliquei ainda que poderiam sempre ter esta ferramenta para utilizar sempre que se sentissem mais stressados ou ansiosos, nomeadamente antes de testes ou  outras tarefas avaliativas. Ontem, alguns deles explicaram que continuaram a realizar esta técnica, uns antes de  testes e uma das meninas disse que era muito benéfico antes das provas de patinagem que praticava. Falava com as colegas mas uns minutos antes, recolhia-se sozinha e respirava profundamente tendo consciência do corpo e que as provas, a partir daí, lhe começaram a correr melhor. 

Fiz como eles pediram o exercício de relaxamento, respirando profundamente e tendo consciência do corpo e das partes que estão  contraídas e, pouco a pouco descontraindo o corpo até o sentir colado e pesado em cima da cadeira. Alguns fecharam os olhos, outros mantiveram-nos abertos. No final, sentiram vontade de se espreguiçar o que fizeram longamente e com muita satisfação. 

Disseram que saíram novos e que este exercício lhes era muito útil. Incentivei a que o fizessem todos os dias, mesmo em casa, durante 10 minutos. 

Sozinha na sala fiquei a pensar: um processo tão útil para os alunos desde novos e que deveria ser ensinado a todos. Num tempo em que se fala tanto de ansiedade, não seria de pensar munir os alunos destas ferramentas para que não chegassem a adultos sem conseguir gerir os picos de stress e entrando, por vezes, em estados já mais perigosos do ponto de vista da saúde mental e física?

Já tive implementada esta estratégias há já alguns anos nas turmas que lecionava  que começavam sempre por 5 minutos de relaxamento. A aula corria muito melhor, os alunos ficavam mais concentrados e depois de 15 dias já eram eles que, em silêncio, entravam na sala e começavam imediatamente o exercício.  A avaliação deles foi muito positiva. 

Coisas simples e pequenas mas que fazem toda a diferença. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Os dias de hoje na Escola

 


Tenho pensado e reflectido muito nesta questão. Estarão os alunos diferentes? Serei eu que perdi a paciência para má educação, falta de interesse, arrogância balofa e falta de valores?

No entanto, vejo todos os docentes a falar a mesma linguagem o que me leva a pensar que anda aqui um grande crise, seja lá do que for. 

Os conhecimentos são muito poucos e o raciocínio anda pela hora da morte. Deixo a ressalva que só acompanho os alunos com maiores dificuldades  e há, com toda a certeza, um grande grupo dos alunos interessados e bem educados.

Mesmo assim, o grau de má educação, a petulância,  a falta de interesse, o não saber estar, a falta de regras, a falta de conhecimentos básicos (muitos não sabem ler nem escrever) o não saberem o que andam a fazer dos dias e o que esperam da vida está muito pior. 

Há dias negros com estes alunos a quem quero ajudar, fazer render o tempo em que estou com eles, entusiasmá-los mas depois acabamos por não conseguir. Muitos problemas psiquiátricos pelo meio. Ontem, estive 50 minutos com um aluno a andar à volta da sala a falar (vá lá, sobre Ciências) sem parar. A cada tentativa de o sentar aumentava a velocidade. Lembrei-me de um livro que li há já algum tempo cujo título era - o mais difícil é sentá-los!! E é mesmo!

Nos intervalos, circulam sonâmbulos, agora que lhes retiraram os telemóveis para  conviverem! Penso que já não sabem o que isso é!!

No final disto tudo, penso, com um grande sentimento de alívio, no pouco tempo que me falta para sair da Escola. É triste, nunca pensei chegar a este ponto do caminho mas é a verdade pura. Não quero assistir ao fim do show. Oxalá tenha um final feliz!

Tenho mesmo de acreditar que vão encontrar um caminho no meio deste caos. Daqui a uns anos, volto a escrever!!!

domingo, 8 de dezembro de 2024

Não foi um ano péssimo


 Em Dezembro apetece recordar o que de bom foi acontecendo durante este ano. É o tempo da reflexão, dos balanços, dos arrependimentos e das promessas para o ano em folha que aí vem. Tudo tão relativo, tudo tão vão mas o ser humano é mesmo assim e  não fujo à regra. 

