Tinha de fechar o cérebro às angústias da vida e abrir a imaginação ao sonho apetecido. Nunca compreendera as vidas metódicas e reguladas. Vidas frias.
Vergílio Ferreira - O Caminho Fica Longe
Vergílio Ferreira - O Caminho Fica Longe
A senhora queria que eu desse uma informação à colega e dirigiu-se a mim deste modo:
- Olha, ó Eulália quando chegar aí a professora X diz-lhe a que a professora Y quer falar com ela! Percebeste?
E eu: sim, sim, pode ficar descansada!
Desliguei o telefone e fiquei a pensar um pouco nostálgica. Realmente, quando depois de 40 anos nesta escola, onde já fiz tudo o que havia para fazer, não te conhecem ou não te tentam conhecer, é um sinal inequívoco que o ciclo se fecha na altura certa. A senhora não tem culpa! Há uns 10, 15 anos este tratamento era impensável! Sinais dos tempos!
Deu para rir, passados uns minutos, quando chegou a funcionária da biblioteca que trabalha comigo há anos e anos. Fomos nós que começámos a grande mudança da Biblioteca, eu como coordenadora e ela como funcionária. A amizade ficou para sempre e o bem fazer também!
Temos filhos da mesma idade e mil e uma recordações de tudo o que desenvolvemos, dos queridos leitores que nos acompanharam e depois seguiram para a vida e deixaram um pouco deles connosco.
Quis a vida que nos voltássemos a encontrar por trás do balcão que eu adquiri com a primeira verba ganha num concurso de bibliotecas. Foi como um voltar a casa mas agora com ruídos externos que já não me dizem nada.
Logo me vem à cabeca o modo como se vivia quando eu tinha 10 ou 11 anos. Não havia hipermercados e as compras eram feitas em mercearias de bairro onde tudo era vendido a granel. O Senhor José colocava o que se pedia em cartuchos de papel reciclado que a minha mãe ia enfiando num saco de pano que levava para as compras. Ao sábado íamos ao mercado. A manteiga comprava-se avulso cortada de grandes prismas que as vendedoras exibiam. O peixe era embrulhado em papel grosso. O leite era colocado à porta todos os dias de manhã cedo. À noite deixávamos as duas garrafas de vidro vazias e de manhã lá estavam as duas garrafinhas cheias. O leite era fervido num fervedor com um vidro em forma de circulo dentro e que começava a fazer barulho quando estava para ferver. O pão aparecia dentro de um saco de pano pendurado na porta logo pela manhã. A maior parte da roupa, a mãe lavava num tanque de cimento que tinha nas traseiras do prédio. Isto tudo já quando vivíamos na cidade grande porque na aldeia a reciclagem e a sustentabilidade raiavam a perfeição.
As frutas eram transformadas em saborosas compotas e outras colocavam-se ao sol para serem comidas ao longo do Inverno. Os licores eram todos feitos pela mãe. Não havia mercearia. O leite vinha dos pastores todos os dias à noite quando o rebanho voltava ao curral. Os vizinhos e familiares trocavam entre si o que lhes sobrava e nunca havia falta de nada. O pão era amassado e cozido em forno de lenha. O queijo amanteigado e delicioso provinha do aluguer de propriedades pastorícias que era pago, em parte, em queijo que dava para quase todo o ano. Comia-se muito queijo fresco e requeijões que ainda adoro hoje em dia, apesar de o sabor não ser nada igual!
Havia azeite e vinho próprios, carnes fumadas, leguminosas, vegetais, tubérculos e tudo o que era necessário. Muito animais desde galinhas a coelhos, passando pelo porco comprado pequenino numa feira da região.
Por tudo isto, a sustentabilidade actual se me torna engraçada. Há tanto tempo que se pratica e é vista como uma ciência nova, salvadora de todos os males. Não digo que seja contra. É só copiar os que os nossos pais e avós faziam tão bem!
Mudou o plano totalmente o que me deixou feliz. Já estava um pouco farta de semanalmente comer sempre os mesmos alimentos.
Hoje foi dia de ir comprar os novos ingredientes. Entusiasmada como uma criança pequena. Vai haver sopa e queijo fresco e aumentou a quantidade de fruta! Coisas de que gosto.
