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terça-feira, 9 de junho de 2026

Fazes (farias?) 95 anos!

 


Querida Mãe!

As saudades transformaram-se num enorme vazio dentro de mim! Fazes falta aos meus dias tal como te conheci sempre: solícita, cuidadora, atenta, ingénua, trabalhadora, idealista, altruista, bondosa, boa ouvinte, amorosa, com os teus objectivos de vida bem definidos sobre o que querias para nós.

Hoje, fica a lembrança destes dias de aniversário em que ficavas feliz por ver a família junta. Já nada é igual. Só a lembrança do que fui contigo, do que fomos como família, dos dias bons e dos menos bons, das batalhas que travámos e das memórias que construímos.

Laços que ficam. Recordações que me movem e me incentivam a ser como tu!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quarta-feira de cinzas

 


Necessitava estar  num local recolhido ao cair da noite onde a presença da mãe se sentisse mais. Fui  à missa. Há tantos anos que não assistia à imposição das cinzas!

Igreja cheia, missa por alma da mãe. Eu, emocionada e contente por estar ali. No sítio onde queria estar, com ela no pensamento.

4 anos sem ouvir a tua voz

 


Só a voz porque a presença estará cá para sempre. Tão bom quando os três irmãos se juntam e se fala dela, do que dizia, fazia e do modo como nos amava e cuidava. Tão dela!

Vejo-a nos seus risos mas também nas suas dores a que por vezes assisti, sem querer. 

Acredito que com ela ao meu lado, talvez os dias não fossem tão pesados. Fazes-me falta querida Mãe! 

Não merecias ter-nos sido roubada  por uma doença implacável, sofrida, que a cada dia te afastava, mais e mais, dos que te amavam. A tua bondade e o teu amor não mereciam!

Em pequena não podia viver longe de ti. Continuo assim! 

Hoje acordei com uma oração que costumavas rezar e de que só recordo os primeiros versos. Tentei na net mas não existe! Parecia um aviso para mim e estou com ela na cabeça ainda agora.

"Minha Mãe, minha senhora, minha estrela, minha luz,

sozinha te viste lá ao pé da cruz..."

Que cruz é esta que  ecoa no meu cérebro e por que razão acordei assim? Querida mãe! A lembrar-me que cruzes há muitas e é necessária coragem, como tu tiveste em toda a tua vida.


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Quando uma pessoa não tem juízo, o mundo é todo seu!

 


A mãe costumava sempre dizer esta frase quando alguém se excedia ou fazia algo que ia para além das normas estabelecidas com todas as consequências, normalmente negativas que daí resultavam! 

Queria dizer que as normas estabelecidas eram balizas ajuizadas para reger o mundo e que ultrapassá-las ou não as  cumprir daria  sempre  em asneira.

Quase todos os dias acordo com os ditos da mãe na cabeça! Coisas que já nem me lembrava e vêm do sono para me lembrarem que ela ainda está comigo em sonho. Até consigo ver a cara de desalento dela ao dizê-lo!

É bom, muito bom! 

Querida mãe!

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Continuação

 


Assim andaram algum tempo, minha mãe fazendo que não lhe ligava e o meu pai cada vez mais incentivado e apaixonado. Veio o tempo da tropa. Rumou a Coimbra, ao quartel da rua da Sofia. 

Mal sabia ele que, anos mais tarde, haveria de ter naquela cidade duas casas e viveria ali ainda alguns anos da sua vida!

Sem saída para a sua história de amor, escreveu-lhe uma carta  dando-lhe conta do seu amor e das suas intenções de formar uma família com ela. Se a resposta fosse negativa nunca mais pensaria nela e acabaria tudo o que ainda não tinha começado oficialmente. Meteu no envelope outro já com selo para a resposta pretendida. 

Minha mãe recebeu a carta! Pasme-se, deu a ler a carta ao pai! Os dois, depois de ponderarem, resolveram dizer que sim ao pretendente. Rapaz trabalhador, bonito, acredito que a minha mãe se teria sentido muito feliz ao escrever a carta na volta do correio. 

A partir dali tudo foi fácil: comprometeram-se, casaram e ficaram juntos 60 e muitos anos. Foram sempre o meu modelo de amor! Grande equipa! O que um não tinha, o outro compensava.

terça-feira, 10 de junho de 2025

Ontem a minha mãe fazia anos! Ainda faz?


 Era um dia à volta da mesa, com os filhos e netos juntos e ela feliz! É desses aniversários que me quero lembrar e não dos últimos onde a mente já vagueava por outras paragens. 