Gosto de olhar para trás e pensar que podia ter sido muito pior. Para a frente não sei o que vai acontecer mas o que vivi e senti já se tornou parte de mim.

Nos próximos posts recordarei alguns momentos bons deste 2024. Os maus ficarão para mim!

Aprendi assim e assim continuarei!


sexta-feira, 22 de novembro de 2024

38 anos lado a lado.


Uma vida!  Conseguimos pegar nas nossas diferenças, que são muitas, e misturá-las para seguir em frente. Umas vezes eu à frente, outras vezes, ele.  Se eu queria que tivesse sido diferente, sempre ao lado um do outro em perfeita sintonia e pensando da mesma maneira? Alguns dias sim! Outros não!! Tinha tido muito menos trabalho mental!! Quando faço estes balanços vem sempre à cabeça a letra daquela canção de que gosto tanto:

"Mas os maridos das outras não
Porque os maridos das outras são
O arquétipo da perfeição
O pináculo da criação
Dóceis criaturas, de outra espécie qualquer
Que servem para fazer felizes
As amigas da mulher

E tudo que os homens não
Tudo que os homens não
Tudo que os homens não
Os maridos das outras são
Os maridos das outras são"

A vida não se compadece daquilo que parece. A realidade impõe-se, o dia a dia, os desentendimentos, o tipo de educação que cada um teve, os olhos com que vê o mundo e até o sítio onde nasceu!!

O que conta é o produto final: dois filhos lindos, anos felizes a criá-los, a educá-los, a viver com eles tudo e mais alguma coisa. 

Agora é o tempo do pousio.  Talvez o tenha de apreciar mais!! Mesmo com as doenças, as incapacidades e o deixa andar talvez ainda recorde estes tempos como felizes e bons. É nesta imperfeição da vida e nesta visão desfocada das coisas  que talvez esteja o improviso e a graça disto tudo.

Parabéns a nós.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Está a ser intensa

 


Esta leitura está a ser intensa. Pelo serão fora, sem conseguir parar de ler, as lágrimas vão e vêm e a saudade queima. O lar é o da minha mãe e todos os espaços descritos são transformados, na minha mente, nos espaços que conheço de cor. 

Os nomes são diferentes e a história também é outra mas quando a personagem nos transporta pelas recordações e objectos da casa dela, uma emoção muito grande toma conta de mim. Já não sei se pela minha mãe, se por mim, se pela vida, se por este espaço de tempo em que aqui andamos que parece tão importante e acaba para todos de igual modo. 

Por isso já não me importo com coisas pequenas, com tricas de quem ainda não viveu o suficiente para saber que a velhice traz a sabedoria necessária para ver com clareza que tudo se resume a muito pouco.

Ontem, passei a tarde com uma amiga de longa data. Ambas beirãs, com muito em comum. Revivemos tempos em que fomos colegas e pessoas que ambas conhecemos. Uma sensação de vazio tomou conta de nós. O que era e como tudo se transformou. O que pensávamos e o que era na realidade!!Ela anda a aproveitar bem os tempos em que não conseguiu fazê-lo. Eu fiquei a pensar na coragem dela, mais velha do que eu, e na vontade férrea que sempre teve e a trouxe até aqui. Bom exemplo a seguir. 

Antes de seguir, como ela própria o disse, para a tal residência onde todos chegam no dia a isso destinado. Foi um dia nostálgico, o dia de ontem! Com alguma descrença no ser humano. Nascemos sós e morreremos sós. Tudo o resto, é só ilusão!!

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Coisas engraçadas

 


Saída da escola. Uma mãe esperava os filhos ao portão.

- A professora ainda por cá anda? Há tanto tempo que foi minha professora! Veja lá que já tenho 45 anos! 