Comecei a usar o 38 o que não acontecia há muitos e muitos anos!
Continuar com o exercício físico de treino de força. Necessito muito.
Em Abril há novamente uma viagem à balança. Gosto deste controle espaçado que deixa margem para sermos nós próprios e nos habituarmos a tomar conta de nós e do que comemos.
Algumas eram muito engraçadas!! Outras eram clichés para mim mas não para a maioria da assistência que ria a bom rir. A forma como interagiram com alguns elementos da plateia foi muito agressiva mas eles acharam piada e até continuaram a responder todos contentes, transformados por momentos em estrelas da noite! Apavorei-me com a ideia de que viessem ter comigo. Graças a Deus não vieram!
Não gosto que façam humor com a doença. Penso que passa para além do humor e não é bonito! É controverso mas é a minha opinião.
Tenho reflectido muito sobre este serão! Gostei de assistir e de tirar as minhas conclusões:
Há realmente um fosso geracional que eu considerava ser fictício e mental mas que existe mesmo. Houve piadas que eu não percebi porque englobavam aplicações digitais que não conheço! Houve outras que já faziam parte do meu mundo há muitos anos e foram repescadas.
Há também uma ligeireza no viver e no sentir que eu já não possuo. São mais leves, menos dramáticos, mais presentes no momento. Se é mau? Penso que é muito bom!!
Teve piadas muito boas e que me fizeram rir. Saí bem disposta. A assistência também. Dali foram cear, rir-se mais um pouco, que a vida é curta e há que aproveitar. Até tive um pouco de inveja deles!
No domingo fui ver o filme brasileiro tão falado " Ainda estou aqui". Como tinha receio de não ter bilhete (!!!!!!) fiz a reserva com antecedência. Sala só por metade.
Gostei mesmo muito. Uma caracterização dos anos 70 muito boa mesmo. O retrato de uma mulher e de sua família numa situação de ditadura que é comovente. Uma interpretação fabulosa da Fernanda Torres. Acredito que quem não viveu os anos 70 lhe passe ao lado grande parte da mensagem.
Parece lá tão atrás e é tão actual! Em tantos países estão, neste momento, a acontecer os mesmos episódios. Oxalá não comece agora na América. Grande reflexão sobre o que pode acontecer, o que é e o que pode deixar de ser de um momento para o outro e a necessidade de estarmos prontos para a imprevisibilidade do mundo e das coisas.
A torcer para que seja o vencedor dos óscares!
Há depois o meu diabinho no outro lado do cérebro. Estás tão bem em casa! Para que vais agora com frio para a natação? Estás cansada, tiveste um dia longo e sempre te podes sentar no sofá e descansar.
Passa ao outro lado do cérebro que me lembra o quanto sou feliz a ouvir música boa, bem alto até lá chegar!
Mais uma desculpa mental: mas estiveste constipada e podes ficar pior! É melhor esperar mais um tempo! não tens a depilação impecavelmente feita!
O mais difícil é pegar na chave do carro e começar conduzir. Hoje vou!
Pensando melhor, verifico que fui muito influenciada pelos lugares que frequentei enquanto miúda e adolescente. Tudo me entrou olhos adentro de uma forma forte e marcante. Até aos 10 anos frequentava a casa de uma tia avó cheia de loiças alemãs, bonitas, douradas e clássicas todas expostas numa sala forrada de azulejos azuis que era um primor. A casa da minha professora, prima da minha avó, tinha um cheiro de coisa rara, com os seus bolinhos areados servidos com chá numa sala clássica. A casa do padre Samuel tinha uma sala de jantar cheia de loiças bonitas que reluzia nas grandes festas religiosas quando imensos padres conviviam à volta de uma mesa farta, iluminada por um lustre que lhe oferecia grandeza.
A sala de jantar da minha avó materna tinha um aparador com uma vitrine ao meio por onde se viam as loiças que saiam em dias de festa para alindar a mesa sempre com toalha de linho branca. Tinha também um lustre que lhe dava aconchego. Ligava à cozinha, com o seu fogão de lenha e os seus cheiros de boa comida, por uma grande porta.