Era um dia importante no calendário, o aniversário da mãe. Um dia, ela deu a entender que gostaria de ter um globo terrestre para se entreter a observar o mundo e eu ofereci-lhe um, que iluminado deixava ver com clareza todos os lugares onde nunca foi mas gostaria de saber onde se situavam. Era curiosa a minha mãe!

Tenho-o aqui comigo para também eu poder observar os sítios onde nunca irei! 

Parabéns querida mãe!! Os dias sem ti são terríveis. O dias contigo fazem-me muita falta.!

terça-feira, 18 de março de 2025

As minhas estrelas

 


Vi um filme curto em que dois gémeos, na barriga da mãe, falavam sobre a possibilidade da vida para além do parto. Dizem que andamos! Mas não é possível! Dizem que comemos  mas a nossa alimentação é através do cordão umbilical! Dizem que vamos ter uma mãe que cuida de nós! Mas onde está ela? Nunca ninguém cá veio para dizer como era a vida após o parto! Se estiveres com atenção, ela está acima de nós e rodeia-nos. Nós estamos nela!

O filme era uma comparação com a vida após a morte! Os nossos estão connosco mas nós não os vemos. Estão a proteger os nossos passos e  se, estivermos com atenção, vamos dar conta dessa protecção e desse amor! Tão verdade!

Queridos pais! O silêncio traz-me sempre ecos do vosso amor por mim!

sábado, 8 de março de 2025

Mensagens importantes

 


Hoje é o dia da mulher. Todos os dias são! Dias de luta e de superação. Diga-se o que se disser as mulheres são sempre mais sacrificadas que os homens. Fomos educadas assim, talvez!

Hoje, estive a arrumar e a rever a correspondência com os meus pais de há muitos anos atrás que eu guardo religiosamente. Foi muito emocionante. Pensamentos deles que agora são iguaizinhos aos meus. A vida no seu melhor!!

Deixo o texto de um postal de aniversário daa mãe para mim. Uma forma de recordar a força das mulheres e principalmente da minha querida mãe e o modo como ela me sentia. 

Minha querida filha

Mais um ano que passou na labuta constante da vida. Que nunca te faltem as forças de que tanto precisas para dedicares a todos os que andamos à tua volta e tanto precisamos de ti, das tuas palavras e dos teus conselhos. Deus te proteja e te guarde e te dê muitos anos de vida e muita felicidade com os teus dois amorzitos. São os desejos destes teus dois amigos verdadeiros e que não se esquecem de ti, estejam onde estiverem. Que nada te falte para poderes lutar pela vida fora. 

Os pais amigos José e Emília

Estejam onde estiverem, queridos pais, podem continuar a olhar por mim, por favor!!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Faz hoje 3 anos que fiquei órfã


 Soube quando ia a chegar à escola e estes momentos ficam para sempre. Tinha um casaco desportivo verde da abercrombie de que gostava imenso e era de filho mais velho. Sentia-me bem e, de repente, o meu mundo, tal como o conhecia, morreu ali. 

Voltei para trás, e viajei para CASA. Para o ninho que nunca mais o foi. 

De vez em quando, tento vestir o casaco mas nunca mais consegui. Assim como a roupa dela com que fiquei. Está no roupeiro para eu, em dias mais negros, colar a minha cara a ela, cheirar e senti-la.

Hoje fui à missa por alma dela. Estavam 5 pessoas numa igreja linda, intimista e iluminada. Necessitava destes momentos com ela no pensamento e alguma solidão. Chorei de saudades e rezei para que esteja bem. Neste tempo todo, vieram à mente tantos momentos quotidianos, uns maus, outros muito bons e outros apenas de estar com ela e houve uma altura em que quase a senti a rezar ao meu lado, como fazíamos na igreja dos Olivais. 

Já passaram três anos sem ti e continuo contigo no pensamento. De dia e de noite quando acordo pela madrugada a sonhar contigo numa história enredada e confusa onde o teu cuidar está sempre presente. 

Querida mãe!


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Ainda em fevereiro fez um ano de orfandade

 


Tão difícil viver sem ti, mãe. Não como estavas, mas como eras antes quando estavas em casa e sorrias quando nos vias chegar. Saudades imensas do tempo de calmaria que eram aqueles fins de semana em que tudo fazias e dizias para que fôssemos felizes. E éramos!