A professora está óptima nem parece nada  que anda cá há tantos anos!

Pois é! A procissão vai por dentro.

De repente vi-a! Sentadinha, menininha,  bem comportada e o mesmo sorriso. Depois lembrei-me do nome - Vanda.

Coisas engraçadas da memória. E sim, já foi há muito tempo!


terça-feira, 21 de maio de 2024

O tempo passa

 


Gosto de fazer estas montagens de fotos porque me fazem lembrar de como eu era interiormente nesta idade tão jovem e em quem me tornei. Tinha o mundo todo pela frente e não fazia ideia da pessoa em que me tornaria ou quereria tornar. Vivia alegre e despreocupada no seio de uma família que sabia amparar e rir com a minha alegria. Era vivaça e gostava muito de rir. Nisso, estou igual! Tirei esta foto quando vim viver para Coimbra. Integrada numa turma de meninos bem como se chamavam na altura, a adaptação fez-se aos solavancos, mas fez-se. Aprendi novos códigos, observei outras vivências e arquivei pormenores que ainda hoje vivem comigo. Fiz amigas para a vida!

Depois, chegou a vida séria. Vim viver para uma pequena cidade onde não conhecia ninguém. No primeiro dia que me vi com um filho nos braços estremeci de medo. E agora? Desde aí passaram por mim e por ele 36 anos! Mudei o estilo, fiquei loira para sempre,  mas a burrice não me contagiou. Aprendi muito sobre a vida, os aborrecimentos, quando devia enfrentá-los e quando devia contorná-los. Sempre que foi necessário enfrentar, estive e estou sempre na linha da frente! A família no seu melhor com altos e baixos, doenças, medos, terrores a superar e aqui estamos.

Profissionalmente dei o meu melhor. Assumi muitos cargos, muitos projectos, muitas lutas, trabalhei com alunos brilhantes que hoje dão cartas por esse mundo fora e com outros alunos que, mesmo não parecendo, me surpreenderam imenso por tudo o que conseguiram e em quem se transformaram. São estas alegrias da profissão que só nós vemos. São o nosso estímulo. Tenho saudade de alguns. Há poucos dias, dei um grande abraço a um deles que não me saía do pensamento.  Dizia que eu era a segunda mãe dele! Como fiquei feliz ao vê-lo bem! Recordámos tempos passados, acabando por confessar que, nesses tempos, atravessava uma grande crise! Tão visível aos meus olhos!

Continuo a gostar de estar com alunos. Sinto a imaturidade deles e rio por dentro! Tudo tão passageiro, tão efémero! Daqui por uns anos logo se vê como pensam e como se veem.

A vida no seu melhor!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Paixão

 


Todo o ser humano devia passar pelo estado de paixão!

 Sair de nós para encarnar o outro. Viver dia e noite com a obsessão do outro, eléctrico, apressado, arguto na interpretação de gestos e de palavras. Viver só para agradar, para endeusar quem já é deus. Não ter fome nem sede, porque tudo se esfuma em presença do ser amado. 

Mesmo quando não correspondida, é uma lição imensa sobre as potencialidades da visão que podemos ter de nós e do mundo. É alcançar a transcendência. É saber que em qualquer momento podemos elevar-nos e ser muito mais do que somos. 

No estado de paixão a perfeição existe! Depois, pouco a pouco, o deus torna-se humano, as brechas vão aparecendo, as imperfeições tornam-se visíveis e voltamos ao que éramos. 

Mas, enquanto dura, somos empoderados e fica para sempre essa felicidade de que um dia já fomos invencíveis e tudo conseguimos. Tão bom ter tido essa certeza!


quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Sugestões boas

 


Ontem recebi uma mensagem de querida sobrinha! Dizia ela que foi uma pena eu ter deixado de escrever  no blogue porque tinha um pouco da nossa vida e encerrava, em cada texto, tanto de mim que ficaria  perdido se eu não lhe continuasse a dar  vida. Argumentei que a falta de leitores e a viragem para o Instagram me tinham retirado a motivação. Na era dos podcasts também não fazia muito sentido! Andava ainda à procura de algo novo para me expressar. 

