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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Coisas engraçadas

 


Tenho no meu horário de trabalho duas horas para poder substituir professores que não puderam comparecer. Ontem foi um dia desses. Quando cheguei à entrada do laboratório percebi que iriam ter a disciplina de Ciências e quando me viram começaram todos a gritar: queremos dar a respiração, queremos a respiração! Considerei estranho, mas, já sentados, perguntei-lhes se andavam a dar a respiração mas que eu não iria avançar nos conteúdos porque não era a minha função. Explicaram que estavam a dar a puberdade mas era outra a  respiração de que eles falavam. Eu já tinha estado com eles no anterior semestre e tinha ensinado técnicas de respiração de relaxamento, a chamada respiração abdominal. Fizemos, nessa altura, um exercício de relaxamento o, que para meu espanto, eles cumpriram e no final disseram ter-se sentido mais descontraídos. 

Expliquei ainda que poderiam sempre ter esta ferramenta para utilizar sempre que se sentissem mais stressados ou ansiosos, nomeadamente antes de testes ou  outras tarefas avaliativas. Ontem, alguns deles explicaram que continuaram a realizar esta técnica, uns antes de  testes e uma das meninas disse que era muito benéfico antes das provas de patinagem que praticava. Falava com as colegas mas uns minutos antes, recolhia-se sozinha e respirava profundamente tendo consciência do corpo e que as provas, a partir daí, lhe começaram a correr melhor. 

Fiz como eles pediram o exercício de relaxamento, respirando profundamente e tendo consciência do corpo e das partes que estão  contraídas e, pouco a pouco descontraindo o corpo até o sentir colado e pesado em cima da cadeira. Alguns fecharam os olhos, outros mantiveram-nos abertos. No final, sentiram vontade de se espreguiçar o que fizeram longamente e com muita satisfação. 

Disseram que saíram novos e que este exercício lhes era muito útil. Incentivei a que o fizessem todos os dias, mesmo em casa, durante 10 minutos. 

Sozinha na sala fiquei a pensar: um processo tão útil para os alunos desde novos e que deveria ser ensinado a todos. Num tempo em que se fala tanto de ansiedade, não seria de pensar munir os alunos destas ferramentas para que não chegassem a adultos sem conseguir gerir os picos de stress e entrando, por vezes, em estados já mais perigosos do ponto de vista da saúde mental e física?

Já tive implementada esta estratégias há já alguns anos nas turmas que lecionava  que começavam sempre por 5 minutos de relaxamento. A aula corria muito melhor, os alunos ficavam mais concentrados e depois de 15 dias já eram eles que, em silêncio, entravam na sala e começavam imediatamente o exercício.  A avaliação deles foi muito positiva. 

Coisas simples e pequenas mas que fazem toda a diferença. 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Dimensão humana da mudança


 




Reflexões sobre o digital na Educação



“Querer é poder”!

Esta afirmação serve para todas as situações da vida profissional e pessoal.

No entanto, há imensos entraves e dúvidas no que toca às mudanças relativas à utilização do digital em sala de aula.  Uns de origem emocional outros de origem técnica e outros ainda por falta de conhecimentos e de formação.

Somos de uma geração não digital, uma geração da palavra, do discurso, da aprendizagem passiva. Fomos fazendo a nossa aprendizagem ao longo de muitos anos mas sentindo que, mesmo com tanta ferramenta à disposição, o modo como tínhamos aprendido com os nossos velhos e bons professores ainda fazia sentido.

Em todos os percalços, em todas as falhas do sistema, em todas as falhas de internet, nós sentimos que estamos certos, que as nossas histórias e os nossos métodos seguríssimos nunca falharão!

Há então um dia em que ensaiamos aulas digitais, porque sabemos, porque experimentámos antes, porque estamos confiantes de que vai dar certo. E dá! E vemos alunos super entusiasmados, fazendo pesquisas, andando sozinhos, quando antes precisavam tanto de ajuda, trabalhando em grupo, tirando dúvidas uns aos outros e saímos daqueles espaços com a certeza que é o caminho certo.

