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sábado, 13 de janeiro de 2024

Estar (ou ser) feliz


 Com a cabeça cheia de ideias e algumas já concretizadas. 

Escolher presente especial para o meu aniversário. Tem mesmo de ser muito especial mas penso já saber o que realmente quero. Ambientes cheios de glamour são  sempre um prazer  para mim.  Começou hoje a ser feita a  lista dos favoritos! Sempre há alguma vantagem em fazer anos!

Grandes mudanças também na casa da praia. Ter paciência para que os técnicos façam o que é necessário. Mais 15 dias dizem eles! Hoje fui lá e fiquei muito cansada. O meu pé pede cama e descanso.  No entanto, apesar das mazelas, fico sempre feliz. 

Pensar a longo prazo em alguns acontecimentos bons que se esperam lá para o Verão!  No meio desta chuva e frio são um incentivo para me mantar à tona. 

A necessidade de uma intervenção cirúrgica  leve, perturba um pouco os meus dias. Inevitabilidade das coisas e da idade. Pensar que são só dois ou três dias e tudo voltará ao sítio. Espero eu!

Amanhã vai ser um dia bom!


sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Paixão

 


Todo o ser humano devia passar pelo estado de paixão!

 Sair de nós para encarnar o outro. Viver dia e noite com a obsessão do outro, eléctrico, apressado, arguto na interpretação de gestos e de palavras. Viver só para agradar, para endeusar quem já é deus. Não ter fome nem sede, porque tudo se esfuma em presença do ser amado. 

Mesmo quando não correspondida, é uma lição imensa sobre as potencialidades da visão que podemos ter de nós e do mundo. É alcançar a transcendência. É saber que em qualquer momento podemos elevar-nos e ser muito mais do que somos. 

No estado de paixão a perfeição existe! Depois, pouco a pouco, o deus torna-se humano, as brechas vão aparecendo, as imperfeições tornam-se visíveis e voltamos ao que éramos. 

Mas, enquanto dura, somos empoderados e fica para sempre essa felicidade de que um dia já fomos invencíveis e tudo conseguimos. Tão bom ter tido essa certeza!


quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Sugestões boas

 


Ontem recebi uma mensagem de querida sobrinha! Dizia ela que foi uma pena eu ter deixado de escrever  no blogue porque tinha um pouco da nossa vida e encerrava, em cada texto, tanto de mim que ficaria  perdido se eu não lhe continuasse a dar  vida. Argumentei que a falta de leitores e a viragem para o Instagram me tinham retirado a motivação. Na era dos podcasts também não fazia muito sentido! Andava ainda à procura de algo novo para me expressar. 

Passei à pesquisa e concluí que o meu objectivo não é ganhar dinheiro mas unicamente um modo de comunicar e de escrever momentos de alma.

Este espaço acompanhou-me durante anos muito importantes na minha vida! Este ano não escrevi mesmo nada. No final do ano, quando andava feliz com as minhas aulas de ténis a sentir-me novamente adolescente, rompi o tendão de Aquiles. Operação e uma recuperação de quase meio ano. Comecei a trabalhar com trabalhos moderados em meados de Maio. Em Outubro, as dores tinham passado para o pé e segundo os especialistas  deviam-se a artroses e outros quejandos degenerativos. Apareceram e não vão embora. 

Tratamentos inovadores  feitos pelo @miguelreisesilva, ténis e palmilhas especiais oferecidas por ele tem-me feito bem e as dores já não são tantas. Não posso ainda caminhar muito mas a esperança começou, lentamente, a voltar.

A 7 de Novembro fui novamente avó de uma menina linda, a primeira filha de filho mais novo. Uma alegria imensa e tudo envolto numa nuvem de felicidade. 

Ser avó de quatro meninas é uma alegria imensa. Faz com que me mantenha jovem, me faça puxar por mim para poder estar com elas e para que se lembrem de mim. 

Com o passar do tempo tudo se inverte e queremos acelerar a vida para que nada fique por fazer. 

Preparar o Natal para todos é um momento alto que, devido aos condicionamentos da minha situação, me levou mais tempo a finalizar. Mas é tão bom ter cá a família!! 

O ano acabou com o falecimento do querido tio António Maria. Era mais que um  tio. Vou ter saudades dos seus telefonemas semanais, do seu riso e de todos os seus gestos de amor para com todos nós. Grandes férias passámos todos juntos! Encontrá-lo-emos na próxima curva da estrada.  Só deixámos de o ver mas ele está lá.


Obrigada Ana!


quarta-feira, 2 de novembro de 2022

35 anos!