Passei à pesquisa e concluí que o meu objectivo não é ganhar dinheiro mas unicamente um modo de comunicar e de escrever momentos de alma.

Este espaço acompanhou-me durante anos muito importantes na minha vida! Este ano não escrevi mesmo nada. No final do ano, quando andava feliz com as minhas aulas de ténis a sentir-me novamente adolescente, rompi o tendão de Aquiles. Operação e uma recuperação de quase meio ano. Comecei a trabalhar com trabalhos moderados em meados de Maio. Em Outubro, as dores tinham passado para o pé e segundo os especialistas  deviam-se a artroses e outros quejandos degenerativos. Apareceram e não vão embora. 

Tratamentos inovadores  feitos pelo @miguelreisesilva, ténis e palmilhas especiais oferecidas por ele tem-me feito bem e as dores já não são tantas. Não posso ainda caminhar muito mas a esperança começou, lentamente, a voltar.

A 7 de Novembro fui novamente avó de uma menina linda, a primeira filha de filho mais novo. Uma alegria imensa e tudo envolto numa nuvem de felicidade. 

Ser avó de quatro meninas é uma alegria imensa. Faz com que me mantenha jovem, me faça puxar por mim para poder estar com elas e para que se lembrem de mim. 

Com o passar do tempo tudo se inverte e queremos acelerar a vida para que nada fique por fazer. 

Preparar o Natal para todos é um momento alto que, devido aos condicionamentos da minha situação, me levou mais tempo a finalizar. Mas é tão bom ter cá a família!! 

O ano acabou com o falecimento do querido tio António Maria. Era mais que um  tio. Vou ter saudades dos seus telefonemas semanais, do seu riso e de todos os seus gestos de amor para com todos nós. Grandes férias passámos todos juntos! Encontrá-lo-emos na próxima curva da estrada.  Só deixámos de o ver mas ele está lá.


Obrigada Ana!


sábado, 15 de outubro de 2022

Do ser professor

 


Dizem que estamos velhos. Que há um grande fosso de gerações! 

Não concordo nada. Continuamos a aprender uns com os outros. Se sou chata? Sempre fui! Os meus alunos sabem que não há telemóveis nem mochilas em cima das mesas, que os materiais são apenas os da disciplina, que fala um de cada vez, que entram ordenadamente na sala, que detesto más respostas e os pais são sempre avisados do sucedido e que sou exigente com as aprendizagens e com o modo como realizam as tarefas.  As horas em que estamos juntos são de aprendizagem.

Com eles aprendo a irreverência da adolescência, o riso fácil, o encantar-me com as suas descobertas, as capacidades digitais, o espírito de grupo, já tão desgastado na minha idade. 

Em que os ajudo? A projectar  todos os seus futuros, a mostrar-lhes caminhos que ainda não tinham sido pensados, a dizer-lhes que são capazes, a demonstrar-lhes que pelo trabalho chegamos sempre lá, a relativizar os seus falhanços e a abrir atalhos em insucessos que ainda sangram. 

O que fica para sempre? As frases de incentivo, os bons dias "como está a melhor professora do mundo?", os encontros e os "dê-me um abraço", os olhares que sorriem, os homens feitos que recordam frases que eu disse há 30 anos para me incentivar, agora que sou aluna deles de ténis! Tanta coisa que fica! Tanta conversa, tanto ensinamento, tanta recordação!

Fica um pouco de mim em cada um deles e muito deles em mim!

Grandes alunos que eu tive nestes anos todos! Grandes homens e mulheres que são. 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Dimensão humana da mudança


 




Reflexões sobre o digital na Educação



“Querer é poder”!

Esta afirmação serve para todas as situações da vida profissional e pessoal.

