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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Coisas bonitas da vida

 


Durante toda a minha vida só  tive  dois primos direitos! A minha prima estava mais próxima, vivia em Portugal mas em outros locais. O meu primo nasceu e viveu sempre nos Estados Unidos o que não impediu que o meu tio, o seu pai,  não tivesse feito tudo e mais alguma coisa para vir até nós nas férias, para que os primos se relacionassem. É uma relação muito bonita a que tenho com ele, cheia de momentos hilariantes, de coisas cómicas de alegrias na vinda e de tristezas no regresso! 

 Vemo-nos de anos a anos mas falamos através das redes e vamos contando o que fazemos e a falta que nos fazemos. Ontem nasceu a primeira neta dele depois de dois netos homens. Fiquei contente por ele e pelo caminho de grande avô que está a trilhar.

Voltei depois atrás. Já são dez os meninos pequenos, nossos netos! Não é bonito? Alguma vez quando com vinte e poucos anos passávamos as férias juntos, despreocupados, alegres e de riso fácil, pensámos que iríamos ser avós de tantos netos? Coisas boas a acontecerem!

Tenho muitos mais primos direitos todos a viver nos Estados unidos mas não temos relação emocional. Alguns já nasceram por lá e nunca os vi! Coisas da vida!!

segunda-feira, 9 de março de 2026

Vícios

 


Tenho uma paixão por passemanarias com borlas! Cá por casa, há cortinados, almofadas, coberturas de mesa, tudo e mais alguma coisa com estas borlinhas que me fazem regressar lá atrás. 

A casa dos meus avós era mesmo em frente da casa do padre que tinha um imenso salão no rés do chão que servia para várias actividades. 

Quando era miúda havia muitas fábricas nas redondezas e uma delas era precisamente de passemanarias. As borlas não saíam da fábrica bem aparadas e vinham para o salão onde o padre as colocava em grandes fiadas e as raparigas, que queriam ganhar algum dinheiro, as  aparavam, uma por uma, com tesouras pequenas  até ficarem bem esféricas. Lembro-me de andar por ali e sentir que era um mundo encantado, cheio de cor e de beleza. Quando prontas, o padre enrolava-as em grandes molhos e lá seguiam o seu destino engalanando as casas ricas de outros tempos. 

Adoro borlas. quanto mais exóticas melhor. A infância a marcar sempre os nossos gostos adultos.  

Também posso acrescentar que o meu gosto pelos tecidos adamascados me vem  da visão da igreja dourada, iluminada e com  adamascados púrpura que ainda hoje me encantam.


domingo, 12 de outubro de 2025

Dizem os entendidos que os blogues acabaram!


 Para mim, ainda não. Descobri que é um modo de eu escrever todos os dias, de alinhar ideias, de não perder a prática de passar a outros o que sinto e como sou. 

Desde muito pequena que o faço. Ainda não havia internet mas eu já tinha diários onde escrevia, todos os dias, o que me ia na alma. 


(19 anos)

às vezes penso que não vale a pena viver! A sério! E aqui quedo-me !Mas o que é mesmo viver? Será levantar todos os dias e deixar que o tempo e tudo o resto passe por nós, ou viver será ir ao encontro das pessoas  e das coisas que nos fazem felizes? Se realmente é a segunda hipótese, eu não estou a viver!  Isso assusta-me um bocado. Não sei se realmente eu saberei viver.


16/12/81 ( numa grande paixão)

Não sei mais nada! Só sei que tenho uma imensa necessidade de escrever, de deitar cá para fora o que sinto, todas as emoções que vivo, a força no peito que me oprime quando tu não estás, o medo de perder de ti o que me deste. Não sei o que faço, porque o que faço e o que sou quando estou contigo se esvai. Preciso de ti mas não sei bem porquê, nem para quê. Quando te vejo, sinto uma emoção crescer mas, quando te deixo e te digo "até amanhã", a emoção morre porque ela só é possível contigo.

15/09/83  (noite cerrada)

Há mil madrugadas sem amanhecer.

26/09/83  (11.20 da noite)

Acabei o meu curso!! Soube há pouco que tinha feito a última cadeira. E agora? que vida de mar e rosas e espinhos me espera? Que quero eu desta vida? Que quer esta vida de mim? Que etapas terei ainda de vencer e quantas vezes ainda direi não quando quero dizer sim? Quando vou encontrar-me? 

