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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Aniversário do pai

 


O 10 de Abril era sempre dia de festa! A família juntava-se e tu, no teu lugar à mesa com o teu sorriso matreiro, aproveitávas os mimos e as atenções que todos te davam. No final dizias sempre: Muito obrigado! Parece que ainda te consigo ver, com a tua alegria contida mas muito sentida. 

Eras um Homem do tamanho do mundo.!À medida que o tempo passa, mais me apercebo da maravilha que foi para mim ter um pai como tu. Tinhas graça, gostavas de me fazer as vontades. Um dia pedi-te dinheiro para comprar umas botas verde azeitona qque me apaixonaram numa montra. Tu deste e eu comprei e fiquei feliz. Confesso que foram caras mas eram lindas. Quando cheguei a casa, propuseste que eu fizesse uns autocolantes para colocar na frente das botas com o preço que tinham custado!😍

Mas deste o dinheiro para as botas que podiam ser outras, porque sendo nós tão parecidos, sabias o quanto as coisas excêntricas e topo de gama nos faziam bem à alma. 

Naquela altura eu tinha um modo de me vestir um pouco excêntrico, comparado com o da minha irmã mais velha que era sempre muito elogiada pelas tias avós da aldeia pelo seu bom gosto! Eu, com as minhas roupas diferentes, as minhas mini saias,  não fazia tanto sucesso e, a rir, o meu pai dizia que eu era a rapariga mais mal vestida da aldeia e ria-se muito. Eu sabia que ele não acreditava e ria-me com ele.

Foi muito bom ter levado os meus filhos tantas e tantas vezes  para passar fins de semana, partes de férias, com os avós. Ficaram com boas recordações dos avós, e eles adoravam-nos. O orgulho que o meu pai tinha nos netos  era enternecedor!

O mês de Julho, antes de falecer, passou-o no hospital. Todos os dias estávamos com ele e filho mais velho, quase a acabar o curso, lá estava sempre a estudar ou só a conversar com o avô. Filho mais novo juntamente comigo fomos os últimos a vê-lo com vida! Foi uma boa despedida por entre a pena de saber que ia partir  e a possibilidade de termos as últimas conversas e nos podermos despedir durante quarenta dias. 

Querido pai.


quinta-feira, 19 de março de 2026

Teu coração, teu mestre!

 


Dia do Pai 2026!

16 anos sem te ver mas sei que estás comigo! Como sempre estiveste! Nas cartas ternas que me escrevias, nos  nosssos silêncios que diziam tudo, na alegria que os teus olhos mostravam quando me viam. Penso que se há almas gémeas eu sou a tua. Tantas saudades tuas, pai! Do teu humor, igual ao meu, da tua vontade de progredir, da tua força, da tua forma de amar, do modo observador e atento  com que vias o mundo e o que te rodeava.  

Faz-me falta a tua sabedoria e o teu bem fazer! 

Gostava de ter passado mais tempo ao teu lado e ter tido a possibilidade de viver com assiduidade todos os teus dias. A vida não o permitiu mas sei que partiste realizado com a família que deixaste. 

Continuo a amar-te como sempre! Desde novo, cheio de vida, até aos últimos dias,  tão penosos!

E quando tenho dúvidas nas decisões da minha vida, lá está a tua frase  com que tantas vezes remataste as minhas conversas de dúvidas e de incertezas - o teu coração, teu mestre! 

Continuamos pai. Oiço o coração, penso em ti e sigo por estes caminhos pedregosos da vida!

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Saudades do pai


 Acordei a pensar nele e na falta que faz aos meus dias. Ter-te por perto, fazia-me mais segura e empoderada. Sabia que nutrias por mim, além de um grande amor, uma admiração pelo que sou (ou fui!). 

O teu sentido de humor sobre as minhas características, eram abraços emocionais e o teu sorriso e o modo como me tratavas eram o sol da minha vida. Por vezes chamavas-me " a menina Eulália" e contigo eu sempre me senti menina. 