No entanto, há imensos entraves e dúvidas no que toca às mudanças relativas à utilização do digital em sala de aula.  Uns de origem emocional outros de origem técnica e outros ainda por falta de conhecimentos e de formação.

Somos de uma geração não digital, uma geração da palavra, do discurso, da aprendizagem passiva. Fomos fazendo a nossa aprendizagem ao longo de muitos anos mas sentindo que, mesmo com tanta ferramenta à disposição, o modo como tínhamos aprendido com os nossos velhos e bons professores ainda fazia sentido.

Em todos os percalços, em todas as falhas do sistema, em todas as falhas de internet, nós sentimos que estamos certos, que as nossas histórias e os nossos métodos seguríssimos nunca falharão!

Há então um dia em que ensaiamos aulas digitais, porque sabemos, porque experimentámos antes, porque estamos confiantes de que vai dar certo. E dá! E vemos alunos super entusiasmados, fazendo pesquisas, andando sozinhos, quando antes precisavam tanto de ajuda, trabalhando em grupo, tirando dúvidas uns aos outros e saímos daqueles espaços com a certeza que é o caminho certo.

Falta depois o tempo colaborativo. Tempo para pôr em comum. Tempo para construção, para reflexão, para aquisição de novas competências digitais.  Tudo parece uma roleta e os dias rolam entre tarefas classificatórias, semestres e avaliações, indisciplina que urge colmatar, problemas dos alunos que muitas das vezes são maiores que eles.  É o tempo deles mas é um tempo difícil onde não há espaço para nada. Interrogo-me muitas vezes que adultos sairão deste tumulto, destes dias cheios, destas famílias que procuram encontrar-se ,conhecer-se e olhar em frente mas ainda não conseguiram.

A mudança está dentro de nós, professores, alunos e pais. 

Vive em nós mas necessita de andar a par com um grau de exigência suficiente para não comprometer a aprendizagem.

Entre tanta ferramenta à nossa disposição é necessário tempo para conhecer e selecionar de acordo com os nossos objetivos. Trabalhar muito bem com os meios que escolhemos de modo a torná-los uma extensão de nós. 

Para tal, é necessário colaboração entre todos. Falta tempo  para tal. 

Mudança sim.  Criação de condições para tal, necessita-se. 



sábado, 20 de março de 2021

Mais uns tempos de pulseira electrónica

 

Desta feita é a Semana Santa! O calvário que nos dá tempo para interiorizarmos o que andamos a fazer por nós e pelos outros.

Sinto-me presa dentro de mim e dentro de casa. Tudo me custa mais. Tudo se agudiza. Os problemas avolumam-se até toldarem a claridade do céu que continua azul. 

A poupar intensamente porque sim. Porque também consigo viver sem mordomias e com pouca coisa.

A verdade mesmo? Não me sinto nada bem!

A liberdade dos passos e dos projectos  faz.me muita falta!

Tudo me parece tão artificial que me é difícil nadar no mar da normalidade. 

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

O que o confinamento trouxe e transformou visto e sentido a longo prazo.



Em Março ficámos em casa. Trabalho com os alunos à distância trouxe novos ritmos, novas aprendizagens feitas à pressa, novos desafios e algumas alegrias. Por entre o trabalho sobrou tempo para cuidar do ninho e voltei, quase sem dar conta, aos tempos da minha adolescência em que tudo se fazia devagar com mãe e avó em casa para que a vida familiar corresse sobre rodas. Voltaram as horas na cozinha, as dicas para lavagem de vidros, a necessidade de manter a casa em ordem sem ninguém para ajudar e tudo à minha responsabilidade. Abriram-se as malas do enxoval amarelecido para tudo ser lavado e branqueado. Recomecei a bordar e a fazer tricot.

Andei atarefada até Julho entre avaliações finais, trabalho de escola, reuniões online e atividades de mulher prendada. Em Agosto saí de casa mas levei comigo os hábitos adquiridos. Nada de maquilhagem, cabelo seco ao sol, roupa comoda que me tinha acompanhado durante estes meses em que quase não vi ninguém. 