Falta depois o tempo colaborativo. Tempo para pôr em comum. Tempo para construção, para reflexão, para aquisição de novas competências digitais.  Tudo parece uma roleta e os dias rolam entre tarefas classificatórias, semestres e avaliações, indisciplina que urge colmatar, problemas dos alunos que muitas das vezes são maiores que eles.  É o tempo deles mas é um tempo difícil onde não há espaço para nada. Interrogo-me muitas vezes que adultos sairão deste tumulto, destes dias cheios, destas famílias que procuram encontrar-se ,conhecer-se e olhar em frente mas ainda não conseguiram.

A mudança está dentro de nós, professores, alunos e pais. 

Vive em nós mas necessita de andar a par com um grau de exigência suficiente para não comprometer a aprendizagem.

Entre tanta ferramenta à nossa disposição é necessário tempo para conhecer e selecionar de acordo com os nossos objetivos. Trabalhar muito bem com os meios que escolhemos de modo a torná-los uma extensão de nós. 

Para tal, é necessário colaboração entre todos. Falta tempo  para tal. 

Mudança sim.  Criação de condições para tal, necessita-se. 



quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Hoje, depois de saírem da aula, vi-os ao fundo do corredor e tive saudades deles

 


Última aula presencial já depois de saber que amanhã já não estaremos juntos. Metade dos alunos não estava presente. Os pais consideraram mais seguro deixá-los em casa. Nada contra. 

Falámos do que nos esperava. Estavam alegres. Eram só 15 dias.

Saíram e em passos apressados chegaram ao fundo do corredor. Vi-os desaparecer na curva e o corredor ficou vazio.

Tive saudades antecipadas deles! Até quando continuaremos separados?

Tenho por eles grande carinho pelo que são, pelo que conseguem expressar, pelas suas vidas algo difíceis e que constroem com dificuldade mas sempre com um sorriso e pelos três anos de convívio e de aprendizagem.

A Escola são os alunos. Ponto!

domingo, 1 de novembro de 2020

Coisas da Vida

 


Há tanto tempo que não vinha aqui! Não me tem apetecido! Ando a tentar colocar um pouco de ordem na minha vida nestes tempos difíceis.

Voltei à Escola, e vivo ansiosa com medo de ficar doente. Parece tudo igual mas não é! Preocupo-me muito mais com o dia de amanhã, se ficarei doente, se continuarei bem, se algum dos que amo ficará doente e por aí fora. 

A vida social resume-se ao telefone. Vamos falando, rindo, imaginando que é mesmo assim. No entanto, se vejo um filme do antes, estranho as caras destapadas e a proximidade entre as pessoas. Não é um bom sinal. O meu cérebro programou a distância como normal. Faltam-me abraços, beijos, proximidade. 

Inquieta-me não poder ver os mais velhos porque o tempo deles é finito e quero partilhar ainda momentos com eles. Em algumas tardes de sol, como a de hoje, sinto que entrei num filme de ficção em que só se pode estar em locais afastados, longe de tudo, no meio da natureza, como se tivéssemos fugido da cidade para não morrer.

Deixei de fazer planos, de antecipar momentos, de imaginar recompensas. Tenho a vida suspensa. Até quando, não sei!

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

O que o confinamento trouxe e transformou visto e sentido a longo prazo.



Em Março ficámos em casa. Trabalho com os alunos à distância trouxe novos ritmos, novas aprendizagens feitas à pressa, novos desafios e algumas alegrias. Por entre o trabalho sobrou tempo para cuidar do ninho e voltei, quase sem dar conta, aos tempos da minha adolescência em que tudo se fazia devagar com mãe e avó em casa para que a vida familiar corresse sobre rodas. Voltaram as horas na cozinha, as dicas para lavagem de vidros, a necessidade de manter a casa em ordem sem ninguém para ajudar e tudo à minha responsabilidade. Abriram-se as malas do enxoval amarelecido para tudo ser lavado e branqueado. Recomecei a bordar e a fazer tricot.

Andei atarefada até Julho entre avaliações finais, trabalho de escola, reuniões online e atividades de mulher prendada. Em Agosto saí de casa mas levei comigo os hábitos adquiridos. Nada de maquilhagem, cabelo seco ao sol, roupa comoda que me tinha acompanhado durante estes meses em que quase não vi ninguém. 