Aos dez anos, já em Coimbra, comecei a frequentar diariamente a casa super clássica e chic da minha amiga. A mãe dela, a D. Cecília senhora muito boa e bonita, cultivava o bom gosto e a sala dela, em dias de festa, era para mim o paraíso. Uma lareira acesa, uma iluminação excelente, as paredes forradas a pinturas a óleo compradas em galerias. O que me ficou mais marcado? As loiças: os copos dos piquinhos como eu lhes chamava. Por que razão terei eu um serviço destes copos? O serviço de jantar em tons de azul. Não há vez nenhuma em que eu encontre algum sítio onde ainda existam que não me lembre desta velha amiga que tanto me ensinou.
Cá em casa, não há festa sem lareira acesa e sem jantares bem organizados e boa conversa. Fui vendo e sentindo. É deste sentir que nasceu o meu gosto pelo clássico, pelas coisas belas. Agora um pouco misturado, mas sabendo que a casa é ninho e que, embora os passarinhos filhos já não vivam cá, quando vierem quero que sintam o abraço das coisas e de tudo o que deixaram. Até eu não estar cá e serem as minhas netas a replicar estes sentimentos e memórias que eu agora tenho
A vida a acontecer.
Duas aulas de hidroginástica em suspensão. Dentro de dias escreverei um post sobre esta nova aventura. Adoro mas é tremendamente difícil para mim estar à vontade na vertical sem poisar os pés no chão.
Uma professora 5 estrelas tem feito a diferença.
Começar o pilates clínico. Começo com sessões individuais para ver como me habituo e não faço muito má figura.
Um mimo marcado porque a vida não se resume a coisas chatas.
Ideias e mais ideias a atormentarem a minha mente. A tentar ser razoável e tomar boas decisões.
Continuar a estudar como aplicar a IA nas aulas. Há documentos muito interessantes que necessitam reflexão.
Nunca estarás sozinha se contares contigo. Tu consegues. Sempre!
Esta resposta matutou na minha cabeça durante muito tempo mas traduz a mais pura verdade. Estamos sempre sozinhos e contamos connosco. Se for bem é bem, se for menos bem, é menos bem. Estamos lá, levantamos a cabeça, damos o melhor de nós naquele momento e seguimos em frente. Se tivermos que seguir. Algum dia não seguiremos. Partiremos sozinhos também.
Estas conversas acalmam o espírito e habituamo-nos a não ter medo e a dar o nosso melhor. Empoderamo-nos. Seja qual for a circunstância e mesmo que apenas se possa sussurrar um "eu consigo", sussurra e segue. Na vida de toda a gente há momentos bons e maus. Saber viver com todos eles é uma ciência crucial para viver de bem connosco.
O medo trama tudo. O pior que pode acontecer é esperar que alguém nos venha tirar o medo. Não existe! Vai em frente!
Os alunos, cerca de 4 ou 5, vinham motivados, traziam os materiais e normalmente sabiam muito bem o que vinham realizar. Tiravam as suas dúvidas com facilidade e não havia tempos mortos naqueles 50 minutos.
Neste final de semana fizeram o balanço. Deixei-os falar. Curiosamente, só que por outras palavras, disseram o mesmo que eu: gostaram muito, tiravam as suas dúvidas com muito mais facilidade porque em espaço de aula receavam que o outros se rissem deles, notaram que não havendo barulho, aprendiam melhor e estavam mais concentrados, o facto de me terem sentada na mesma mesa fazia com que não pudessem estar distraídos e sem fazer nada, em cada aula aprendiam muito mais matéria o que se tornava uma mais valia porque, na aula seguinte e com a turma, além de poderem rever os exercícios ainda sentiam maior confiança pelo facto de já dominarem os conteúdos.
Esta seria a escola ideal. Grupos pequenos em que o professor, por estar tão próximo, fazia com que trabalhassem mais e melhor. É impossível de concretizar mas gostei imenso desta experiência.
Pré requisitos importantes: um ambiente calmo, uma boa relação professor aluno e uma boa articulação com a docente da disciplina.