Chegou Setembro, as aulas começaram mas, pelo hábito, continuei no mesmo registo. 

De repente parecia que tinha deixado de ser eu e parte de mim tinha ficado perdida lá para trás. Olhava para a minha roupa mais formal e quase já não me lembrava o que combinava com quê e de como eu costumava usá-la. Parecia que não tinha nada para vestir, nada me parecia bem e comecei a ficar meio perdida. 

Uma tarde parei para pensar. Durante umas horas vesti e despi a quantidade absurda de roupa que se espalha por vários armários. Relembrei deste modo o meu eu de antes da pandemia. Guardei uma parte de um armário para colocar as peças já experimentadas e combinadas. Pouco a pouco fui entrando na minha antiga pele. Comecei a ser eu. Deixei a roupa comoda mas pouco elegante e substituí-a pelas peças mais queridas e formais. 

Se estou mais contente? Claro que estou!

Se necessito de comprar roupa nos próximos anos? Claro que não! Necessito apenas de mais umas tardes de ensaios de estilo e de renovação. 

O curioso disto tudo é verificar que todas estas mudanças necessitaram de muito tempo para serem percepcionadas e alteradas. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Sobre a jornada para um corpo mais saudável - algumas reflexões

 


Algumas dicas:

- A primeira semana é a pior. O corpo pede açúcar e o dizer-lhe não é mal aceite. É necessário enganá-lo com fruta embora não exagerando. Duas peças de fruta por dia que este ano tudo está super doce.

- Programar as refeições com antecedência evitando chegar à hora das refeições sem nada saudável para matar a fome. Costumo cozinhar os legumes de véspera e deixá~los num recipiente de vidro no frigorífico. Quando a fome chega é só necessário acrescentar a proteína. 

- Cozo normalmente 8 ou 9 maçãs com água e canela que deixo no frio. Pela tarde dentro, há sempre 4 pedaços saciantes à minha espera que sabem muito bem.

-Os iogurtes não são todos iguais. Há alguns que são autênticas bombas calóricas. Escolher muito bem os que dizem zero açúcar e zero gordura. 

-O café da manhã passou a um grande copo de água com muito pouco leite e café solúvel e a metade de um pão geralmente sem nada dentro. 

-Ir para a cama com um pouco de fome não nos mata. Não me faz diferença.

-Quando me apetece algo mais saboroso faço uma omelete com dois ovos, e muitos legumes em frigideira  antiaderente com pouca gordura.

-Existe sempre sopa no frigorífico e é essencial que tenha bom paladar para não ser sacrifício. Se não gosto de algum ingrediente (nabo) não o coloco.  As ervas aromáticas são boas aliadas. Sopa de feijão verde com segurelha fica divinal. Uma boa sopa de peixe como prato principal não é vedada.

-Tenho feito todos os dias meia hora de aeróbica com vídeos do youtube. Guardei e sigo sempre os mesmos. Sinto-me melhor quando já sei as coreografias e a sequência dos exercícios. Deixa-me muito bem disposta e o facto de me sentir dorida significa que faz mais por mim do que a caminhada. 

Para me motivar resulta ter um camiseiro que me estivesse apertado e que de dois em dois dias experimento. Não há maior alegria que senti-lo a ficar largo.

E é isto. Por agora!


sábado, 5 de setembro de 2020

No início deste novo ano

Uma das professoras
Os dormitórios dos alunos
O cozinheiro da cantina escolar
Os serviços administrativos da escola

As viagens são sempre um óptimo modo de ver novas coisas e aprender novas realidades. Em 2012 tive a oportunidade de participar num projecto escolar que me levou a uma pequena cidade na Roménia  e a uma escola que ainda hoje me lembra. A cidade (Targu Jiu) fica a sul da floresta da Transilvânia e a escola era constituída por um prédio onde decorriam as aulas e outro destinado a  dormitório dos alunos que pertenciam à montanha e  que ali viviam só visitando a família aos fins de semana. 