Gostavas que eu seguisse as tradições, gostavas de me ver fazer filhoses (como dizemos) ou temperar um cabrito que tu dizias eu fazer como ninguém. Há lá coisa melhor que ter o apreço de um pai?

Guardo as tuas cartas escritas com a tua letra tão característica como se fossem relíquias e, de vez em quando, vou revisitar esse passado que não volta. 

Gostavas da minha casa de praia e vivemos lá muitos bons momentos! 

Tinhas um humor tão teu e que é também tão meu que ainda agora me emociona. O meu está a perder-se por falta de parceiro na picardia.

Fazes-me falta para conversar contigo sobre a vida, sobre o que vale a pena, sobre as imperfeições que eu queria não existirem. Tu, com a tua inteligência e sabedoria, dir-me-ias que tudo faz parte da vida, que a vida não é um mar de rosas e temos sempre de seguir em frente. Embora sofresses, sabias (tal como eu) que tudo passará.

Invejo ainda hoje a tua inteligência e tenho pena, que por fraca visibilidade dos teus pais,  não tenhas sido um grande engenheiro ou um grande gestor!  

Tenho saudades da tua cumplicidade comigo e dos teus desabafos. 

Guardo comigo um dia em que quebraste a tua atitude mais séria,  quando já doente, me deitei ao teu lado na cama  e me aconcheguei a ti. Senti a tua ternura pelo gesto e, mesmo sendo pouco tempo, é das recordações mais doces que tenho. Tiraste a capa do querer parecer duro e ficámos só dois adultos que se amavam no mais fundo dos nossos corações. 

Saudades de ti, meu pai!

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Continuação

 


Assim andaram algum tempo, minha mãe fazendo que não lhe ligava e o meu pai cada vez mais incentivado e apaixonado. Veio o tempo da tropa. Rumou a Coimbra, ao quartel da rua da Sofia. 

Mal sabia ele que, anos mais tarde, haveria de ter naquela cidade duas casas e viveria ali ainda alguns anos da sua vida!

Sem saída para a sua história de amor, escreveu-lhe uma carta  dando-lhe conta do seu amor e das suas intenções de formar uma família com ela. Se a resposta fosse negativa nunca mais pensaria nela e acabaria tudo o que ainda não tinha começado oficialmente. Meteu no envelope outro já com selo para a resposta pretendida. 

Minha mãe recebeu a carta! Pasme-se, deu a ler a carta ao pai! Os dois, depois de ponderarem, resolveram dizer que sim ao pretendente. Rapaz trabalhador, bonito, acredito que a minha mãe se teria sentido muito feliz ao escrever a carta na volta do correio. 

A partir dali tudo foi fácil: comprometeram-se, casaram e ficaram juntos 60 e muitos anos. Foram sempre o meu modelo de amor! Grande equipa! O que um não tinha, o outro compensava.

Histórias de amor

 


Os meus pais eram pessoas muito diferentes um do outro mas amaram-se muito durante toda  a vida. Eram ainda primos e tinham as mesmas raízes. A minha mãe foi educada com mais esmero por uma mãe que não deixava nada ao acaso e o meu avô velava pelos bons costumes normalmente, nesse tempos, ligados à religião. Era um homem do regime como se dizia nessa altura.

O meu pai tinha mais irmãos, eram três rapazes com pouca diferença de idade, bonitos e que gostavam de viver a vida. Os pais não se preocupavam muito com a sua educação desde que trabalhassem e ajudassem no amealhar da casa que se queria farta. Gestos de carinho não existiam e minha avó paterna delegava totalmente a educação  dos filhos homens na figura paterna.

Mesma família ancestral, padrões educativos completamente diferentes.