Vida profissional e vida pessoal tudo ao monte e a não me apetecer pensar. Dou comigo a retardar os pensamentos para que consiga dormir bem. Isto penso amanhã que ainda dá tempo! Aquilo penso só no final da semana . E por aí adiante!!
Tenho distribuído deste modo as preocupações e o modo de as resolver. Divide e vencerás. Neste caso não é propriamente uma vitória. É mais um aquietar da alma juntando ao modo "está tudo certo".
Isto de viver e conviver tem as suas cruzes!
Feliz dia da família!
Agora já não sou assim. Deixei de querer controlar e só faço mesmo o que me apetece e o que eu gosto. Deixei para os outros essa necessidade de levarem a vida para a frente porque, com a minha idade, é manter o que há e o que tenho e uns poucos projectos de pouca monta que consiga realizar. Também não tenho conselhos para dar porque a minha vida foi cheia de erros e o mais banal possível.
Mesmo que à minha volta aconteçam coisas que anteriormente me causariam stress por antecipação, agora é só pensar: nessa altura, já cá não estou! Nem me sinto triste, apenas muito aliviada e nada stressada.
Viver o dia a dia e aproveitar todos os momentozinhos que possa, com quem amo. Ontem foi um dia bom em que pude estar com as minhas netas lindas. Há lá alguma coisa mais importante?
Stress? É o quê na minha idade? Qual a finalidade? Aumentar o ritmo cardíaco? Não, obrigada!
Empregar o dinheiro que poupo noutros projectos mais interessantes e que me façam igualmente feliz. Com a idade, concluímos que vivemos com muito pouco de tudo. Os momentos bons passam a ser o nosso objectivo e as pequenas conquistas fazem-nos felizes.
Apreciamos as boas companhias, os risos à volta de uma mesa e manjares nunca antes saboreados. A vida encurta e é necessário ainda ter tempo para tanto que ainda não se viveu e não se sentiu.
Sair da zona de conforto e sentir que se conseguiu ir em frente. Colocar todos os dias um desafio e chegar à noite e pensar - consegui!
Esta maneira de pensar vai totalmente contra a minha personalidade e preocupa-me há já algum tempo . Hoje marquei uma aventura nova. Deu-me dor de cabeça e medo. E se... não sei muito bem o quê mas não quero continuar a reduzir o meu perímetro de conforto. Quero aumentá-lo como antes do pé ter problemas e antes do tendão de aquiles ter partido.
Agora é confiar e partir. Focar nas descobertas, nas paisagens e em tudo o que gosto de fazer.
Penso que haverá muito mais confiança em mim no regresso. Não tenho idade para acomodações mentais. A vida não se compadece e é necessário lutar contra os medos e o desânimo.
Tudo marcado.
Começava o sábado de Aleluia e o sino tocava toda a noite. Um martírio para quem queria dormir!
O que eu gostava mesmo? Da Visita Pascal com todo o cerimonial que se fazia lá por casa. A primeira coisa era saber por que lado da freguesia começava o padre a visita naquele ano. Vivendo nós numa das pontas da aldeia, fazia toda a diferença porque ou era manhã cedo ou já ao cair do sol. Perguntas aos vizinhos, ao sacristão e lá se concluía a trajectória.
Sentia-se ao longe a aproximação do cortejo pelo sino que o acompanhava. Meu pai, vinha para porta, com o seu ar mais solene e todos ficávamos dentro da sala, perfilados, à espera. Meu pai beijava a cruz enfeitada com flores e convidava todos a entrar. Chegava a nossa vez! Rezávamos todos uma oração, alguma das crianças comia uma amêndoa e lá partiam para mais uma casa não sem antes o padre benzer a família e a casa.
Coisas que me lembram porque estão cravadas neste coração e nesta alma de que sou feita.
Quando acontece algo, ou há situações que eu absorbo totalmente e com clareza, prefiro fazer-me de morta! Que é como quem diz, percebi, mas é melhor estar calada.
Não interessa que pensem que não alcancei, que pensem que não percebi, que pensem que sou um pouco tapada!
Vejo e sinto com muita facilidade. Possuo uma intuição acima da média e umas antenas emocionais sempre atentas.
Para a minha paz de espírito, o silêncio é a melhor arma.