Recordo, com alguma tristeza, os olhos sem brilho destes alunos em plena adolescência vivendo em instalações sem conforto que seriam extremamente frias no Inverno rigoroso. Tudo para que pudessem tirar um curso que lhes permitisse melhorar a vida.

As aulas decorriam de forma ordenada mas  imperava uma certa tristeza que começava pelo semblante dos professores. Ali, até o livro de ponto, com dimensões fora do comum, era preto!!

Os serviços administrativos resumiam-se a duas senhoras sentadas num exíguo espaço que resolveriam todos os problemas que iam aparecendo. 

Lembro-me muitas vezes destes alunos, desta escola, destes colegas lá de longe, tão mal pagos e tão explorados. O mal dos outros não é conforto mas ajuda na minha motivação perante todas as condições que temos nas escolas hoje em dia. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Mudar as rotinas

 

Estive um mês na casa de férias! Nunca tinha estado tanto tempo! O confinamento assim o exigiu! Ora no quintal, ora na praia, ora dormindo com o som das gaivotas e, em algumas noites, do mar! Primeiro instalou-se o nevoeiro que me trouxe muitos passeios a pé, e muita leitura e depois abriu o sol para tardes de praia que souberam muito bem.  Perfeitamente seguros e confortáveis não fizemos muito mais. Aproveitámos o tempo para descansar e projectar algumas ideias a concretizar. Comemos muito bem e saudavelmente, muito peixe e muitos legumes e frutas. Visitámos o património e fotografámos  momentos.

Pronta para o recomeço.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Última semana


Para trabalhar e concluir as tarefas do ano lectivo. Depois um mês de Agosto calminho e cá estaremos para recomeçar quando o calor começar a diminuir. 
Começar o dia com 20 minutos de meditação que me fazem muito bem! Quem diria há uns anos atrás que iria ser fã de meditação? Que bem que me faz! 
A vida a ensinar que nem tudo é preto e branco, que o que é hoje não é amanhã e que o que devemos carregar é apenas a certeza absoluta de que, aconteça o que acontecer, seremos capazes de lidar e de enfrentar. Esta confiança em nós faz a diferença. 
Não é viver com medo do que possa acontecer. É ter a certeza que conseguiremos enfrentar!
Boa semana!

terça-feira, 16 de junho de 2020

Uma pessoa senta-se para trabalhar, abre o computador e...pumba!


Notícia do dia: Esta terra está na linha da frente na quantidade de mortos por Covid 19! E logo agora que eu começava a relaxar um pouco, que o sol apareceu, que já apetecia sair e dar umas voltas. 
Só me apetece voltar novamente para a concha e esperar que passe. Ainda fui investigar o relatório completo mas é mesmo assim como estava nas "letras gordas". 
É verdade que os locais estão cheios de gente e tudo saiu para comprar o que nunca imaginou que precisava. 
Aqui está o resultado!

domingo, 14 de junho de 2020

O desconfinamento está a ser tramado


Quando se está em sítios com pouca gente tudo é pacífico. Ainda alguma relutância em comer em restaurantes (sabe-se lá quem confecciona a comida!)  mas no meio de serras sinto-me mais segura. Talvez me lembre o berço, sei lá!
Esta sexta apeteceu-me peixe grelhado. Rumei ao supermercado que vende o melhor peixe da região. Assustei-me! Tanta gente lá dentro  que era impossível o afastamento de 1 metro quanto mais de dois! Percorri as instalações literalmente a correr, a escolher corredores sem gente, deixei metade das compras para trás, acelerei na caixa para ver se saía mais depressa, trouxe peixe para todo o fim de semana e respirei de alívio quando cheguei à minha segunda casa - o meu carro. 
O meu bronzeado deste ano vai ser conseguido no quintal da casa, deitada numa espreguiçadeira que ainda não comprei,  a ouvir boa música, com bons livros ao lado e  a ouvir lá ao longe o marulhar das ondas!