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domingo, 14 de dezembro de 2025

Arrumar faz bem ao cérebro

 


Passei toda a manhã a arrumar armários de loiça, fotografias, talheres, enfim, colocar tudo no sítio porque o Natal se aproxima e necessito saber onde encontrar tudo o que necessito. 

Ontem as costas lembravam-me que tinha de descansar e foi o que fiz. Hoje acordei sem dor e com a ajuda do sol que entra pelas sacadas, a  vida torna-se mais cor de rosa. 

Falta-me uma vela! Amanhã  tenho de ir à loja para ver se a encontro ainda na cor que quero. 

Fixar, com pormenor, as decorações das mesas de 24 e as de 25 que serão diferentes.

Continuar a actualizar as minhas listas. Modificar a disposição dos móveis para que fiquem confortáveis  e as crianças (seis) possam brincar em segurança. 

A importância disto tudo? Que as minhas netas e sobrinhos netos se recordem, mais tarde, dos meus Natais.



quarta-feira, 16 de abril de 2025

Estados que não voltam

 


Tenho estas fotos no computador porque me lembram um tempo passado, não muito longínquo que já não volta. Fica a recordação destes tempos de alegria e de bom sentir e a vontade de estar juntos só porque sim. Tanta coisa aconteceu, tantos dias amargos, tantos dias assim assim, tanta doença, que a alegria se foi e o tempo apagou o que restava.

Aceitar que viver  é isto! Navegar entre mares revoltos que de vez em quando trazem acalmias para novamente nos fazerem balançar entre vagalhões de água e de espuma que nos toldam e nos tolhem.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

O divino no meu dia a dia


 Fui à missa por alma do pai. Fazia anos hoje! Como ele gostava destes dias de aniversário rodeado pelos que o amavam. No último, estivemos todos e foi muito bom.  Agora resta a missa por alma dele, onde  penso muito nele, no que tenho dele e no que deixou em mim. Aproxima-me e  gosto disso. 

Antes da missa reza-se o terço e eu vou mais cedo para usufruir desta paz, nesta igreja tão bonita, tão cheia de história e tão solene. Uma calma inexplicável desce sobre mim e ali fico rezando e sentindo-me leve e feliz. Gosto de ir sozinha para estar comigo. Para pensar nos dias, no que é importante e no que nem por isso. Colocar tudo em perspectiva, alinhar pensamentos e decidir comportamentos. 

Vim nova, com vontade de realizações e também com muita relativização em muita coisa da minha vida. Se for é se não for também não me molesta!

domingo, 6 de abril de 2025

Coisas que me lembram

 


Quanto mais o tempo passa mais valor dou à educação que os meus pais nos  deram. Foi uma educação integral baseada no valor do trabalho, no respeito pelo mais fraco, na verdade,  na importância do amor familiar e ainda  um grande respeito por cada um de nós e pelas nossas personalidades tão diferentes. Apreciavam-nos embora tivéssemos diferentes maneiras de estar na vida e de pensar. 

Tudo o que sou e como penso, o devo a eles! 

Na quaresma, a minha mãe mandava-me sempre comprar a Bula a casa do padre. Para os mais novos que não conhecem, pagava-se uma quantia que nos libertava de não poder carne às sextas feiras. O papel era bonito, lavrado a ouro e tenho pena de que nenhum desses documentos tenha chegado até ao presente. A minha mãe sabia o que fazia. Era o tempo das sementeiras quando ela tinha imensa gente a trabalhar nas terras. Tinha de os alimentar bem com grandes quantidades de hidratos e de carne para que as forças, perante trabalho tão duro, não faltassem. 

Não pensem que ela se esquecia do período da Quaresma na nossa educação. Nada disso!! O sacrifício era sempre em favor dos mais fracos, pobres ou doentes. Tínhamos que ajudar a vizinha a colocar a lenha no sótão porque o marido estava internado com tuberculose, tínhamos que ajudar nas tarefas agrícolas todas as primas e tias já com mais idade, tínhamos de aliviar a vida de quem já não podia. Esses eram os nossos sacrifícios todos os dias da quaresma. Nos outros também mas menos lembrados.