 


Esta foto tem uma história cómica sobre a quantidade de bagagem que o Miguel transportava para as provas instigado por mim! Havia sempre qualquer coisa que eu considerava ser importante o que no final resultava em sacos e mochilas sem fim!

E aqui chegaste! Feliz, cheio de projetos, alguns já concretizados, e uma família linda!

E mesmo que não estejas feliz, pareces sempre! Resiliente, pragmático, proactivo e com uma confiança em ti e nos que te rodeiam que me enternece.

Ouvir-te é acreditar no que há-de vir! É sentir que tudo vale a pena! 

Ver-te no papel de pai de três é das visões mais claras e felizes. 

Hoje na terra onde estás (Tailândia) já é dia de aniversário! Tenho pena de não poder abraçar-te e dizer-te que gosto de ti muito, muito!

Sempre a dar o máximo na vida como em tudo em que te envolves. Sempre a sentir que tudo vale a pena mesmo que seja só pela experiência. Grandes lições que me tens transmitido!

Estar contigo é regressar a casa mais forte e confiante.

Volta depressa.

PARABÉNS! 

Vamos festejar mais tarde!

sábado, 15 de outubro de 2022

Do ser professor

 


Dizem que estamos velhos. Que há um grande fosso de gerações! 

Não concordo nada. Continuamos a aprender uns com os outros. Se sou chata? Sempre fui! Os meus alunos sabem que não há telemóveis nem mochilas em cima das mesas, que os materiais são apenas os da disciplina, que fala um de cada vez, que entram ordenadamente na sala, que detesto más respostas e os pais são sempre avisados do sucedido e que sou exigente com as aprendizagens e com o modo como realizam as tarefas.  As horas em que estamos juntos são de aprendizagem.

Com eles aprendo a irreverência da adolescência, o riso fácil, o encantar-me com as suas descobertas, as capacidades digitais, o espírito de grupo, já tão desgastado na minha idade. 

Em que os ajudo? A projectar  todos os seus futuros, a mostrar-lhes caminhos que ainda não tinham sido pensados, a dizer-lhes que são capazes, a demonstrar-lhes que pelo trabalho chegamos sempre lá, a relativizar os seus falhanços e a abrir atalhos em insucessos que ainda sangram. 

O que fica para sempre? As frases de incentivo, os bons dias "como está a melhor professora do mundo?", os encontros e os "dê-me um abraço", os olhares que sorriem, os homens feitos que recordam frases que eu disse há 30 anos para me incentivar, agora que sou aluna deles de ténis! Tanta coisa que fica! Tanta conversa, tanto ensinamento, tanta recordação!

Fica um pouco de mim em cada um deles e muito deles em mim!

Grandes alunos que eu tive nestes anos todos! Grandes homens e mulheres que são. 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Já me apetecia voltar!

 


Tempo de interregno! Muito tempo mesmo! Precisava dele para redefinir a vida e as coisas em tempo de pandemia. 

Muitas coisas aconteceram na minha vida. 

Em Fevereiro, serenamente, a minha mãe partiu para Deus.  A sua partida fechou um ciclo longo na minha vida e abriu o ciclo da orfandade. Nunca me senti tão só como agora. 

Fez-me sentir com profundidade o sentido da vida e alterar muita coisa no meu dia a dia. Este murro no estômago, criou uma grande ânsia de viver e de me dar.  Estou mais afoita, menos presa ao politicamente correcto, menos exigente com os outros e muito mais comigo mesma. 

Valorizo muito mais o que vai acontecendo e preparo grandes mudanças na minha vida. Oxalá se concretizem. 

Mudei o corpo e o espírito. Sinto muito mais leveza em tudo o que faço e penso e relativizo com muito mais facilidade tudo o que me aborrece. O silêncio tornou-se um grande conselheiro.

Faço muito mais aquilo que realmente gosto. O tempo encurta.

Andava com vontade de voltar aqui! Mesmo que ninguém leia, é um acertar de ideias comigo mesma que me faz bem. 



quarta-feira, 26 de maio de 2021

Recomeços

 


Hoje, em reunião de colegas,  partilhei o modo como tinha iniciado este espaço. Há muitos anos atrás numa das primeiras formações sobre ferramentas digitais. Olhando para trás, muita coisa mudou desde então. 

Envelheci, desiludi-me com muita coisa que foi acontecendo  e com muitas pessoas, fiquei mais lúcida e  com maior facilidade em aceitar o que acontece de menos bom, percebi que já não tenho todo o tempo do mundo e há que aproveitar melhor o passar dos dias. Centrei-me em mim e naquilo que gosto mesmo de fazer. 