É bom ou é mau? Ou não é nada disso, só uma vida anónima a desenrolar-se, como qualquer outra? Obrigada a todos e a mim pela sensação boa que estou a sentir neste momento. Estou feliz. Alcancei mais uma meta.


Depois, continuei a escrever . Até hoje! A minha vida toda em cadernos e apontamentos vários. Quando encontrei os blogues considerei ser um modo fácil de me exprimir e partilhar alguns aspectos da minha vida e do meu olhar pelo mundo e pelas coisas. Assim continuarei a fazer. Talvez as minhas netas ainda tenham acesso à minha alma através dos meus escritos. Quem sabe!


domingo, 8 de junho de 2025

Os olhos enchem-se de água

 


Quando olho para esta foto, durante algum tempo, o meu coração enche-se de saudade destes tempos de Verão, Europa fora, filhos pequenos, trabalhos vários mas a sensação de família em construção superava tudo. Aqui estão os meus tesouros, nos Alpes, sérios, olhando em frente como se olhassem o futuro! 

O mais velho fez destas montanhas a sua segunda casa. 

 Nunca mais lá voltei. Qualquer coisa nesta foto me lembra um futuro e um passado que se cruzam, um emaranhado de sentimentos bons quando a vida era mais fácil e mais previsível. 

Tudo se tornou mais difícil, tenho menos paciência, menos ingenuidade, aprendi muita coisa que naquela altura não sabia e voltar atrás, faz-me lembrar como eu era e como foi criar dois homens maravilhosos aqui sentadinhos, sérios, olhando sempre em frente.

terça-feira, 18 de março de 2025

Os primeiros tempos são sempre os melhores

 


Ou quase sempre. Comprámos a casa da praia quando o filho mais novo tinha um ano e pouco. não tínhamos dinheiro para grandes mobílias e foi a mãe que nos doou muitos móveis que havia a mais lá por casa. Improvisámos muito mas os fins de semana lá sabiam a pouco. No quintal colocámos a mesa do campismo e abrimos o chapéu de sol que nos acompanhou por muitos anos. Era ali que fazíamos as refeições, ouvindo o som do mar e o barulho das gaivotas. 

Estamos mais confortáveis agora mas beleza das risadas provocadas pelos filhos foi-se. 

Agora são as netas que me fazem rir quando perguntam pela casa da piscina!!! É uma piscina de plástico com um dinossauro que deita água pela boca e um escorrega. O que elas adoram aquele brinquedo!

O importante é que o amor se mantem. Venham mais verões e mais fins de semana.


Os meus sonhos madrugada dentro

 

Grécia - 2004

Têm sempre o mesmo cenário: os meus filhos pequenos cá em casa. 

Hoje, um deles queixava-se de que tinha tantos lápis e canetas de cores e não usava metade por falta de tempo. Interiormente, com alguma mágoa, eu concordava e surgiu a ideia de que poderia levá-las para férias e fazer imensos desenhos durante esse tempo. Ficou contente e, num quartinho pequeno, cheio de brinquedos começámos a selecionar caixas e caixas de lápis e canetas coloridas. Ele ficou contente e mais realizado e tocou o despertador. 

Tempos passados e sentimentos que ficam da correria dos dias. 

domingo, 5 de janeiro de 2025

Somos o que vivemos

 


Ontem, ria-me com a minha irmã ao relembrar episódios de quando era pequena e vivia numa aldeia perdida da Serra da Estrela, onde nasci. Não são episódios de felicidade mas quase parecem saídos de um filme, pelo seu pitoresco, visto a uma distância de 50 e muitos anos. Cheia de personagens icónicas que fizeram e ainda fazem parte do meu imaginário, pelo que eram, pelo que algumas delas sofreram e pelo modo como viviam a sua vida. Podia escrever mil e um posts sobre cada uma delas. 

Talvez destas vivências tenha resultado o meu grande optimismo face à vida e às coisas. Já vi tanto, já assisti a tanto que pouco ou nada me faz vacilar. Naquela época, as crianças  não eram poupadas a nenhum cenário, desde visitar a tia em último grau de demência, até velórios macabros e visitas a doentes terminais com tudo o que acarretava. Se alguém morria sem ser velho e as crianças perguntavam o porquê a resposta vinha pronta: enforcou-se. Era algo comum naquela época em que o SNS não existia e os médicos serviam uma classe que podia pagar. A pobreza era mais visível no Inverno, quando a neve cobria todos os recursos. A madrinha velha como todos lhe chamávamos, irmã mais velha da minha avó materna, solteira e com posses, distribuía medicamentos por todos os que sofriam para alivio das dores do corpo e da alma! Ainda há pessoas que se lembram disso. O famoso Saridon. Se fosse actualmente...