No dia em que recebi o prémio de melhor aluna do primeiro ano, ela considerou que eu devia repartir o dinheiro que não me fazia falta pelos pobres da freguesia. A minha liberdade foi escolher os pobres a quem iria dar  o meu prémio. Naquela altura, não considerei justo mas ela sempre argumentou que havia meninos que não podiam ir à escola e que eu só fazia a minha obrigação sem grandes sacrifícios e que devia agradecer a Deus a graça de ser inteligente. Ponto! 

Temos falado muito dela e dos gestos de puro amor que tinha para connosco. Ontem, ao telefone, a minha irmã contava-me que quando foi para a Guarda  estudar no Liceu foi necessário arranjar um local para ficar. Foi escolhido um lar residencial gerido por freiras. A diretora foi mostrar-lhe os dormitórios e minha mãe, vendo um dormitório enorme com cerca de vinte camas, decidiu ali que para a filha dela não servia e perguntou se não havia quartos mais pequenos. Havia mas mais caros, mas foi onde ela ficou. Ainda me ri porque a minha irmã confessou que gostaria de ter ficado no dormitório onde estavam as colegas da idade dela!! A mãe não queria confusões!! Ali ficou durante os cinco anos que viveu na Guarda até todos termos vindo viver para Coimbra. Ela entrou na universidade e eu vim estrear o ciclo preparatório Martim de Freitas onde, passados 12 anos, fiz o meu estágio profissional. Coisas da vida. 

Os nossos pais criaram muitos espaços e tempos de trabalho árduo em que os cinco tínhamos de participar. Cada um com as suas capacidades mas sempre para o bem comum. Estes momentos deram-me um sentimento de pertença muito grande. 

Deixavam-nos dar asas à nossa criatividade. Quando se remodelou a casa de família o pai deixou que fosse eu a escolher os revestimentos. Vieram comigo a Coimbra, num quente dia de Agosto, mas fui eu que combinei e escolhi tudo!! Ainda são os mesmos e continuam a ter estilo.

Não foram pais castradores, mandões, manipuladores. Só tínhamos que cumprir as regras que eram bem claras e estava tudo bem!

Queridos Pais. Muito à frente da vossa época!

O que eu daria para vos ter aqui comigo!

domingo, 9 de março de 2025

Ainda sob a influência da correspondência

 


As cartas da mãe e pai são bocados de História! As cartas do pai na altura da revolução, os conselhos e a visão que tinha de tudo, misturado com um humor engraçado e único. A literacia financeira a top pedindo para saber como andavam as nossas finanças (!). Eu tinha 12 anos e devia ser o dinheiro que me ofereciam  nos anos e Natal. 

Como homem, tinha uma sensibilidade e uma humanidade que, transcrita em cartas e depois de 15 anos sem ele, só me dão vontade de chorar!

Uma sensatez e proactividade que me guiam ainda hoje. 

Anos mais tarde, já na velhice, a emoção que se lia nos seus olhos quando lhe contava algo bom de mim ou dos meus filhos nunca me sairá da retina. Sabia tão bem!! Sentia que estava a dar sentido a tudo o que eles tinham sonhado para mim!! Talvez fosse isso mesmo!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Faz hoje 3 anos que fiquei órfã


 Soube quando ia a chegar à escola e estes momentos ficam para sempre. Tinha um casaco desportivo verde da abercrombie de que gostava imenso e era de filho mais velho. Sentia-me bem e, de repente, o meu mundo, tal como o conhecia, morreu ali. 

Voltei para trás, e viajei para CASA. Para o ninho que nunca mais o foi. 