Depois, tudo mudou numa época muito difícil para mim. Não te vi partir da tua casa mas imagino-a ao pormenor. Sofria noutro lado por essa altura  com uma intensidade tal que nem me lembro de quase nada desses tempos.

domingo, 29 de setembro de 2024

Chega sempre o dia

 


Nunca consegui comprá-lo! Queria lê-lo mas tinha medo dos sentimentos de perda e de finitude ainda à flor da pele. Sabia que me iria fazer sofrer. Pegava nele, passava algumas página e lá ficava.

Hoje, apeteceu-me a ternura e os sentimentos que me está a trazer. Apeteceu-me estar mais perto do que sentiu quem realmente me amou. Mesmo que não tenha sido igual, posso sempre fazer pontes entre ela, a minha mãe, e eu daqui a alguns (poucos) anos. 

Está a ser intenso mas já não fujo. Toda a vida o fiz. Toda a vida fui um pouco avessa ao sofrimento, desviando a atenção, desculpando os outros, pondo as culpas em mim. Acabou essa fase!

Mesmo que me consumam com culpa que não é minha, mesmo que me torturem a mente, mesmo que me odeiem sem se saber porquê, mesmo que me ignorem, continuarei sempre a saber o que valho! Não é assim, mãe? Tu sabias o meu valor! Mais ninguém sabe!

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Momentos maus na vida (I)


 Este blog funciona também  como uma catarse. Há assuntos que, por vezes, fazem mais sentido quando os escrevo.  São momentos que me atormentam e me visitam na calada da noite. São momentos que ficaram marcados no meu coração.

Vou abrir esta rúbrica  e, de vez em quando, partilharei alguns desses momentos. 

Abrirei também uma de momentos bons, lá mais para a frente.

A minha mãe nunca quis cortar o cabelo. Sempre o usou puxado para trás. Primeiro fazia uma trança e depois com a ajuda de ganchos fazia um puxo. Foi sempre assim que a conheci. Tinha um cabelo forte que pouco a pouco foi perdendo quantidade e brilho. Ficou branco. 

Quando entrou no lar, ainda com o seu puxo, as funcionárias disseram que não tinham tempo para a manter penteada desse modo porque levava muito tempo.

Chegou o dia de o cortar. Eu quis estar presente! Num corredor anónimo, o cabelo ia caindo para o chão até ter ficado com o cabelo curto e sem graça. Já não teve muita percepção do que tinha acontecido mas eu tive! Qual Sansão  já sem força, olhou para mim e sorriu. Eu fiz um grande esforço para não chorar. A minha mãe, tal como sempre a tinha conhecido, tinha desaparecido! 

Lembro-me tantas vezes deste momento! Era uma convicção dela que a vida se encarregou de lhe levar. Fiquei com pena de que o cérebro dela já não fosse capaz de gritar "não" e de não ter feito a sua vontade como sempre fez .

Querida Mãe! Desde que nos foste, parece que tudo de mal pode acontecer. Faltam as tuas asas a protegerem-nos!

domingo, 26 de maio de 2024

Saudade dos cozinhados da minha mãe

 


Quando chegava o tempo quente comíamos, muitas vezes, salada de feijão que podia ser de qualquer espécie. 

Colocava numa taça o feijão cozido e escorrido, muito azeite, salsa picada e cebola picada. Misturava muito bem e sabia deliciosamente. Por vezes, acrescentava um ovo cozido, ou uma lata de atum, outras vezes era só isto assim de simples e tão saboroso. 

Hoje fiz esta salada. Tinha salmão para acompanhar mas fiquei-me pela salada. Lembrou-me a mãe, o sol da serra, o calor tórrido e, acima de tudo, o seu amor por nós.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

A falta que me fazes

 


Hoje faz dois anos que partiste pela madrugada.

Bastava estares presente para eu entender que o meu mundo estava mais protegido. Sempre estive contigo e, de todas as vezes que nos separaram, eu gritei, chorei, implorei até que voltei para ti. Não pôde ser assim até ao final mas foi com muita dor que vivi esta separação. Assisti ao teu declínio, à tua memória a ir-se embora até ao dia em que não me conheceste mais. 

Ficaste ansiosa, nervosa, tu que gostavas de ter sempre tudo sob controle. Nessa altura  já não o tinhas e a tua expressão era de aflição. Foi o tempo do Covid para piorar toda a situação. Separadas por um vidro, estendias a mão para a superfície fria e eu, do lado de fora, estendia também a minha mas não existia o calor da pele. Eram só 15 minutos que pareciam 5 e  ias embora e eu a ver-te ir, pensando na vida, na injustiça, na maldita da doença que todos os dias me afastava mais de ti, como eras antes. 