Meu pai reparou na minha mãe muito cedo. Aparecia-lhe aos caminhos tentando falar com ela, fazer parte do caminho em conjunto mas ela, aparentemente, não correspondia. Tinha outros pretendentes e um deles aprendia a arte da alfaiataria em casa de meu avô. Ciúmes terríveis apoderavam-se do meu pai, principalmente quando soube que haveria uma representação de uma peça teatral onde minha mãe e o pretendente participavam. Meu pai ofereceu-se para montar o palco e, como pagamento, só queria um bilhete para assistir. 

O palco ficou bonito e na noite da representação quem controlava as entradas era o pretendente que, fazendo-se de desentendido, lhe disse que não tendo dinheiro nem bilhete não poderia assistir. Tentou mas não conseguiu. Regressou a casa furioso. Já no quarto, olhou para os fios eléctricos que lhe passavam perto da varanda. Uma ideia macabra tomou conta dele. Com um objecto não condutor, puxou com força os cabos até partirem e deixar toda a aldeia às escuras!

Saiu de casa e veio para o adro da aldeia ouvir todas as vozes de desilusão dos assistentes que voltavam a casa sem assistir à sessão.

Sentiu-se vingado. Não representou para mim, também não representou para mais ninguém. 

O que ele se ria, durante toda  vida, sempre que contava esta proeza!

terça-feira, 12 de agosto de 2025

15 anos sem te ver!

Era aqui que tu colocavas uma tábua entre duas dunas e ficavas horas ver o mar. Saudades!

Sentir-te, sinto-te todos os dias! Oiço a tua voz  e até sei o que dirias em certas situações. Sei também que estarias super feliz pelos teus netos. Eu iria contar-te o que fazem, o que planeiam e os teu olhos brilhariam como sempre fizeram com os meus planos e as minhas realizações. Oxalá que do outro lado tudo isto seja possível.

São boas pessoas, pai!

E eu? Olha vou andando tentando seguir o teu exemplo, rindo em conjunto com os meus irmãos, das tuas aventuras, das tuas piadas e da tua postura na vida!

Saudades imensas mas memórias de ti a top. 

Continuo a amar-te! Tanto!!

quinta-feira, 12 de junho de 2025

País que não se entende

 

querido pai

Hoje, decorreu o julgamento de um ladrão que há mais de 17 anos assaltou de uma forma vil e desumana o meu pai. Naquela altura, vi-o sofrer imenso com o caso. Não eram assaltos comuns. Fazia-se passar por um parente afastado e, conversa puxa conversa, arrastava as pessoas idosas até casa onde lhes pedia algum dinheiro emprestado. Quando percebia que o tinha, depressa lho tiravam da mão e fugia. Foi o que aconteceu. O pai sofreu não só pelo roubo mas por se ter deixado ludibriar. O mesmo me aconteceria a mim. Perante a foto do individuo, reconheceu-o logo.  Viemos a saber que a polícia o conhecia e que naquela altura atacava no bairro dos Olivais em Coimbra, mas que quando começasse a ser notado se deslocaria para outro ponto do país onde continuava o esquema de roubo, muitas das vezes com a ajuda do filho, para aprender o ofício e sempre conduzindo grandes carros. 

Passados17 anos (!!!) foi julgado hoje. Daqui a uns dias saber-se-á o resultado.  Como testemunhas apenas os filhos dos lesados porque os que sofreram já partiram. Triste, muito triste. 

Num tempo de internet, comunicações ao segundo, todos os meios ao alcance  como se deixa um individuo roubar pessoas idosas durante tantos anos, com variadíssimas queixas na policia, em diferentes locais do país, com um esquema parecidíssimo em todos eles, com desenhos e fotografias do ladrão,  sem lhe montar um cerco, sem ser vigiado, sem nenhuma pena?