De vez em quando, tento vestir o casaco mas nunca mais consegui. Assim como a roupa dela com que fiquei. Está no roupeiro para eu, em dias mais negros, colar a minha cara a ela, cheirar e senti-la.

Hoje fui à missa por alma dela. Estavam 5 pessoas numa igreja linda, intimista e iluminada. Necessitava destes momentos com ela no pensamento e alguma solidão. Chorei de saudades e rezei para que esteja bem. Neste tempo todo, vieram à mente tantos momentos quotidianos, uns maus, outros muito bons e outros apenas de estar com ela e houve uma altura em que quase a senti a rezar ao meu lado, como fazíamos na igreja dos Olivais. 

Já passaram três anos sem ti e continuo contigo no pensamento. De dia e de noite quando acordo pela madrugada a sonhar contigo numa história enredada e confusa onde o teu cuidar está sempre presente. 

Querida mãe!


domingo, 5 de janeiro de 2025

Somos o que vivemos

 


Ontem, ria-me com a minha irmã ao relembrar episódios de quando era pequena e vivia numa aldeia perdida da Serra da Estrela, onde nasci. Não são episódios de felicidade mas quase parecem saídos de um filme, pelo seu pitoresco, visto a uma distância de 50 e muitos anos. Cheia de personagens icónicas que fizeram e ainda fazem parte do meu imaginário, pelo que eram, pelo que algumas delas sofreram e pelo modo como viviam a sua vida. Podia escrever mil e um posts sobre cada uma delas. 

Talvez destas vivências tenha resultado o meu grande optimismo face à vida e às coisas. Já vi tanto, já assisti a tanto que pouco ou nada me faz vacilar. Naquela época, as crianças  não eram poupadas a nenhum cenário, desde visitar a tia em último grau de demência, até velórios macabros e visitas a doentes terminais com tudo o que acarretava. Se alguém morria sem ser velho e as crianças perguntavam o porquê a resposta vinha pronta: enforcou-se. Era algo comum naquela época em que o SNS não existia e os médicos serviam uma classe que podia pagar. A pobreza era mais visível no Inverno, quando a neve cobria todos os recursos. A madrinha velha como todos lhe chamávamos, irmã mais velha da minha avó materna, solteira e com posses, distribuía medicamentos por todos os que sofriam para alivio das dores do corpo e da alma! Ainda há pessoas que se lembram disso. O famoso Saridon. Se fosse actualmente...

O álcool era  o refúgio para os pensamentos menos bons e para a pobreza instalada, principalmente nos homens. Aos Domingos, era típico vê-los a cambalear rumo a casa no final da tarde. Durante a semana seguinte, a minha mãe ouvia as mágoas das mulheres deles, as sovas que levavam, o sofrimento na criação dos filhos que lhes faziam nessas noites atormentadas pelo álcool e pelo medo do futuro. Nessas alturas e para manter a dignidade de quem falava, minha mãe mandava-nos sair da cozinha e fechava a porta mas nós, na sala, ouvíamos  o que já todos sabiam. 

Estas mulheres e homens com quem cresci, já faleceram mas quando encontro os filhos vêm à memória todas estas vivências  e como o modo como foram criados os transformou em homens e mulheres lutadores e bem dispostos. Sabem dar valor ao que têm e principalmente à vida. Admiro-os por isso.

Tive a sorte de não ter vivido estes dramas mas assisti a tudo e, por vezes, a minha alma de criança muito nova, não conseguiu assimilar todo o drama do que vi e senti. Só agora, pensando bem e comparando com o tempo presente vejo e sinto o que cada um daqueles seres humanos viveu para sobreviver.

Aos 10 anos vim viver para Coimbra. Já mais velha, consegui perceber que os problemas também ali existiam em casas mais arranjadas mas em que faltava muita coisa. Era mais velada a miséria. Lembro-me da vizinha do 2º andar que ia ao mercado e trazia sempre um ramo de flores mas, durante a semana, pedia os bens essenciais à minha mãe que os ia fornecendo. Uma postura diferente mas a mesma fragilidade. Aqui era necessário esconder. Na Serra não era possível e ninguém queria saber de flores em jarras. 