Se me sentirem muito calada, nunca representará alheamento. Apenas mágoa, tristeza e sentimentos de injustiça.
Normalmente sou alegre, faladora, risonha e nada complicada. Nunca me passam pela cabeça jogos emocionais estranhos que dificultem a vida aos outros. Sou do bem!
Quem me conhece bem, sabe que sim! Só que perdi a paciência e o riso em situações que me são enormemente adversas. Desvio-me e deixo passar sem que nada me perturbe. Este jogo é difícil mas estou quase lá.
No entanto, quando planeio uma viagem, nunca me passaria pela cabeça ir para o campo! São sempre cidades que me seduzem. É com grandes cidades que sonho com tudo aquilo que me podem oferecer.
O campo deprime-me. O cair da noite é triste.
Por vezes, quando mais stressada, abate-se sobre mim a vontade de voltar. Remodelar uma casa, construir um negócio giro e ficar por ali naquela calmaria. Depois caio em mim! Eu nunca aguentaria!
Não sonho com hortas, não sou contemplativa e não gosto do silêncio permanente. Basta só imaginar-me neste cenário e tudo volta ao que gosto e quero.
Nada contra os que gostam! Eu não sou capaz.
Aponto todas as mudanças a fazer e, pouco a pouco, vou riscando da lista o que já esta feito.
Leio muito sobre design de interiores, sigo algumas contas nas redes sociais com as quais me identifico e tiro ideias. Registo tudo em fotos para não me esquecer.
Há dois aspectos essenciais: a luz e o conforto. Há lá melhor sensação que dar um passeio ao frio e ao vento e entrar numa casa quente e aconchegante?
Gosto de casas bonitas e de tudo fazer para que assim se conservem! Gosto de velharias, de móveis com histórias para contar, de objectos que, em contexto diferente, possam ter uma segunda vida.
Outro dos meus desafios é não sair dos orçamentos. Ter calma, focalizar no essencial e ir fazendo, sempre com a alegria do dever cumprido. Encontrar pechinchas, oportunidades, coisas bonitas abaixo do preço.
Remodelo, pinto, mudo de lugar e tudo vai encontrando o seu espaço.
Coisas que a vida me ensinou. Ou então sempre fui assim e ainda não sabia!!
Continua o calor. Insuportável, por vezes.
Muitas coisas a acontecer na minha vida e nos que me são próximos. Nem todas boas!
Eu cada dia a sentir-me mais velha. Cada dia a pensar que é menos um e que tenho ainda tanto para viver. Nem todos os dias são bons mas relativizar ajuda a acalmar a mente. Olhar com olhos empáticos faz-nos agradecer o que vamos tendo.
Comecei a sério as aulas de ténis. Que feliz que sou durante aquelas horas! É certo que não corro tanto como antes, mas parece que sou invadida por um déjà-vu da minha juventude que tudo torna possível. Telefonei à minha parceira de campo a contar-lhe e ficou combinado um jogo quando eu tiver a nova raquete. São estas ilusões de juventude que nos fazem remoçar. Seja lá isso o que for.
Vou ter o meu primeiro sobrinho neto! Nova ilusão que me traz felicidade.
As minhas netas crescem felizes. O mau disto tudo é eu não as ver todos os dias e não ouvir as suas vozinhas lindas e as suas conversas que enchem almas. Esta é uma parte da minha vida que tenho de mudar. Não sei bem como mas tenho mesmo de mudar. As mudanças metem medo mas, por vezes, fazem muito bem! É só necessário fechar os olhos e avançar.
Na profissão sinto-me como peixe dentro de água. Os alunos e cada vez mais os alunos! Eles retribuem e fazem-me feliz. É tudo muito mais fácil agora. A experiência ensinou-me muito. Gosto de aulas, de falar com eles, de contar aquelas histórias científicas das quais nunca se esquecem! Gosto de saber que os pais deles foram já meus alunos e que alguns dos funcionários da escola também.
Continuo a gostar de estudar, de experimentar coisas novas, de manter-me actualizada sobre tantos e variados assuntos.
Vou tentar vir por aqui mais vezes. Gosto de escrever e faz bem à alma.