Chegou Setembro, as aulas começaram mas, pelo hábito, continuei no mesmo registo. 

De repente parecia que tinha deixado de ser eu e parte de mim tinha ficado perdida lá para trás. Olhava para a minha roupa mais formal e quase já não me lembrava o que combinava com quê e de como eu costumava usá-la. Parecia que não tinha nada para vestir, nada me parecia bem e comecei a ficar meio perdida. 

Uma tarde parei para pensar. Durante umas horas vesti e despi a quantidade absurda de roupa que se espalha por vários armários. Relembrei deste modo o meu eu de antes da pandemia. Guardei uma parte de um armário para colocar as peças já experimentadas e combinadas. Pouco a pouco fui entrando na minha antiga pele. Comecei a ser eu. Deixei a roupa comoda mas pouco elegante e substituí-a pelas peças mais queridas e formais. 

Se estou mais contente? Claro que estou!

Se necessito de comprar roupa nos próximos anos? Claro que não! Necessito apenas de mais umas tardes de ensaios de estilo e de renovação. 

O curioso disto tudo é verificar que todas estas mudanças necessitaram de muito tempo para serem percepcionadas e alteradas. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Temas essenciais


 É pena não haver em edições portuguesas  obras científicas sobre aprendizagens eficazes e como  levar os alunos a investir nelas. Livros práticos com exemplos, esquemas, modelos, tabelas que permitam aos docentes diversas abordagens alavancadas em dados científicos.

Resta comprar online e fazer destas obras a nossa leitura de cabeceira.

Este, estou a rever e a sistematizar conhecimentos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Reflexões


Foi muito tempo fora dos muros da escola! Estivémos separados fisicamente mito tempo. Adaptámos as estratégias, inventámos novos modos de chegar a eles, estudámos e aprendemos muito e, no final do ano, parecia a cada um de nós que tinha atingido os objectivos. As férias serviram para desconectar e sentirmos que havia vida ao ar livre, que o som do mar ainda lá estava e que o sol a bater na pele tinha um poder curativo fantástico.

E eis que chega Setembro. Os números da pandemia começam a crescer, as videoconferências regressam em grande e em diálogos à distância começo a perceber-me que o pormenor é o mais importante neste regresso. As aulas como eram ainda não estão para chegar e talvez nunca mais cheguem. É necessário pensar novos gestos, novas abordagens, novos pormenores que farão a diferença. Nada de ajuntamentos, nada de contacto ou aproximação. O simples gesto de recolher uma folha de papel das mãos de um aluno é vedado. O dispensador de gel faz de barreira entre o quadro e o aluno e a desinfecção será a palavra de ordem. 

Vai ser muito difícil pensar antes de  me aproximar de uma mesa para tirar uma dúvida, ou apenas fazer sentir a minha presença, tantas vezes dissuasora de comportamentos menos próprios  numa sala de aula. Tenho tão interiorizados estes gestos que receio não ser capaz de os coarctar nos próximos dias.

Se tenho medo de ficar doente? Muito!

Muita calma neste regresso.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Quando chegas à conclusão que tens os sintomas todos


Começas a perceber que tens de interromper este ciclo e fazer algo por ti e pela tua saúde. Tanta tarefa, algumas já fora de tempo, e tão pouca motivação. Este tempo todo dentro de casa começa agora a dar os seus frutos de uma forma totalmente negativa. 
As notícias não ajudam e  a ideia de voltar à normalidade em Setembro, pouco a pouco, começa a ficar esfumada pelas informações recentes. 
Este isolamento está a matar-me! 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Será mesmo assim. Acredito!


Acredito. Sentir em cada um de nós a mudança lenta mas eficaz a acontecer. A acarinhar o importante, a focar no que é a nossa essência, a olhar de outro modo tudo o que nos rodeia. 
Ficará para os que vêm como a grande revolução que levará, por ventura, a algo melhor do que o que temos agora. 
Obrigada pela partilha.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Sobremesas para quem está em casa



Tem de passa várias horas ao computador, não anda quase nada e não pode engordar!
Coze-se um quilo de peras com água e mais nada. Podem ser  pêras rocha pequenas e mal encaradas sem casca e partidas ao meio.
Quando cozidas, escorre-se a água e trituram-se.
Deita-se o puré numa taça e cobre-se com canela!!!
Ah! Ah! Queriam sobremesas elaboradas? Não podemos!!
Contentem-se com estes manjares e fiquem contentes  por, quando acabar esta fase, ainda conseguirem caber na porta da rua, sem um empurrão do lado de dentro! 
Esta é a parte pior de estar em casa!