Também aqui existiam as más relações, o adultério e as doenças. Era quase tudo igual mas embrulhado em luvas de pelica que obrigavam a uma visão  mais apurada. 

É a vida como costuma dizer filho mais velho. 

Há dias em que tudo me lembra mais. A quantidade de episódios que eu já vivi, as mil e uma vidas por que passei, os ambientes diferentes que tive de enfrentar. Como ser pessimista se consegui chegar aqui?

Obrigada pais e irmãos pela família boa que criámos,  que me educou e me deu esta postura forte com a certeza de que conseguirei enfrentar o que vier. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Sonhos engraçados

 


Quando tenho insónias pelas 5 da manhã e torno a adormecer, acordo mais tarde sempre dentro de um sonho, quase sempre alegre.  É a recompensa pela insónia em que tudo é negro.

Hoje sonhei que estava com os meus amigos da Figueira da Foz onde dei aulas durante um ano. Tínhamos combinado o reencontro e surpresa... estávamos todos como naquela época, nada envelhecidos e muito bonitos. A churrasqueira onde estávamos estava cheia e nós  muito admirados do bem que nos sentíamos e estávamos. 

Depois.. acordei e lembrei-me do que cada um de nos já passou nestes últimos 40 anos!! 

Foi tão bom voltar atrás e ouvir as gargalhadas de todos os dias daquele tempo, ver a nossa juventude e também um pouco da nossa parvoíce. Até me deu vontade de ir à Figueira almoçar com eles e verificar que o corpo cedeu mas o coração está igual!! Estará?


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Viagens ao Norte do meu coração

 



É sempre aqui que me sinto inteira. Viagem com a irmã por Viana do Castelo e com uma escapadela até ao norte de Espanha. Descobertas boas de cidades com monumentos bem conservados, boa comida, atenção extrema ao cliente e aquele linguajar típico que nos faz sentir em casa. A fazer muitas vezes, por estradas diferentes mas sempre com o riso no coração.

A visita do primo

 


O meu primo Américo veio visitar-nos no início de Junho. As cinzas do pai necessitavam de chegar à terra que o viu nascer e que amou enquanto viveu. Nós, os primos que antes corriam pelas ruas da aldeia nas férias grandes, juntaram-se, agora já "super adultos", para rezarem e honrarem a memória de tio querido. Tanta coisa vivida, naqueles espaços, tantas recordações!!

Depois, almoçámos no restaurante preferido do tio e falámos dos netos e do tempo que há-de vir que ainda é o nosso. A vida no seu melhor!


sexta-feira, 22 de novembro de 2024

38 anos lado a lado.


Uma vida!  Conseguimos pegar nas nossas diferenças, que são muitas, e misturá-las para seguir em frente. Umas vezes eu à frente, outras vezes, ele.  Se eu queria que tivesse sido diferente, sempre ao lado um do outro em perfeita sintonia e pensando da mesma maneira? Alguns dias sim! Outros não!! Tinha tido muito menos trabalho mental!! Quando faço estes balanços vem sempre à cabeça a letra daquela canção de que gosto tanto:

"Mas os maridos das outras não
Porque os maridos das outras são
O arquétipo da perfeição
O pináculo da criação
Dóceis criaturas, de outra espécie qualquer
Que servem para fazer felizes
As amigas da mulher

E tudo que os homens não
Tudo que os homens não
Tudo que os homens não
Os maridos das outras são
Os maridos das outras são"

A vida não se compadece daquilo que parece. A realidade impõe-se, o dia a dia, os desentendimentos, o tipo de educação que cada um teve, os olhos com que vê o mundo e até o sítio onde nasceu!!