Quando te vi novamente com a tua expressão doce de Mãe, foi no caixão! Coisa estranha que só a morte poderá explicar. 

A falta que me fazes, continua cá nos momentos mais alegres. Nos tristes, é uma falta só para mim porque nunca te iria contar os meus problemas  para não sofreres  por mim. 

Querida mãe! Tanta saudade!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Tradições que se querem preservar

 






A minha mãe queria muito um forno a lenha. Um dia, o meu pai mandou construir um para ela. Em todos os almoços e jantares de festa, o forno era o rei. Aquecia-o logo pela manhã com bastante lenha. Quando o tijolo estivesse esbranquiçado era tempo de puxar as brasas, lavar o forno da cinza e colocar lá dentro os melhores petiscos. Depois de cozinhados, ainda lá colocava uma panela com feijão ou grão, com muita água, que cozia lentamente até  à noite sem ser necessário vigiar.  Sempre fomos ajudantes destes lautos almoços e aprendemos com ela todas as técnicas e truques. 

Vamos continuar a tradição. Nesses dias, ela fica mais presente! A mãe fazia assim, a mãe deixava o forno meio aberto, a mãe batia  o pão com a mão para ver se estava cozido, a mãe cortava a carne de certo modo para as bolas de carne... e assim vamos treinando a arte. 

Saudades de te ter por perto quando, nessas alturas, todos pensávamos que eras eterna!

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Querida mãe

 


Hoje dei de caras com estas fotos da festa surpresa que vos preparámos para festejar os 50 anos do vosso casamento. A maior surpresa foi a vinda do tio António Maria que veio dos Estados Unidos para estar presente. Quando o viste, a emoção foi tão grande que quase desfaleceste!

Fico ainda tão feliz quando me lembro dessa festa íntima mas que teve tanto significado para vós. Os discursos dos filhos, irmãos e netos penso que foi o momento alto desse almoço. Estava ali tudo o que vocês representaram para cada um de nós. 

Na vossa geração não era muito natural os pais terem tanta confiança nas atitudes dos filhos e vocês sempre nos deram imensa liberdade e deixaram-nos ser. Esta atitude trouxe para cada um de nós uma responsabilidade imensa para que nunca vos desiludíssemos.  Foi isto que eu disse e ainda é isto o que eu penso. Só se é em liberdade!

Nós fomos e continuamos a ser, ajudados por este sorriso lindo que tinhas nesse dia, rodeada pelos teus, sabendo que a vida tinha valido a pena com o bom, o mau e o mais ou menos. 

Aquele dia representou um resumo de amor, de dedicação e de reconhecimento por tudo o que nos deram e foram para cada um de nós.

Tenho saudades tuas!


terça-feira, 1 de novembro de 2022

O que sinto em dias especiais

 


Esta foto foi tirada num momento hilariante em que as três tentávamos uma selfie. Ficou o teu ar ameninado e a cumplicidade de mãe e filhas. 

Chegámos ao fundo da alameda central e lá estava a tua foto coberta de pingos de chuva!! Foi estranho saber que estavas ali quando antes eras tu que nos guiavas no arranjo das campas dos entes queridos. Éramos só as duas irmãs, olhando de soslaio, como não querendo acreditar que já ali estavas entre os teus.  Já não havia o som da tua voz, nem a pressa dos teus passos.  A serra parecia mais silenciosa  e a solidão que nos envolvia crescia a cada flor que colocávamos. 

Um sentido da orfandade em que nos deixaste tornou-se gigante. 

Qual será o ano primeiro em que também eu terei a foto sorridente numa qualquer placa de granito?

Voltar ali é relembrar não só o teu amor por nós mas também o triste sentir de que já não te temos para que nos defendas de todos os males e contratempos. Saber que te tínhamos tornava-nos mais fortes e mais destemidos. Agora estamos entregues a nós e aos nossos pensamentos no dias bons e, ainda pior, nos dias maus.

Dia triste este em que, mais fortemente, sentimos a saudade do que foste, querida mãe.

domingo, 24 de abril de 2022

Estes dias estranhos

Os teus goivos estão floridos  e bonitos. Continuam a cheirar bem!

 Foste embora pela madrugada. Mentia se dissesse que não antevia esse momento. Cada vez mais fraca, cada vez com mais dificuldade em articular, as veias muito azuis nas tua pele sempre tão branquinha e fina e uma fragilidade que não era tua.