O álcool era  o refúgio para os pensamentos menos bons e para a pobreza instalada, principalmente nos homens. Aos Domingos, era típico vê-los a cambalear rumo a casa no final da tarde. Durante a semana seguinte, a minha mãe ouvia as mágoas das mulheres deles, as sovas que levavam, o sofrimento na criação dos filhos que lhes faziam nessas noites atormentadas pelo álcool e pelo medo do futuro. Nessas alturas e para manter a dignidade de quem falava, minha mãe mandava-nos sair da cozinha e fechava a porta mas nós, na sala, ouvíamos  o que já todos sabiam. 

Estas mulheres e homens com quem cresci, já faleceram mas quando encontro os filhos vêm à memória todas estas vivências  e como o modo como foram criados os transformou em homens e mulheres lutadores e bem dispostos. Sabem dar valor ao que têm e principalmente à vida. Admiro-os por isso.

Tive a sorte de não ter vivido estes dramas mas assisti a tudo e, por vezes, a minha alma de criança muito nova, não conseguiu assimilar todo o drama do que vi e senti. Só agora, pensando bem e comparando com o tempo presente vejo e sinto o que cada um daqueles seres humanos viveu para sobreviver.

Aos 10 anos vim viver para Coimbra. Já mais velha, consegui perceber que os problemas também ali existiam em casas mais arranjadas mas em que faltava muita coisa. Era mais velada a miséria. Lembro-me da vizinha do 2º andar que ia ao mercado e trazia sempre um ramo de flores mas, durante a semana, pedia os bens essenciais à minha mãe que os ia fornecendo. Uma postura diferente mas a mesma fragilidade. Aqui era necessário esconder. Na Serra não era possível e ninguém queria saber de flores em jarras. 

Também aqui existiam as más relações, o adultério e as doenças. Era quase tudo igual mas embrulhado em luvas de pelica que obrigavam a uma visão  mais apurada. 

É a vida como costuma dizer filho mais velho. 

Há dias em que tudo me lembra mais. A quantidade de episódios que eu já vivi, as mil e uma vidas por que passei, os ambientes diferentes que tive de enfrentar. Como ser pessimista se consegui chegar aqui?

Obrigada pais e irmãos pela família boa que criámos,  que me educou e me deu esta postura forte com a certeza de que conseguirei enfrentar o que vier. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Sempre a olhar na mesma direção

 


Gosto desta foto! Eu, ainda tão nova, a aprender a ser mãe!! O Miguel pequenino, o meu medo de não ser capaz que aumentava a cada dia que passava, principalmente quando ficava sozinha com ele. 

Os anos foram passando e o bebé tornou-se num  homem bonito e capaz que me apoia sempre que necessito. Ele parece nunca ter necessidade de apoio mas eu sei que tem. 

Tudo isto para deixar a mensagem: don't worry, be happy. 

Tudo muda, quase sempre para melhor e vamos ganhando calo em todas as facetas da vida. Como mãe, foi extraordinário o caminho. 

Acreditar que a protecção existe. 

À nossa volta acontecem milagres e para mim, este ano, aconteceu um que me deixou feliz mas que não revelo. Do nada, algo se transforma e uma calma enorme desce sobre nós. Assim foi e assim continuará a ser porque o futuro nos espera. Continuar a mudança, sempre para melhor, atravessar caminhos sinuosos sabendo que  logo a seguir virá um terreno liso e bom onde os nossos pés e a nossa alma ganharão descanso.

sábado, 28 de dezembro de 2024

Mensagem de fim de ano


 A vida é muito curta. Aproveitem-na muito bem! Não adiem nada que sonhem fazer. Nunca haverá a ocasião ideal. Essa, está na nossa cabeça. 

Olhando para estas duas imagens minhas parece que foi ontem que eu estava no Luso com pais, avó, primos e tios num passeio mesmo muito bom. Desse grupo grande, só restamos os três irmãos e os dois primos. Quase todos se foram deste mundo, com as suas vidas cheias, os seus medos, as suas angústias e espero, com muitos dos seus sonhos realizados. 

A segunda foto é recente mas nela não estão estampadas todas as minhas lutas nem todos os meus sofrimentos. Está só um instante de descontração dos muitos que necessito para envelhecer com alguma graça. 