O que conta é o produto final: dois filhos lindos, anos felizes a criá-los, a educá-los, a viver com eles tudo e mais alguma coisa. 

Agora é o tempo do pousio.  Talvez o tenha de apreciar mais!! Mesmo com as doenças, as incapacidades e o deixa andar talvez ainda recorde estes tempos como felizes e bons. É nesta imperfeição da vida e nesta visão desfocada das coisas  que talvez esteja o improviso e a graça disto tudo.

Parabéns a nós.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Amanhã vai ser um dia feliz


 Cheio de alegria, graças, conversas boas e muito riso. Matar todas as saudades que tenho daquelas netas que quando dizem vovó o meu coração se enche de mel. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Conforto mental

 




Os mais novos não percebem a razão de eu ter tantos pratos, copos, talheres, enfim, de tudo um pouco.

Não sabem é que quando faço mesas iguais a estas estão sentados comigo os meus ente queridos. Vêm à memória os cheiros da cozinha e do fogão de lenha, vejo a galinha dourada com manteiga, os empadões dourados pelas gemas, sinto o cheiro dos armários de onde cerimoniosamente se retiravam os pratos verdes das grandes ocasiões. Eram todos iguais naqueles tempos e eu fiquei com uns quantos. Gosto de os misturar e relembrar esses tempos de meninice. Ocupam espaço nos armários, não têm grande valor, mas para mim têm o valor da família, do amor e de uma vida inteira e isso basta-me!

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Recordações boas

 


Ontem dei com esta foto da casa dos meus avós maternos. É, sem sombra de dúvida, a casa de que tenho saudades, a minha casa. Passava lá o tempo todo, rodeada de amor e de carinho. Ainda hoje, volto ao sótão que não era sótão, tinha quartos e salas e uma escada de madeira bem no fundo do corredor do andar principal. Aquela sensação de aconchego que sentia naquela casa, penso que nunca mais sentirei. Fosse Inverno, à lareira ou quentinhos na sala, ou no Verão, na varanda da frente, vendo o mundo acontecer com as portadas abertas e o fresco das heras junto às janelas. 

Era tão linda aquela casa! E havia tanto amor pelos netos lá dentro!

Na foto estão os meus irmãos e o meu primo que estava de férias.

Obrigada queridos avós por me terem amado tanto e por terem construído a casa dos meus sonhos onde fui tão feliz!

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

As artes e eu na Escola

 




Aprendíamos muita coisa nestas aulas, desde culinária até à construção de árvores de arame com copa de palha de aço que ainda hoje me rio ao lembrar-me do arrepio da minha mãe quando, triunfante, levei a obra de arte para casa! Ficou na despensa por uns tempos até que foi para o lixo! 

No meio disto tudo aprendi a utilizar a agulha fada do lar e... gostei! Era a professora que fazia o desenho e a minha almofada era, porventura, aquela que tinha pior desenho. Menos mal que poupei nas lãs! Só tinha duas cores e penso que ela tentou desenhar uma ameba amarela!

Por lá andou a almofada durante uns anos até que desapareceu. A ideia da fada do lar permaneceu. 

Há trabalhos lindos que se podem fazer com esta prática super fácil. Propósito para o Outono: começar a trabalhar novamente nas artes dos meus 11 anos. Desta vez, prometo que vai ficar bonita.

Deixo dois exemplos!

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Fui visitar a Lena

 


A Lena  é uma senhora muito importante na nossa família!  Conheci-a quando vim viver para esta cidade e necessitava alguém que ficasse com filho mais velho quando íamos trabalhar. Vivia do outro lado da rua e tomou conta não só do mais velho como do mais novo e com todo o carinho do mundo. O tempo  transformou-a numa das minhas melhores amigas,  na minha confidente e  na avó dos meus filhos. Deu-se o caso de sermos as duas da Beira  e termos uma maneira de ver o mundo e as coisas muito parecida. Tenho por ela um carinho imenso.