As aulas virtuais começaram


Resumo do primeiro dia: foi engraçado. Mais uma vez os alunos conseguiram surpreender-me positivamente. É notório que quem tem melhores computadores e maior velocidade de internet consegue trabalhar mais rápido e mais eficazmente. Alguns deles adormeceram e não entraram na videoconferência o que me obrigou a fazer vários telefonemas, mas já recebi imensos trabalhos pedidos, comentários, e sugestões. Parece que tudo se está a encaminhar e que aquelas duas semanas do 2º período serviram como um teste, um pouco caótico e complicado, para que o 3º período começasse  de uma forma mais profissional
O engraçado de isto tudo é que a aprendizagem é mutua tanto para professores como para alunos. Eles criam grupos no whatsApp para irem aprendendo uns com os outros e nós professores vamos também aprendendo com tutoriais, perguntando a colegas, aprendendo a lidar  com novas maneiras de agilizar o trabalho. 
Todos os dias lhes envio mensagens para saberem que não estão sozinhos e eles vão respondendo. 
Tenho saudades deles! Mas vamos falando e esperando que Setembro nos encontre bem!

terça-feira, 7 de abril de 2020

Depois de dar atenção à papelada


De ter mandado uns quantos emails de trabalho, de ter tomado a minha primeira dose de água disfarçada de café (água com um produto chamado Brasa, da Nestlé e que não contem café), de ter cozido uma quantidade enorme de maças para sobremesa (agora é só acrescentar canela a gosto), agora vou ali fazer umas limpezas na varanda para logo de seguida me queixar do cansaço que isto tudo me provoca. Mas o que tem de ser tem muita força!
Também me tem dado para conversas filosóficas daquelas de que necessito para pensar alto muitos assuntos que me andam a vir à mente. Depois de conversar um bocado, fica tudo mais claro e vou à minha vida, ou só ali regar as plantas a outra divisão
da casa e já volto!
Amanhã começo novas experiências de mudar móveis de sítio. As de ontem correram muito bem!!
Fiquei foi com umas quantas coisas para transportar para o lixo que ainda jazem na entrada à espera  de disposição para a tarefa árdua!
 E eu quietinha no sofá a ver um filme? Não ficaria muito melhor?

sábado, 4 de abril de 2020

Pergunta estúpida

Se continuam a anunciar que o pico do caos está previsto para final de Maio, por que razão o Ministério da Educação vai só decidir a abertura ou não das escolas a 9 de Abril? Será que passa pela cabeça destes iluminados mandar toda esta gente para as escolas, para salas de professores cheias de gente quando nos aproximamos a passos largos, devido à idade e às mazelas,
dos grupos de maior risco?
Será que ninguém imagina que numa sala de aula não se mantêm as distâncias de segurança e que a comunidade costuma dar encontrões uns nos outros com alguma facilidade devido à exiguidade dos espaços e às correrias dos alunos, fazer filas com utentes todos muito encostados uns aos outros,  principalmente no intervalo maior, que o trabalho de grupo junta alunos à volta de uma mesa  ou de um computador a distâncias que rondam os 50 cm se tanto?
E no meio desta confusão, não seria óbvio que esta semana que se aproxima fosse utilizada para  a programação de um terceiro período que se prevê à distância, criando pastas com materiais, focando e organizando o tipo de tarefas, encontrando o fio condutor neste emaranhado de problemas que passam pela falta de meios técnicos de alunos e professores até aos alunos que ainda não se habituaram a organizar o seu tempo de forma autónoma e responsável? 
Não seria esta a forma certa de iniciar um terceiro período diminuindo o stress, porque o trabalho já estava pensado, em vez de se esperar uma declaração explosiva no dia 9 contra tudo o que os meios da saúde anunciam?
Senhor Ministro onde anda e por que razão não desabafa com as massas?

quinta-feira, 26 de março de 2020

Que tempos estes!