Tudo passou muito rápido. Dias atrás de dias, resoluções boas e más, dias péssimos, doenças, dias bons em que julgava que tudo era belo e as pessoas todas boas. 

Aproveitar tudo o que aparece sem pensar duas vezes. Apetece, então vai. 

Arrisca. Podes não gostar mas fica a aprendizagem. Procura coisas novas. Aprende novas modas. Mantem-te actualizado quanto ao que aparece de novo. Investiga. Sê curioso. Projecta o que te faz feliz. Dá-te aos outros. 

Só desse modo consegues envelhecer com alguma qualidade.

Deixa os mi,mi mis para depois. Agora é o tempo da plenitude. 

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Gerações

 


Quando comprei a casa onde vivo, tinha grande orgulho na minha sala cheia de luz, grande tamanho, grandes sacadas e uma varanda que a rodeava. Estava orgulhosa quando chegou o meu pai para a visita.

Ele olhou, gostou mas, lá para o meio da conversa, disse:

Sabes, esta sala é muito grande! Fazias bem em dividi-la ao meio com pladur. Colocavas uma porta grande e ficavas com uma sala de jantar e outra de estar com a respectiva lareira! Ficava mais aconchegante!

Sacrilégio! Tinha sido o tamanho da sala o que me tinha feita enamorar da casa. Poder ter todos à volta de uma grande mesa, numa sala cheia de luz.

O outro dia, sozinha no sofá da dita sala, comecei a olhar à volta e a pensar: e se eu dividisse  a sala? Ficava muito mais acolhedora! Mais fácil de aquecer, e mais cosy. Depois lembrei-me do meu pai e da sua sugestão!

Querido pai! A vida a trazer a razão às tuas ideias! O tempo a colocar no lugar aquilo que antes parecia improvável!

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Conforto mental

 




Os mais novos não percebem a razão de eu ter tantos pratos, copos, talheres, enfim, de tudo um pouco.

Não sabem é que quando faço mesas iguais a estas estão sentados comigo os meus ente queridos. Vêm à memória os cheiros da cozinha e do fogão de lenha, vejo a galinha dourada com manteiga, os empadões dourados pelas gemas, sinto o cheiro dos armários de onde cerimoniosamente se retiravam os pratos verdes das grandes ocasiões. Eram todos iguais naqueles tempos e eu fiquei com uns quantos. Gosto de os misturar e relembrar esses tempos de meninice. Ocupam espaço nos armários, não têm grande valor, mas para mim têm o valor da família, do amor e de uma vida inteira e isso basta-me!

domingo, 8 de setembro de 2024

A necessidade de sair


Fui passar dois dias fora. A ser mimada como eu gosto. A fazer as coisas de que realmente  gosto em terras onde já vivi. Redescobrir recantos e  jantar onde muito antes, lá muito para trás na minha vida, ia com toda a família jantar, conversar e rir. Falámos nestes jantares que já nunca mais se repetirão e lembro-me especialmente de um deles em que filho mais velho ainda muito pequeno fez tamanha birra que eu saí do restaurante e vim acalmá-lo para perto do rio sem sequer ter jantado. De repente, vejo o tio António com um prato e a taça de sobremesa, passeio fora para ma entregar! Nunca me esqueci deste gesto de amor e atenção porque ele era mesmo assim e porque tenho imensas saudades dele e porque para mim a linguagem do amor se traduz em grande percentagem em actos de serviço.

Preciso destas saídas, destas conversas e desta leveza. Fazer o que realmente nos apetece sem concessões ou fretes A vida já é tão pesada e consegue ser tão cruel para quem não o merece!!



domingo, 26 de maio de 2024

Saudade dos cozinhados da minha mãe

 


Quando chegava o tempo quente comíamos, muitas vezes, salada de feijão que podia ser de qualquer espécie. 

Colocava numa taça o feijão cozido e escorrido, muito azeite, salsa picada e cebola picada. Misturava muito bem e sabia deliciosamente. Por vezes, acrescentava um ovo cozido, ou uma lata de atum, outras vezes era só isto assim de simples e tão saboroso. 

Hoje fiz esta salada. Tinha salmão para acompanhar mas fiquei-me pela salada. Lembrou-me a mãe, o sol da serra, o calor tórrido e, acima de tudo, o seu amor por nós.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Essas coisas do stress e tal!

 


Já fui uma pessoa muito ansiosa e stressada. Gostava de ter tudo sob controle e qualquer facto que alterasse a rotina planeada me deixava com os cabelos em pé. 