Revolta pelo país que deixa andar  e pena pelo sofrimento sem remédio do pai. 

quinta-feira, 10 de abril de 2025

O divino no meu dia a dia


 Fui à missa por alma do pai. Fazia anos hoje! Como ele gostava destes dias de aniversário rodeado pelos que o amavam. No último, estivemos todos e foi muito bom.  Agora resta a missa por alma dele, onde  penso muito nele, no que tenho dele e no que deixou em mim. Aproxima-me e  gosto disso. 

Antes da missa reza-se o terço e eu vou mais cedo para usufruir desta paz, nesta igreja tão bonita, tão cheia de história e tão solene. Uma calma inexplicável desce sobre mim e ali fico rezando e sentindo-me leve e feliz. Gosto de ir sozinha para estar comigo. Para pensar nos dias, no que é importante e no que nem por isso. Colocar tudo em perspectiva, alinhar pensamentos e decidir comportamentos. 

Vim nova, com vontade de realizações e também com muita relativização em muita coisa da minha vida. Se for é se não for também não me molesta!

quarta-feira, 19 de março de 2025

Hoje é o teu dia! Como todos os outros.


 Sempre presente na minha vida e nos meus dias. Sentindo a tua mão que me guia e ampara. Ouvindo as soluções que aparecem do nada como antigamente tu me aconselhavas. 

Achavas-me piada! Eu sei! Sempre soube! Exagerava muito para te fazer rir ou sorrir que não eras homem de grandes manifestações! Gostava de te contar histórias em que o exagero estava sempre presente porque tu achavas graça. 

A tua presença transmitia-me uma paz que nunca mais senti! 

Somos parecidos física e psicologicamente! Percebia-te sem ser necessário conversar. Sabia quando estavas feliz e quando algo te preocupava. Sabia ler-te com muita facilidade! 

A única pena são os abraços que não te dei, por pudor talvez, e as palavras de amor foleiro que pensei que não apreciavas. Presentemente, penso que terias apreciado e muito. 

Agora já deves ter percebido que, cá em  baixo, sentimos muito a tua falta e falamos muito de ti e das tuas proezas.

 Tinhas tanta graça! Saudades imensas dos teus ditos e dos teus ensinamentos.

terça-feira, 18 de março de 2025

As minhas estrelas

 


Vi um filme curto em que dois gémeos, na barriga da mãe, falavam sobre a possibilidade da vida para além do parto. Dizem que andamos! Mas não é possível! Dizem que comemos  mas a nossa alimentação é através do cordão umbilical! Dizem que vamos ter uma mãe que cuida de nós! Mas onde está ela? Nunca ninguém cá veio para dizer como era a vida após o parto! Se estiveres com atenção, ela está acima de nós e rodeia-nos. Nós estamos nela!

O filme era uma comparação com a vida após a morte! Os nossos estão connosco mas nós não os vemos. Estão a proteger os nossos passos e  se, estivermos com atenção, vamos dar conta dessa protecção e desse amor! Tão verdade!

Queridos pais! O silêncio traz-me sempre ecos do vosso amor por mim!

sábado, 8 de março de 2025

Mensagens importantes

 


Hoje é o dia da mulher. Todos os dias são! Dias de luta e de superação. Diga-se o que se disser as mulheres são sempre mais sacrificadas que os homens. Fomos educadas assim, talvez!

Hoje, estive a arrumar e a rever a correspondência com os meus pais de há muitos anos atrás que eu guardo religiosamente. Foi muito emocionante. Pensamentos deles que agora são iguaizinhos aos meus. A vida no seu melhor!!

Deixo o texto de um postal de aniversário daa mãe para mim. Uma forma de recordar a força das mulheres e principalmente da minha querida mãe e o modo como ela me sentia. 

Minha querida filha

Mais um ano que passou na labuta constante da vida. Que nunca te faltem as forças de que tanto precisas para dedicares a todos os que andamos à tua volta e tanto precisamos de ti, das tuas palavras e dos teus conselhos. Deus te proteja e te guarde e te dê muitos anos de vida e muita felicidade com os teus dois amorzitos. São os desejos destes teus dois amigos verdadeiros e que não se esquecem de ti, estejam onde estiverem. Que nada te falte para poderes lutar pela vida fora. 