Em que temos medo uns dos outros, em que se apedrejam pessoas de lares de idosos porque não se querem ali porque estão infectados com o tal vírus! 
Os dias custam a passar, porque não conversamos, não trocamos ideias e não nos viramos para fora. Estamos recolhidos nos nossos problemas, nas nossas dúvidas, na nossa filosofia barata que tenta dar sentido a tudo isto. Tudo se avoluma e o dia de amanhã deixou de existir programado por um " e se..."!
Frases bombásticas enchem as redes sociais: daqui vai sair um país novo, uma sociedade mais justa, mais tolerante, mais unida!
Duvido!
Vai voltar tudo ao mesmo só que com muito mais medo! Os apertos de mãos já não serão tão firmes e, se pudermos, evitaremos o beijo ou o abraço que não fazem falta. As distâncias sociais vão aumentar e só lá muito mais para a frente, quando as nossas mentes se esquecerem que estivemos a uns passos de sermos contaminados, os actos sociais voltarão à normalidade. Se eu verei ainda? Tenho as minhas dúvidas! Vai demorar muito tempo a sanar a desconfiança do medo.
Vamos ser muito mais caseiros, mais ecológicos, mais virados para dentro e mais fechados.
Vamos perder muito do que tínhamos até aqui: reuniões familiares,  almoços de amigos, compaixão, amizade, cafés pela tarde dentro, estar lá para  o outro e muita sabedoria. 
Eu, pela minha parte, continuo a viver um sonho, ou pesadelo, como lhe quiserem chamar. Habituei-me aos dias, às novas rotinas mas ainda não acredito que não posso prever o dia em que poderei sair de casa. Só muito mais tarde, (como eu me conheço bem!) vou entrar em stress, vou rebobinar tudo isto como elemento do filme, sofrer para caramba e traumatizar. Por agora, continuo como espectadora! 

sábado, 25 de janeiro de 2020

O rei vai nu


Só me ocorre esta história quando penso no que se passa nas escolas actualmente.
Apetece-me falar no importantíssimo "Plano de turma"!
Se eu perguntar a todo o meu conselho de turma o que lá está estampado, a maioria não sabe e não os culpo. Prefiro mil vezes que ocupem o seu tempo a preparar aulas que façam a diferença nas aprendizagens dos meus alunos. O trabalho todo recai sobre o director de turma (eu) com a consciência plena que está a redigir um documento que nunca ninguém vai ler e analisar. 
Parece-me que ainda não se percebeu que o que faz realmente a diferença é a sala de aula e tudo o que podemos transmitir aos nossos alunos de modo a que evoluam nos seus conhecimentos. Ter tempo para esta preparação, envolvendo pesquisas e aquisição de competências por parte de todos os docentes, quer individualmente, quer em grupo, parece-me ser fulcral. A flexibilização curricular é mais um chavão  vazio de conteúdo. Era possível flexibilizar 25% do currículo. Actualmente passou a 35%! Agora a sério: alguém sabe em cada turma, qual é a percentagem do currículo flexibilizado??? Como se calcula esta percentagem? E o que é que isto quer dizer na prática? 
Os alunos têm consciência da importância deste documento nas suas vidas escolares? Os pais sabem que o currículo está a ser flexibilizado e o que isso quer dizer? Os professores acreditam neste Plano como potenciador das aprendizagens dos seus alunos? Este Plano é algo novo, como a descoberta da pólvora, na vida das escolas? Começou-se agora, porque existe o Plano, a desenvolver actividades que envolvam os alunos e lhes permita descobrir o mundo para além da escola?
Tenho imensa dificuldade em perder tempo precioso na elaboração e melhoramento deste documento. Tenho o sábado para realizar imensas tarefas de correção de trabalhos dos alunos, de preparação de aulas inovadoras, de pesquisa sobre recursos educativos. O que é que vai acontecer? Vou trabalhar o plano de turma e preparar uma reunião onde vou falar do plano de turma!
Estou a começar a ficar farta!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Together we grow

A teaching team is only as good as the sum of its parts. Stressed and burned-out teachers don't benefit anyone. Effective teams understand the need for personal rejuvenation. They look after one another. (...)
Teaching is always on our minds, but sometimes we come up with our best ideas when we leave the job behind. We might go to the movies and find a surprising connection to an upcoming unit or read the newspaper on a Saturday morning and catched a related article. We never totally turn off our teacher brains, but we've learned how to shift into lower gears. (...)
Work smarter not harder.

in "Teamwork: Setting the Standard for Colaborative Teaching, Grades 5-9" by Monique Wild, Amanda Mayeaux and Kathryn Edmonds.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Viva!