Agora já não sou assim. Deixei de querer controlar e só faço mesmo o que me apetece e o que eu gosto. Deixei para os outros essa necessidade de levarem a vida para a frente porque, com a minha idade, é manter o que há e o que tenho e uns poucos projectos de pouca monta que consiga realizar. Também não tenho conselhos para dar porque a minha vida foi cheia de erros e o mais banal possível. 

Mesmo que à minha volta aconteçam coisas que anteriormente me causariam stress por antecipação, agora é só pensar: nessa altura, já cá não estou! Nem me sinto triste, apenas muito aliviada e nada stressada.

Viver o dia a dia e  aproveitar todos os momentozinhos que possa, com quem amo. Ontem foi um dia bom em que pude estar com as minhas netas lindas. Há lá  alguma coisa mais importante?

Stress? É o quê na minha idade? Qual a finalidade? Aumentar o ritmo cardíaco? Não, obrigada!

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Antes da Maria de Lurdes

Reserva Natural do Estuário do Tejo

Sem sombra de dúvidas, a pior ministra da educação foi a D. Maria de Lurdes Rodrigues!  Tive a oportunidade de a ouvir falar presencialmente e era tal o ódio aos professores que até o olhar da senhora se toldava. Acredito que tenha andado numa escola muito má e tenha sido muito mal tratada talvez até pelo seu mau feitio e modo de estar arrogante e de mal com a vida. Se a vejo em qualquer canal, mudo imediatamente.

O que é certo é que depois dela nunca mais nada foi igual. Não falo de dinheiro, de escalões, ou outro qualquer aspecto mais prático. Falo sobre a desvirtualização que, uma senhora e os seus acólitos, conseguiram fazer a uma classe até aí considerada por todos. Nunca me revi no modo como a senhora falava do nosso trabalho e como sempre dava a entender que os directores teriam que tratar os professores de rédea curta e pingalim na garupa. Eu ouvi de viva voz, não me contaram! E também ouvi os aplausos de alguns directores aos dislates da senhora. 

O que me choca ainda mais é o reconhecimento que a senhora teve após o ministério e os cargos que ocupou e ainda ocupa sempre ligados à educação de que pouco sabe. Até fico irritada quando falo nisto. 

A partir desta senhora, tudo mudou. Para pior, claro!

Todos os anos, antes deste descalabro, organizavam-se  encontros de Educação Ambiental sempre em capitais de distrito diferentes. Os professores pagavam uma parte, como a estadia e a  inscrição e  as câmaras municipais organizavam o programa, sempre muito rico e preenchido,  transversal a todas as áreas do saber.  Tínhamos experiências fantásticas que depois se reproduziam em sala de aula e davam ao professor uma grande bagagem em diferentes temas. Conheci, deste modo, aspectos do país que nunca conheceria,  empresas de renome que nos abriam as portas para visitas guiadas, áreas protegidas que, em visitas guiadas, nos mostravam a biodiversidade deste país tão rico. Em sala de aula todos estes conhecimentos eram aproveitados e trabalhados e os alunos ainda hoje falam dessas aulas com alguma saudade.

Era uma semana riquíssima em aquisição de saberes. Tudo acabou!

O investimento em educação de qualidade deixou de existir e a força moral e ministerial que os professores necessitam também. 

Muita pena. 

Ainda me alegro com alguns alunos que vou encontrando na escola com sorriso doce, boa educação e boa conversa.  Há, no entanto,
muitas situações que nunca deveriam existir ou ser permitidas. Obrigada D. Maria de Lurdes. 


sábado, 6 de abril de 2024

Talvez


 Seja a altura de voltar aqui! As circunstâncias serão totalmente diferentes, mas é a vida  a ensinar que, de repente, tudo pode mudar!

Aproveitar os momentos, os minutos,  os segundos, tudo a que temos direito. 

Cheiros de infância

 


Ontem estive na Serra. Questões logísticas imperavam. Tudo resolvido. Passagem rápida pela casa dos pais, agora tão silenciosa e arrumada porque vive quase sempre apenas nos corações de quem lá viveu. 

No quintal, os lilases começaram a florir, assim como as japoneiras que anunciavam sempre o final do Inverno.  Um cheiro bom enchia o ar, como sempre encheu. Faltava o cheiro da terra revolta que antecedia o início das plantações da horta. A mãe tomava conta dela como se de um quarto filho se tratasse. 