Entrar naquela casa é voltar atrás e ver os meus filhos pequenos por ali. É recordar episódios, traquinices, coisas que diziam de que já eu nem me lembrava. Apesar da idade, tem uma memória fabulosa e um amor à vida e às pessoas que enternece. 

Falámos de tudo, do passado mas também do presente que ela vê positivo e promissor. É tão bom quando uma pessoa com aquela idade consegue ver o mundo pelo lado mais brilhante!

A Lena é única e das pessoas boas, mesmo boas que eu conheço. Merece todo  o carinho e o amparo que tem dos filhos que até chega a comover-me. 

Se teve uma infância e juventude fácil? Nada disso. Mas a Lena fez da amargura força e da tristeza amor que sempre soube dar, não por palavras vãs e ocas, mas por acções, como eu gosto!

Foi um bom final de tarde!

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Pensei muito antes de publicar este texto

 


O meu tio materno faleceu longe de nós no final do ano. Foi terrível sentir a sua decadência, vítima da doença que já tinha levado a minha mãe. Eram tão amigos e tão parecidos que era enternecedor estar com os dois e ver o modo como se entendiam. 

Há pouco tempo, o seu filho veio trazer as suas  cinzas para depositar nas campas dos meus avós, seus pais. Ali estávamos os três irmãos e ele a honrar um homem cinco estrelas, um homem que foi tão amigo quanto o podia ser para todos nós que éramos a sua família. Viveu sempre longe e sempre tão perto dos nossos corações!  Quando a mãe dele ficou doente, ele veio a Portugal passar 15 dias para estar com ela. O amor deles era enternecedor! Um amor feito de distância mas de uma solidez quase irreal.  Ficou 15 dias à sua cabeceira, dia e noite  e no dia em que se foi embora vi-o chorar e voltar para trás uma ou duas vezes para junto dela  porque sabia ser a última vez que a veria, como aconteceu! Foi tão marcante este gesto e esta situação que ainda hoje me arrepia esta demonstração de amor tão cruel e bela ao mesmo tempo. 

No dia em que estivemos os quatro  olhando o monte de um lado, e a casa dos avós onde crescemos todos do outro lado, senti que finalmente tinha regressado a casa e se fechava um ciclo. 

Deixo o texto que li na altura porque a vida é feita destes momentos de amar e de recordar, tanto na vida como na morte.


Querido tio António Maria

Repousas hoje de onde nunca saíste. Acredito que lá longe, te lembrarias muitas vezes desta paisagem de serra, deste pinheiro centenário, da vista do monte S. Domingos e dos teus. Repousa agora na terra que te viu nascer, nos braços  da tua mãe e à sombra do seu amor  que era imenso e puro.

Foste para todos um Homem exemplar! Daqueles que todos queremos ser mas nem sempre o conseguimos. Amaste-nos com acções, com atenções e com a tua presença sempre que podias.  Mesmo longe, a tua voz e o quereres saber sempre de nós e das nossas vidas,  eram enternecedores.  Eras tão nós, tão parecido, tão contido nas palavras, tão dado nas acções que todos os dias nos diziam o quanto gostavas de nós todos.

E impossível não ficares na memória dos que te seguem e seguirão.

Repousa em paz!

Eras um homem bom! Muito bom!

segunda-feira, 18 de março de 2024

O dia do pai é quando a filha quiser


 Meu querido pai! A falta que tu fazes aos meus dias! O teu olhar bastava para me sentir amada e acolhida. Éramos duas gotas de água e agora estou só eu.

 Sem grandes gestos de ternura mas com uma sensibilidade, um acolhimento, uma grandeza de carácter que todos os dias me fazem falta. 

Tinhas medo da morte e eu tinha muito medo de te perder. Até que partiste quase sem dar conta! Na véspera, ainda tentaste falar comigo mas eu não percebi e ainda  hoje tenho pena de não ter percebido!