Acredito que tudo tem uma solução e que não vale a pena desesperar. amanhã será outro dia e tudo parecerá mais fácil de resolver. Se não tiver remédio...remediado está, como dizia a avó.

Durante estes últimos tempos tenho andado escondida, metida para dentro de mim, pensando a vida e as coisas. Poucas coisas me apeteceram e aquelas que realmente adoraria realizar não posso, por enquanto.

Não estou deprimida, mas senti que necessitava de pensar muita coisa na minha vida. Mais lúcida neste momento,vou voltando por aqui a ritmo lento. 

sábado, 20 de março de 2021

Mais uns tempos de pulseira electrónica

 

Desta feita é a Semana Santa! O calvário que nos dá tempo para interiorizarmos o que andamos a fazer por nós e pelos outros.

Sinto-me presa dentro de mim e dentro de casa. Tudo me custa mais. Tudo se agudiza. Os problemas avolumam-se até toldarem a claridade do céu que continua azul. 

A poupar intensamente porque sim. Porque também consigo viver sem mordomias e com pouca coisa.

A verdade mesmo? Não me sinto nada bem!

A liberdade dos passos e dos projectos  faz.me muita falta!

Tudo me parece tão artificial que me é difícil nadar no mar da normalidade. 

 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Foto espectacular

 


Tenho-a guardada no meu ambiente de trabalho e de vez em quando olho para ela!

Com o passar dos anos, vamos pensando mais em quem queremos ser daqui a uns anos se a saúde nos permitir. Desejamos não perder os nossos pontos fortes, continuar curiosos e com vontade de viver.

Esta foto foi tirada num passeio, já no tempo do confinamento,  dos utentes do lar de idosos onde a minha mãe está. Passeios pela natureza, sem ninguém exterior, o que lhes permitia respirar ar puro sem contaminações.

Traduz tanta energia, tanta vontade de ser, tanta coragem e tanta leveza que me emociona.

Mais tarde, conversei com esta senhora. Cheia de vitalidade, alegre, com vontade de fazer aquilo de que gosta sem interferências alheias, muito lúcida quanto à ocupação diária do corpo e da mente. Gosta de estar ocupada porque lhe mantém a sanidade mental e a alegria. 

Depois desta conversa, saí a pensar que é assim que eu quero ser. Deixar as amarras da vida e desfrutar os últimos anos em liberdade mental e emocional. 

Grande exemplo!

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Coisas de minha mãe

 


Gostava de ajudar, de ouvir os outros, de concluir sobre as suas necessidades e, sem dizer nada a ninguém, ajudar de todos os modos e feitios. Incomodava-a a pobreza, a carência e a doença que tudo acarreta. Herdou este modo de estar na vida da "madrinha velha" como nós, os seus sobrinhos netos lhe chamávamos. Mulher independente, solteira, com posses, estava lá sempre para acolher quem não tinha com que alimentar os filhos, quem necessitava de medicamentos, ou quem só necessitava de um conselho amigo. 

Quando era pequena, as tardes de Domingo eram passadas em conversas com as mulheres que vinham dos casais e que iam lá a casa acabando sempre por lanchar. Minha mãe ouvia-lhes a solidão e os problemas e tinha sempre uma palavra para cada uma delas. Na penumbra da cozinha, trocavam problemas, carências, dificuldades e saiam, muitas vezes, com sacos de roupa ou outras necessidades.

Perante a grandeza da minha mãe, sempre me meteram muita impressão as falinhas mansas, as conversetas sem fim, as ajudas fictícias, o passar a mão pelo ombro para ficar bem na fotografia e nada mais. 

Ajudar o outro é estar lá com uma dose muito grande empatia. Não interessa dizer que se vai. É preciso ir!

Os dias só fazem sentido, se deixarmos de olhar o umbigo e começarmos a olhar e a ouvir os outros muito para lá do que é visível. 

Como a minha mãe costumava dizer amiúde:

De boas intenções está o inferno cheio.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Decisões importantes

 


Em Agosto, amadureci a ideia e pensei muito na melhor solução para uma vida saudável. Li alguns artigos científicos e juntei-lhes toda a sabedoria adquirida numa vida  de dietas. Optei por voltar ao passado, à comida saudável, às dicas do Doutor Ruas e hoje começa o tempo de tratar de mim e da minha saúde. Nesta época da vida, a parte estética, embora importante, perde pontos para a parte da manutenção da saúde e do bem estar. 