Quando chegava de Coimbra, muitas vezes, ia encontrá-la lá entre os morangos e os espinafres e a frescura dos dias de Primavera. Nada disto volta, mas naquele ambiente é impossível não os sentir mais presentes e querer agarrar as memórias, as falas, os risos, o ruído de uma casa vivida por uma família  unida e querida. 

Trouxe os lilases para estarem comigo e me emocionarem cada vez que sinto o seu perfume. 

Queridos pais!

quinta-feira, 7 de março de 2024

Limitações irritantes

 


Pois, mas esqueça o ténis para sempre. Pode romper o tendão de Aquiles do outro pé! Já pensou nisso? De agora em diante será a natação o seu desporto. Palavras sábias de quem sabe!!

Fiquei gelada! Agora que eu tinha redescoberto o prazer do ténis, depois de imensos anos sem jogar, que tinha comprado uma nova raquete, que tinha um grupo super simpático que fazia com que o cair da noite fosse mais leve e engraçado....pumba! Esqueça e ponha-se a fazer piscinas e a pensar na vida enquanto nada!

Esta coisa do avançar na idade é tramada! 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Família boa

Praia do baleal - a verem os netos a surfar as ondas
 

Com o tempo, as conversas com os meus irmãos, a morte dos meus pais e todas as recordações que deixaram, que agora são mais valiosas, apercebo-me de que tive uma família 5 estrelas! Talvez nunca pensasse tanto nisto como presentemente. 

Tanto o pai como a mãe, souberam estar e, quando foi necessário e o tempo certo, deixaram que partíssemos, que fôssemos à procura da nossa verdade e da nossa felicidade entendendo que não estava ali ao lado deles. Ao mesmo tempo, foram amparando, inquirindo mesmo que só com o olhar, guardando para si as críticas que nós já sabíamos existirem. Mas deixaram que aprendêssemos com os erros, que nos tornássemos adultos de mão cheia, responsáveis pelos nossos actos e decisões. 

Riam com as nossas conquistas mas desesperavam sempre que algo nos acontecia de mau a nós ou aos netos. Por vezes, sabia pela mãe como o pai reagia e pelo pai o que a mãe tinha dito ou feito em determinada situação.  

Criaram laços fortes com os netos que ainda perduram. Olho para um dos meus filhos e ali está o avô! Até tem expressões iguais!! O entorno é totalmente diferente mas o modo de estar na vida, de a apreciar, de a sorver é exactamente o mesmo! Olho para o  outro e vejo a candura da avó, os traços tão parecidos, o modo de fazer e de pensar a vida tão igual!

domingo, 15 de novembro de 2020

Vamos lá confinar



 Apesar de o concelho em que vivo não estar em confinamento nada melhor que ficar em casa porque, mais dia menos dia, tudo isto se torna nacional e custará menos a transição. 

Ontem ainda saí da parte da manhã para realizar tarefas com tempo marcado e  encher a despensa e frigorífico. 

De tarde fui para a cozinha (como sempre acontece quando o stress me atinge) e preparei o doce de "abóbora porqueira". Explico: O doce de abóbora que tradicionalmente se serve com requeijão como sobremesa típica na Serra da estrela, tem mesmo de ser  elaborado com abóbora porqueira. Chama-se assim porque é esbranquiçada, muito grande e alongada e serve essencialmente para alimentar porcos nos longos dias de Inverno. Minha mãe guardava uma das maiores para fazer o doce a que juntava uma vagem de baunilha e generosas quantidades de canela. A abóbora amarela com que confeccionam os doces de Natal não existe na Serra. Só a conheci aos 10 anos quando viemos viver para Coimbra.

O doce feito com abóbora amarela não tem o mesmo sabor nem casa bem com o requeijão. Quem não sabe... come e gosta! Eu não gosto mesmo nada!

Ao final da tarde, quando o açúcar já tinha derretido e a abóbora aos quadradinhos boiava na panela, coloquei a lume brando. Foi ganhando ponto até chegar ao ponto de pérola. Estava pronto!  Com a varinha mágica consegui um creme espesso, com cor dourada e muito saboroso.

Já posso comprar requeijões (um dos meus manjares preferidos) porque o sabor destes dois ingredientes me transportam à casa dos avós e à casa dos pais em tardes de Inverno quando os requeijões atingiam o seu melhor sabor. 

Saudades! No fundo, não somos mais que sonâmbulos à procura da nossa infância!