Ensinaste-me tanta coisa da vida mas a mais importante talvez fosse a de me rir de mim própria como tu te rias das desgraças tentando fintá-las e continuar em frente. Conseguias sempre!

Ensinaste-me a viver o presente quando se nos apresenta. Não é o momento certo? Não importa. Vamos viver. Aprendi contigo a felicidade das pequenas extravagâncias. 

Ensinaste-me o valor do esforço, o valor do trabalho e a força de uma família. 

Ensinaste-me a dedicação  com que sempre te vi tratar a mãe  no início da sua doença.

Ensinaste-me que não vale a pena olhar para trás porque a vida segue em frente e o futuro nos espera. Podia ter sido de outro modo o passado mas já se foi e todos tomámos más decisões na vida e o que interessa é o saldo final ser positivo.

Ensinaste-me o riso, ou por outra, o sorriso contido quando nos tinhas todos por perto.

Ensinaste-me que a inteligência é uma boa lente para dela se ver a vida! E tu eras tão inteligente!

Ensinaste-me o valor dos bons momentos juntos, os almoços, os passeios, a torrada e o galão na pastelaria da esquina. São cimento na minha relação eterna contigo.

Ensinaste-me a educar. Austero no que valia a pena e benevolente na banalidade das coisas diárias como quando te entregava as folhas dos gastos da casa de Coimbra que tu sabias serem falsos e forjados na véspera.  

Vida dura a tua, pai! Tanto que te devo! Tanto que nem merecia!

Acredito que donde estás me guias os passos, me acompanhas e, muitas vezes, hás-de ter abanado a cabeça em sinal de discordância com os meus actos. Fazes- me falta para te confidenciar assuntos que me atormentam e eu sei que tu resolverias num instante com a tua sabedoria,  no teu falar pausado e mestre.

Tenho saudades dos abraços que não te dei! Dos beijos que ficaram na intenção. Dos elogios que não saíram do pensamento. Agora já sabes PAI  o quanto eu te amei em todos os dias da minha vida.

Homens e mulheres da Serra que vivem como granito escondendo a ternura que, sentem, os torna fracos!


sábado, 16 de março de 2024

Por esta altura da minha vida


 Eu era a mulher mais insegura que eu conheci! Tinha 19 anos, um monte amigos, estava de férias em casa de uma delas em Albufeira mas ainda hoje me lembro do meu complexo de inferioridade face a tudo e a todos e de como me sentia nesses tempos.

Olhando agora para a foto, não vejo nada disso mas foi o que foi e o que senti! Talvez escreva agora para que se percepcione a importância de educar a auto estima das crianças e  jovens,  transmitindo-lhes por palavras e acções  os seus pontos fortes e de tudo aquilo de que serão capazes. 

Foi uma aprendizagem a duras penas aquela que fui fazendo ao longo da vida.  Tornei-me numa rocha, bem consciente daquilo que valho mas doeu muito e o caminho foi todo trilhado sozinha. 

O quanto esta inferioridade influenciou a minha vida, deixo para mim.  De onde ela veio, não sei dizer. 

Fui uma criança alegre, viva e mimada.  Na adolescência, os meios sociais em que vivi não contribuíram muito para a auto afirmação e o meio universitário muito menos. Alie-se a isto tudo uma paixão avassaladora, não correspondida e não entendida que se arrastou por tempo a mais. 

A vida no seu melhor! 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Que saudades

 

Andorra


Já não consigo andar estes Kms todos,  principalmente devido ao meu problema no pé. Já não tenho os meus filhos por perto. Não sei traçar as rotas. O tempo destas caminhadas  de Agosto, os quatro em conversas sem fim, acabaram. Foram tempos tão bons, que o único que me lembra neste momento é que devia tê-los vivido de forma ainda mais intensa porque eram precários. Ficaram no meu coração!

Eu não sabia ainda!