Este tempo horrível de não visitas fez-me tanto mal! O vidro que separava dois corpos que só queriam sentir o calor um do outro. Estendias a mão para o vidro e eu colocava a minha mas era só vidro frio o que se sentia! Um mero quarto de hora a olhar para ti, a ver o teu olhar horrorizado, nunca conformado,  porque nunca foste mulher de te conformar. Mulher de luta, sim! Pelas tuas causas, por tudo em que acreditavas.  E foram tantas as lutas mãe!

Quando  regressavas à sala, ficava a ver-te ir sabendo que podia ser essa a última vez que te via com vida. Até que essa vez chegou sem o saber e lembro-me que te disse que ia  só a casa e voltaria para ti. Penso que já não percebias mas eu sentia mais paz em saber que não pensavas que te abandonava. Logo a ti, que nunca  me abandonaste!

A vida sem ti não é igual. Uma solidão imensa apoderou-se de mim. Um tempo de abandono em que parece que ninguém se interessa por mim como tu. Uma orfandade imensa. Uma vontade imensa de voltar lá para trás e viver novamente contigo.

Tenho saudades do teu riso, da tua ingenuidade tão engraçada  frente à maldade humana,  da tua generosidade para com todos, do teu amor por nós sempre traduzido em abnegação, em sacrifícios,  em  ajuda. 

Quiseste para nós o melhor do mundo. As melhoras escolas, a melhor formação, as melhores oportunidades, a melhor educação.  Sabias onde nos querias e os valores  que nos querias  transmitir  ficaram  gravados em nós para todo o sempre. 

Tenho tantas saudades dos outros tempos em que ainda conversávamos sobre as nossas vidas! Tenho pena de não te ter dado  muito mais abraços quando precisavas. Sabes, a tua grandeza tornava lamechas os gestos de ternura. O teu amor era dedicação, conversas e muito trabalho à mistura. 

Grande mãe, grande filha, grande mulher! Tenho um orgulho imenso em ser  tua filha.

domingo, 18 de julho de 2021

Domingo é o que se quer fazer dele

 


Começa de mansinho e depois a alegria por uma semana nova invade-nos. Listas de tarefas ainda por realizar, outras já quase acabadas  e  coisas boas que quero que aconteçam. 

Ver a mãe! Tenho  tantas saudades  do sorriso dela! Aquele sorriso apaziguador quando a vida lhe mostrou que já tinha cumprido o seu papel! E que papel!!

Também tenho saudades de a ver rir às gargalhadas por ser mais raro!  Era tão bom!

Arranjar um tempinho para o meu coração ficar mais calmo. Conversar muito e ver a vida de outro modo muito menos stressante. Afinal de contas, também  eu  já estou no tempo dos sorrisos apaziguadores reveladores de deveres cumpridos. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Dias que me lembram



Estávamos no início dos anos setenta. A família tinha-se mudado para Coimbra e tinha estreado há pouco tempo uma casa novinha em folha que meu pai comprou e apresentou à família. 
Foi o tempo de eu me habituar a novos ambientes frequentando outras casa de outras famílias que pouco a pouco foram fazendo parte do meu ADN. Comecei a frequentar festas de aniversários coisa nova para mim, vinda da aldeia onde estes festejos não existiam. Aprendi depressa que cada família tinha o seu bolo preferido e fiquei encantada com um de amêndoa coberto com ovos moles que eu considerava super chic porque não levava farinha. Os meus olhos de menina absorviam a decoração bonita da mesa, os copos diferentes, os lustres acesos por ser dia de festa, a groselha em jarra altas, os presentes em embrulhos brilhantes.
Um ano, decidi que também queria ter uma festa de anos! Minha mãe disse que sim! Convidei um grupo de amigas.
Minha mãe nunca tinha estado em festas de anos de crianças da cidade. Arranjou para o lanche tudo o que ela tinha de melhor que incluiu  uma travessa gigante de enchidos variados, feitos por ela com todo o amor do mundo. 
Quando cheguei pronta  para o lanche quase me enterrei de vergonha. Enchidos? E o bolo chic de amêndoa? E os rituais? 
Penso que as minhas amigas gostaram da diferença. Só eu não apreciei, de todo, a festa de anos!
Coisas de crianças a crescer em ambientes que não faziam parte delas. Ficou-me para sempre esta recordação e  um certo remorso pelo que senti naquele dia. Não ter tido a maturidade  suficiente para valorizar as minhas raízes e me sentir orgulhosa delas deixa-me envergonhada até hoje.
O que eu daria para ter uma travessa cheia de enchidos fritos pela minha querida mãe neste próximo aniversário. O que eu daria!