Chegou de mansinho mais um ano! Tão depressa que o tempo passa! As aulas recomeçaram e, com elas, as rotinas dinâmicas que levam a bom porto alunos menos conquistados. Burocracia a rodos que nada serve nem nada transforma. O importante continua escondido ou inexistente. 
Promessa de ano novo: não me deixar enredar por assuntos, polémicas, temas, que me transtornem ou me enervem.  Entrar apenas naquilo que me transforma para melhor ou me faz feliz. Nada de fretes por diplomacia. Esse tempo morreu em mim.
Autenticidade positiva nesta década que agora começa.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Bulling


Primeira questão: Não haverá uma palavra portuguesa para o termo? Qualquer coisa como  "ameaça emocional ou física", "sofrimento moral ou físico",  "os nossos medos a virarem-se contra os outros"?
Depois de tantos anos no ambiente escolar percebo perfeitamente quando um aluno se sente vítima de qualquer coisa. Normalmente, os pais também percebem e, em conjunto, com alguma rapidez como tem de ser, a coisa resolve-se. Da minha experiência, sentimo-nos ameaçados quanto mais frágeis somos ou quando o ataque vai direito aos nossos pontos fracos. Não quero de modo algum desculpar o agressor. Se alguém muito querido fosse vítima, com toda a certeza o agressor se sentaria nos bancos do tribunal e teria muito que dizer à polícia.
Muitas vezes esquecemo-nos que somos cidadãos com direitos e que nem só a Escola tem de resolver estes crimes que vão acontecendo como foi hoje notícia nas televisões. 
Conheço de cor a lei 51/2012 mais conhecido como  Estatuto do Aluno e Ética Escolar, que considero estar muito mal elaborado e muito pouco adaptado à escola actual. Todas as medidas disciplinares correctivas ou disciplinares sancionatórias não são suficientes para estes casos. A tutela vai fechando os olhos e só os vai abrindo quando são notícia nos telejornais. Foi engraçado perceber nos diferentes debates que juristas não conhecem esta lei e a resumiram à retenção do aluno como castigo?? Retenção? Aonde? Como? A medida máxima é a expulsão do estabelecimento de ensino e, aí sim, a tutela é célere em colocar o aluno noutro estabelecimento de ensino onde continuará com os mesmos comportamentos!
Muito a fazer no mundo da educação!! Muito pouca vontade por parte de quem faz as leis em gabinetes forrados a seda, de conhecer a realidade e, a partir daí, elaborar leis diferentes da que temos  que  quando aplicada só resulta mesmo em trabalho para os professores e resmas de papel escritas
. Tudo o resto continua igual à espera que os agora alunos agressores cresçam e a vida os ensine (ou não!) e as vítimas daqui por uns anos frequentem os consultórios dos psicanalistas para verbalizar medos e terrores começados nos corredores da escola que não as soube ou não conseguiu defender!

terça-feira, 29 de outubro de 2019

What Is Home? ·


Campanha da Cáritas que aborda o tema das migrações e dos refugiados. 
Hoje foi dia de motivação para que os meus alunos participem e façam um filme em que, depois de pensarem, digam o que é para eles a casa.
A conversa permitiu que também eu desse o meu contributo e fui desafiada a dizer o que é para mim a casa. Não tive tempo para responder.
Aqui fica a resposta:
Casa para mim, é começar a subir o monte e chegar a um sítio em que me conhecem pelo meu nome de menina pequena que mais ninguém conhece. É o cheiro a lareira. É o silêncio dos grandes espaços. É o frio gélido que vem da montanha e lambe as ruas e as esquinas. É  segurança que a família nos traz. É sentir que tudo está certo mesmo que não esteja. São as recordações. É o aconchego. É conhecer tudo e todos como se sempre tivessem estado ali. É ninho fofo e quente onde as noites me abraçam e protegem.

domingo, 15 de setembro de 2019

Autocompaixão

Um tema novo que ando a gostar de explorar!