Estamos então neste ponto: zero açúcar, gorduras  no mínimo dos mínimos e hidratos de carbono reduzidos. Espera-se uma perde de peso lenta mas eficaz de modo a que seja sustentável. Paralelamente, um programa de exercício de pesos localizado e muitas caminhadas.


terça-feira, 30 de junho de 2020

A última história ao contrário


Quando era Coordenadora da Biblioteca Escolar institui que seria muito enriquecedor trazer pessoas palestrantes  que tivessem algo interessante para contar e acrescentassem algo aos alunos. Um desses dias, convidei uma "miúda" que fazia voluntariado em África em aldeias perdidas para contar as suas experiências. Foi uma sessão super interessante e na qual também eu aprendi imenso. Entre muitas peripécias ela contou a rir que lá não tinha nome. Chamavam-lhe "a Branca". E os habitantes da aldeia, logo pela manhã, perguntavam uns aos outros:
- Já viste hoje passar a branca? 
Contou também do desconforto que sentia em ter aquela cor de pele  num mundo onde todos eram escuros e a sensação de diferença que não era nada agradável!
Ser diferente é tramado. Seja por que razão for!

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Sobremesas para quem está em casa



Tem de passa várias horas ao computador, não anda quase nada e não pode engordar!
Coze-se um quilo de peras com água e mais nada. Podem ser  pêras rocha pequenas e mal encaradas sem casca e partidas ao meio.
Quando cozidas, escorre-se a água e trituram-se.
Deita-se o puré numa taça e cobre-se com canela!!!
Ah! Ah! Queriam sobremesas elaboradas? Não podemos!!
Contentem-se com estes manjares e fiquem contentes  por, quando acabar esta fase, ainda conseguirem caber na porta da rua, sem um empurrão do lado de dentro! 
Esta é a parte pior de estar em casa!

quinta-feira, 5 de março de 2020

Ainda sobre o post anterior



Toda esta reflexão vem ainda da sessão de ontem da formação que frequento actualmente - EU CONFIANTE.
Obriga a pensar, a relativizar e o mais importante de tudo é que é para aplicar aos alunos que agora se debatem com toda a insegurança destes tempos de redes sociais, tratamento de imagens, mundo virtual, perfeição que não existe. 
Se conseguir que alguns dos meus alunos comecem a ser mais autoconfiantes, mais eles próprios com os seus defeitos e qualidades fico feliz. Já que eu não tive quem me ajudasse neste caminho que trilhei sozinha, que possa agora ajudar uns tantos a conseguirem que as suas escolhas não se pautem pelo medo da rejeição.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Transformada em fada do lar


Decidi que, a partir de agora, vamos começar a usar todas as nossas relíquias. Bordados, rendas,  trabalhos de horas tudo vai ser usado porque quase por acaso senti que durmo muito melhor quando os meus lençóis  são bordados e com entremeios de rendas super finas que me fazem sentir a princesa da ervilha. Sugestão ou não, é um prazer imenso deslizar por estas obras  de arte guardadas há tanto tempo. E para quê guardá-las?
Começou assim uma nova era. Acabaram as roupas do IKEA e afins e começou uma nova era cá por casa. Mais glamour e conforto estavam a necessitar-se. 
Tão feliz que estou! Tão eu e as minhas tradições. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A calma necessária aos meus dias


Cada dia que passa sinto que a ansiedade, o nervosismo, o que não se diz, o que se ouve e não se quer ouvir, o trabalho em espera, os dias cheios e a falta de tempo para fazer o que gosto, o não ter tempo para mim e para os meus hobbies, o viver permanentemente preocupada com os outros, estão a deixar marcas muito fundas no meu corpo e na minha mente.
O corpo ressente-se dando sinais de que algo não vai bem. É necessário ouvi-lo.
Tenho a certeza que o único caminho é abrandar e sentir de outro modo mas tem sido muito difícil de realizar nestes últimos tempos. 
Cada manhã traço objectivos que ficam pelo caminho logo que o trabalho e as preocupações aparecem. 
Mudança efectiva necessita-se.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Actualidade