Os pais amigos José e Emília

Estejam onde estiverem, queridos pais, podem continuar a olhar por mim, por favor!!

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Gerações

 


Quando comprei a casa onde vivo, tinha grande orgulho na minha sala cheia de luz, grande tamanho, grandes sacadas e uma varanda que a rodeava. Estava orgulhosa quando chegou o meu pai para a visita.

Ele olhou, gostou mas, lá para o meio da conversa, disse:

Sabes, esta sala é muito grande! Fazias bem em dividi-la ao meio com pladur. Colocavas uma porta grande e ficavas com uma sala de jantar e outra de estar com a respectiva lareira! Ficava mais aconchegante!

Sacrilégio! Tinha sido o tamanho da sala o que me tinha feita enamorar da casa. Poder ter todos à volta de uma grande mesa, numa sala cheia de luz.

O outro dia, sozinha no sofá da dita sala, comecei a olhar à volta e a pensar: e se eu dividisse  a sala? Ficava muito mais acolhedora! Mais fácil de aquecer, e mais cosy. Depois lembrei-me do meu pai e da sua sugestão!

Querido pai! A vida a trazer a razão às tuas ideias! O tempo a colocar no lugar aquilo que antes parecia improvável!

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Há 14 anos que não sinto a tua voz nem te vejo

 


Na varanda da casa de Coimbra a ver-nos partir

Mas continuo a ouvi-la e a sentir-te junto a mim!

Morreste-me numa madrugada quente nos cuidados intensivos do hospital! Se eu esperava? Penso que na minha ingenuidade acreditava que, tal como das outras vezes, sairias  pelo teu pé e sentar-te-ias à mesa de camilha a olhar para todos nós com o teu olhar atento e carinhoso. Não foi assim.  O que sempre te regeu a vida, sentiu que era hora de descansares.  Talvez fosse!

O teu corpo aguentava já com muita dificuldade tudo o que lhe pedias! 

Tanta falta que me fazes meu pai! Tanta falta!! Que orfandade em que me deixaste minha alma gémea que percebia tão bem como eu pensava, o que eu queria e o que me fazia feliz!! 

Gostava de ter vivido mais tempo contigo! Tempo inteiro sem interrupção. Sinto que o nosso amor foi crescendo entre os espaços de ausência e talvez não tivesse de ser assim!

Continuas comigo e eu contigo. Seremos assim até à eternidade.

segunda-feira, 18 de março de 2024

O dia do pai é quando a filha quiser


 Meu querido pai! A falta que tu fazes aos meus dias! O teu olhar bastava para me sentir amada e acolhida. Éramos duas gotas de água e agora estou só eu.

 Sem grandes gestos de ternura mas com uma sensibilidade, um acolhimento, uma grandeza de carácter que todos os dias me fazem falta. 

Tinhas medo da morte e eu tinha muito medo de te perder. Até que partiste quase sem dar conta! Na véspera, ainda tentaste falar comigo mas eu não percebi e ainda  hoje tenho pena de não ter percebido!

Ensinaste-me tanta coisa da vida mas a mais importante talvez fosse a de me rir de mim própria como tu te rias das desgraças tentando fintá-las e continuar em frente. Conseguias sempre!

Ensinaste-me a viver o presente quando se nos apresenta. Não é o momento certo? Não importa. Vamos viver. Aprendi contigo a felicidade das pequenas extravagâncias. 

Ensinaste-me o valor do esforço, o valor do trabalho e a força de uma família. 

Ensinaste-me a dedicação  com que sempre te vi tratar a mãe  no início da sua doença.

Ensinaste-me que não vale a pena olhar para trás porque a vida segue em frente e o futuro nos espera. Podia ter sido de outro modo o passado mas já se foi e todos tomámos más decisões na vida e o que interessa é o saldo final ser positivo.