Preencha a seguinte frase:
 “Eu tenho medo de não ser... o bastante.” 

A ideia é que você responda a primeira coisa que vier à cabeça, sem ficar racionalizando? E aí, como foi pra você preencher essa frase? Veio algo de imediato ou de repente não veio nada? Veio apenas uma palavra ou vieram várias? 90% das pessoas que preenchem esse exercício pensam em mais de uma palavra antes mesmo da frase ter sido completada. E as respostas mais comuns tem a ver com ser bom ou perfeito o bastante. Essa situação interna de escassez é uma tendência mental que é a base do ciúme, da cobiça, do preconceito e das nossas interações com a vida. Segundo a antropóloga e ativista Lynne Twist, vivemos numa cultura da escassez, que tem como base a vergonha, comparação e desmotivação. Brené Brown, especialista em vergonha e vulnerabilidade, chegou a uma conclusão bem importante, que pode não ser exatamente a sua própria questão, mas é para um grande número de pessoas. Não nos damos muitas vezes o que precisamos pois não nos sentimos merecedores. E não nos sentimos merecedores pois não nos sentimos bons o bastante. Estou falando de uma cultura formada em torno da escassez. Vamos compreender no que isso se manifesta? Escassez: o problema de nunca ser bom o bastante. 

  • Nunca ser bom o bastante.
  •  Nunca ser perfeito o bastante.
  •  Nunca ser magro o bastante.
  •  Nunca ser poderoso o bastante.
  •  Nunca ser bem-sucedido o bastante.
  •  Nunca ser inteligente o bastante.
  • Nunca ser correto o bastante. 
  • Nunca ser seguro o bastante. 
  • Nunca ser extraordinário o bastante. 
A compaixão de si é tão central à nossa felicidade quanto a que nutrimos pelos outros – se não até mais - e, mesmo assim, para muitas pessoas parece tão estranha e desconfortável quanto andar por aí plantando bananeira. Se ainda não estamos acostumados com isso, é necessário começarmos a desenvolver esta prática. Quanto menos autocentrados e mais voltados para o mundo, mais felizes somos, mas a autocompaixão é totalmente diferente de narcisismo. É possível cuidar de si ao mesmo tempo que se está atento aos sentimentos e às necessidades de outras pessoas ao seu redor. Os benefícios para a saúde mental e física que advêm da autocompaixão nos permitem inclusive cuidar melhor dos outros. A autocompaixão tem 3 elementos principais: 

1) Atenção plena é reconhecer as coisas que acontecem sem resistência e sem se superidentificar com o que chega.
 É saber que a mudança é a lei da vida, e que nada do que acontece nos determina. Tem a ver com lidar com os acontecimentos com abertura, receptividade, não-julgamento e curiosidade. Ou seja, você aceita o que vier, para então poder tomar alguma ação a respeito. É importante entender que aceitar o que acontece não tem nada a ver com passividade, pois não é possível transformar sem antes aceitar. Sabe aquele ditado “aceita que dói menos”, pois é, cabe muito aqui. O nosso sofrimento é menor quando resistimos menos a ele e simplesmente aceitamos o que se apresenta, tomando as ações necessárias para lidar com o que vier.

 2) Gentileza consigo, que é o contrário da autocrítica.
 Aqui é importante ressaltar que a autocrítica não é discernimento, pois ele é importante pra distinguir o que é benéfico ou não. Porém, a autocrítica tem a ver com julgamentos moralizadores em que acreditamos que tem algo de errado com a gente, é a voz interna que nos culpa pela experiência que está acontecendo, principalmente quando sofremos. A gentileza então tem a ver com a disposição de um cuidado amoroso, sem cobrança consigo mesmo.

 3) O terceiro elemento tem a ver com o senso de humanidade comum que se contrapõe ao elemento do isolamento, que nos lembra que todos passamos por muitas experiências emocionais semelhantes, o que nos ajuda a conectar com as pessoas.