O ambiente educativo das escolas parece estar pior. Acontecem coisas que há dez ou vinte anos eram impossíveis. Hoje, um aluno de outro ano de escolaridade, abriu a porta da minha sala de aula e  começou a falar com o irmão que estava lá dentro ignorando o decorrer da aula, a minha presença e o facto de esta atitude ser completamente fora da caixa. 
Ontem, o irmão que pertence à minha turma afirmou, perante um técnico do Centro de Saúde, que a mãe costuma oferecer um copo de vinho a ele e aos irmãos mais novos. Confrontado pelo técnico respondeu:
- É só um copo!
Esta mãe ri-se imenso quando recebe participações porque não percebe o porquê dos castigos. Ri-se em frente dos filhos reforçando comportamentos menos próprios. O aluno tem boas capacidades cognitivas que não desenvolve face aos comportamentos desajustados e aos risos fora de propósito. 
A escola, apesar das grades, não é impermeável ao que se passa na família e à sociedade em que nos inserimos. 
O que me preocupa enormemente é que sei que há um comprometimento do futuro feito por estas famílias que vivem o dia a dia sem se preocuparem com o modo como educam e preparam os seus filhos para um futuro que se quer risonho.
A diferença entre o hoje e o antigamente?  
No antes também existiam famílias permissivas e pouco estruturadas face ao projecto educativo para os seus filhos  mas tinham a noção de que assumiam comportamentos pouco desejáveis e respeitavam a entidade Escola e todas as suas regras. No hoje, tudo é aceite e permitido. Tudo é engraçado, a vivência dos dias sem problemas e sem preocupações tomou a dianteira e deixou para trás a responsabilidade dos pais na educação dos seus filhos. O pensamento mágico de que tudo se resolverá tomou conta destas "famílias felizes e sem preocupações".
Até ver!

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Viva!

Chegou de mansinho mais um ano! Tão depressa que o tempo passa! As aulas recomeçaram e, com elas, as rotinas dinâmicas que levam a bom porto alunos menos conquistados. Burocracia a rodos que nada serve nem nada transforma. O importante continua escondido ou inexistente. 
Promessa de ano novo: não me deixar enredar por assuntos, polémicas, temas, que me transtornem ou me enervem.  Entrar apenas naquilo que me transforma para melhor ou me faz feliz. Nada de fretes por diplomacia. Esse tempo morreu em mim.
Autenticidade positiva nesta década que agora começa.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A Forma de não Desistir


Parece um verbo idiota, este contrabalançar. Não seria mais correto pensar que as coisas simplesmente são ou não são e deveriam aspirar por todos os meios a essa clareza, ponto final? Contrabalançar dá a ideia de ficar a meio caminho, abdicando daquela inteireza que, contra ventos e marés, objetiva a nossa verdade. Soa a uma prática de equilibrismo existencial, um pé aqui e outro ali, o balanço de lá e de cá. É como se, em vez de lutar por uma unidade imediata, aceitássemos a divisão como ponto de partida ou como processo, condescendendo com a disparidade que nos coube e enredando-nos num jogo de compensações. É como se assumíssemos a nossa trajetória biográfica como alguma coisa que está e não está completamente nas nossas mãos, alguma coisa cindida que, ao mesmo tempo, dominamos e nos ultrapassa, determinando que viver seja, dessa maneira, uma incessante e dolorosa iniciação à arte do possível, sem passar disso.
Estranho verbo este, contrabalançar, que se diria esconder dentro de si a nossa capitulação. E, contudo, em muitas etapas da vida, contrabalançar é precisamente o contrário: é um necessário e desassombrado exercício de sobrevivência. É a única forma de não desistir de escutar e de dar legitimidade, nas condições reais que nos coube experienciar, não apenas àquilo que nos atinge exteriormente, mas também àquilo que emana de dentro de nós, a essa vida soterrada mas que nos pertence mais do que qualquer outra, porque é a expressão singular da nossa alma.

José Tolentino Mendonça, in 'O Pequeno Caminho das Grandes Perguntas'

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Sobre saber ser professor



Nem todos  sabem! Somos fotógrafos de almas, exploradores de emoções, guias nas horas amargas, palhaços nos tempos de fazer rir, sérios e profissionais para ensinar e amigos para a vida quando as almas se tocam!
Somos tanto e não somos nada! Trabalhamos ao som de uma campaínha que nos dita o tempo. Queremos escutar com o coração mas a campaínha manda que chegam os ouvidos e tudo fica para depois. 
Os alunos têm vidas difíceis. Muito difíceis. Para muitos deles, chegar a casa é  o começo do  tempo da arrelia. Juntar estas vidas e baralhá-las com os dias na escola em que é necessário  saber, tornar-se gente, ter competências que lhes permitam um futuro, um percurso rumo à vida adulta não é mesmo uma tarefa fácil. 
Ajudar, abraçar, castigar, ensinar, ralhar, perdoar, compreender, são verbos que actualmente os professores baralham e dão com grande cansaço emocional. Consertar o que está menos bem para criar o tal espaço, ou caminho que os leve para a frente. 
Grande profissão! Difícil mas muito gratificante!