Ensinaste-me o riso, ou por outra, o sorriso contido quando nos tinhas todos por perto.

Ensinaste-me que a inteligência é uma boa lente para dela se ver a vida! E tu eras tão inteligente!

Ensinaste-me o valor dos bons momentos juntos, os almoços, os passeios, a torrada e o galão na pastelaria da esquina. São cimento na minha relação eterna contigo.

Ensinaste-me a educar. Austero no que valia a pena e benevolente na banalidade das coisas diárias como quando te entregava as folhas dos gastos da casa de Coimbra que tu sabias serem falsos e forjados na véspera.  

Vida dura a tua, pai! Tanto que te devo! Tanto que nem merecia!

Acredito que donde estás me guias os passos, me acompanhas e, muitas vezes, hás-de ter abanado a cabeça em sinal de discordância com os meus actos. Fazes- me falta para te confidenciar assuntos que me atormentam e eu sei que tu resolverias num instante com a tua sabedoria,  no teu falar pausado e mestre.

Tenho saudades dos abraços que não te dei! Dos beijos que ficaram na intenção. Dos elogios que não saíram do pensamento. Agora já sabes PAI  o quanto eu te amei em todos os dias da minha vida.

Homens e mulheres da Serra que vivem como granito escondendo a ternura que, sentem, os torna fracos!


quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Histórias



Aos domingos, pelo meio da tarde, aparecia na aldeia um casal com um camião  que vendia cobertores. Não sei bem porquê, o meu pai era  atraído por estas compras e aparecia sempre com um novo cobertor em casa. Tenho ainda alguns, envoltos em plástico para que não se estraguem, mas no tempo dos fofos edredons é difícil que tornem a ser usados. 
Eis senão quando dou de caras, numa revista de decoração, com uma reportagem sobre uma casa super chic na Comporta e ali estava um cobertor igualzinho ao meu transformado em  rei do quarto! 
Tudo tem o seu lugar, tudo tem a sua oportunidade! É necessário, ter ideias, misturar, dar uma nova vida. Nada sai de moda desde que bem enquadrado.
Obrigada pai pelas boas compras!
Amei!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

O que fica de nós quando nos vamos

 


Hoje falou-se no meu pai. No que ele era e como está cada vez mais presente nas nossas vidas e nas nossas mentes. O que eu admirava mesmo nele? Aquilo que eu também sou!

Gostava dos bons momentos da vida. De desfrutar  do que gostava como um bom almoço num restaurante do seu agrado, de tudo o que era novo e que adquiria mesmo que, algumas das vezes, o fizesse com algum sacrifício. Logo que apareceu a televisão a cores ele comprou. Lembro-me das tias velhas que vieram lá a casa ver a novidade e uma delas ter afirmado categórica: parece-me que gostava mais da de preto e branco!!

Quando resolvemos ir viver para Coimbra, minha mãe queria comprar uma casa velha para remodelar. Meu pai passou um fim de semana com ela a ver casas a precisarem de grandes reformas, em sítios pouco simpáticos. Ao terceiro dia declarou: acabou-se. Quero uma casa nova.

Comprou-a e foi uma festa a sua estreia. Estava feliz. E eu com ele. Tão bom ter uma casa novinha a estrear em 1972. Foram bons tempos aqueles!

E foi mesmo o que ficou dele: o gostar de festejar, a alma inquieta perante as novidades, o riso franco quando tudo parecia ir mal, a inteligência superior perante a vida e as situações.

Continuo a conversar muito com ele em pensamento e adivinho o que me diria a alguns dos meus dilemas atuais. Tudo isto, preferencialmente à frente de um belo polvo à lagareiro, seu prato preferido, num dos seus restaurantes preferidos.

Querido Pai!



quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Coisas de meu pai




Como duas gotas de água, eu e ele nem necessitávamos  de falar. Sinto umas saudades imensas deste entendimento que nunca mais senti! Podia contar-lhe tudo e ele a mim. Já no fim da vida, tornou-se mais solto nos desabafos e eu ria com ele e aconselhava-o. 

Lembro-me especialmente e com muita saudade de um passeio de carro que fizemos os dois para falar de coisas muito importantes na minha vida. Eu conduzia e ele ouvia as minhas razões. Acabou da forma como sempre acabava:

O teu coração é  o teu mestre. Tens de ouvi-lo!

E, com o tempo, habituei-me a esperar que o coração falasse. Antes de decidir qualquer coisa e não sei o que fazer, espero pacientemente que no meu cérebro o coração comece a formar a resposta. Quando tal acontece desce sobre mim uma grande certeza e decido bem. Aprendi com o pai e tenho desenvolvido a técnica de ouvir o coração. Nunca se engana! Mesmo que pareça o contrário, o tempo acaba sempre por colocar tudo no seu lugar.

Querido pai!

terça-feira, 19 de maio de 2020

Coisas que me enternecem


 

Descobri esta foto do pai quando tinha exactamente a minha idade. Ainda cheio de força e de vontade de viver. Gosto de o relembrar assim e depois comparei comigo, a sua alma gémea. O sorriso é o mesmo. As vidas são diferentes mas está lá tudo igualzinho querido pai. Até as doenças!

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Hoje era um dia importante! E ainda é!


Enquanto eu me lembrar do teu aniversário meu pai, continuará a ser um dia importante. Era dia de estar contigo e de teres a família à volta! Hoje seria impossível mas onde estás, tão longe mas acredito que tão perto, a velar por nós, estarás feliz por saber que ainda és importante nas nossas vidas. 
Tantos momentos pai, tantas coisas que dissemos um ao outro, tantas confidências, para tudo acabar numa cama fria dos cuidados intensivos. Tu sozinho como não gostavas e, ainda hoje, me perseguem os remorsos de não ter lá estado quando partiste ou ter pressentido que te ias e ter-te trazido para casa ou...ou... 
Eu sei que está tudo certo porque não podia ser de outra maneira mas no coração há sempre razões para duvidar. 
Parabéns querido pai! Sem ti, a minha vida está muito mais pobre! 

quinta-feira, 19 de março de 2020

Dia do Pai




Já lá vão 10 anos querido pai em que não oiço a tua voz! Continuo a ouvi-la dentro do meu peito com o mesmo timbre, a mesma entoação e a visão dos teus olhos que a acompanhavam.
Vivo hoje de recordações de ti e descubro ainda muita coisa do que foste.
A tua coragem em primeiro lugar. Homem forte, cheio de força, cheio de garra e entusiasmado sempre com o futuro.
O teu sentido de família. O que te alegrava cada uma das nossas conquistas e o que te entristecia cada gesto nosso que não consideravas o melhor.
O teu não queixume. Tanto que sofreste fisicamente sem te queixares, sem te lamentares apenas contente por já ter passado.
A tua vontade de viver. O querer saber sempre mais.
O saber ouvir. O meu melhor companheiro nesta coisa de contar só por contar. A pessoa que melhor entendia o meu ser.
O amor que tinhas pela mãe e a preocupação pelo bem estar dela.
O amor contido, terno, doce e imenso que tinhas pelos teus netos.
A tua inteligência superior. O teu bom senso. A tua visão sempre certa sobre o mundo.
Um certo aprumo afectivo que dispensava grandes abraços mas admirava grandes presenças.
És o meu querido pai a quem tenho pena de não ter dado muitos mais abraços porque uma das recordações mais ternas que tenho de ti, nos últimos tempos da tua vida, foi um dia em que me deitei a teu lado, me aconcheguei a ti e vi tanta mas tanta ternura nos teus olhos que ainda hoje me conforta nos momentos menos bons.
Querido Pai!