É o lema do dia e da época.
Logo me vem à cabeca o modo como se vivia quando eu tinha 10 ou 11 anos. Não havia hipermercados e as compras eram feitas em mercearias de bairro onde tudo era vendido a granel. O Senhor José colocava o que se pedia em cartuchos de papel reciclado que a minha mãe ia enfiando num saco de pano que levava para as compras. Ao sábado íamos ao mercado. A manteiga comprava-se avulso cortada de grandes prismas que as vendedoras exibiam. O peixe era embrulhado em papel grosso. O leite era colocado à porta todos os dias de manhã cedo. À noite deixávamos as duas garrafas de vidro vazias e de manhã lá estavam as duas garrafinhas cheias. O leite era fervido num fervedor com um vidro em forma de circulo dentro e que começava a fazer barulho quando estava para ferver. O pão aparecia dentro de um saco de pano pendurado na porta logo pela manhã. A maior parte da roupa, a mãe lavava num tanque de cimento que tinha nas traseiras do prédio. Isto tudo já quando vivíamos na cidade grande porque na aldeia a reciclagem e a sustentabilidade raiavam a perfeição.
As frutas eram transformadas em saborosas compotas e outras colocavam-se ao sol para serem comidas ao longo do Inverno. Os licores eram todos feitos pela mãe. Não havia mercearia. O leite vinha dos pastores todos os dias à noite quando o rebanho voltava ao curral. Os vizinhos e familiares trocavam entre si o que lhes sobrava e nunca havia falta de nada. O pão era amassado e cozido em forno de lenha. O queijo amanteigado e delicioso provinha do aluguer de propriedades pastorícias que era pago, em parte, em queijo que dava para quase todo o ano. Comia-se muito queijo fresco e requeijões que ainda adoro hoje em dia, apesar de o sabor não ser nada igual!
Havia azeite e vinho próprios, carnes fumadas, leguminosas, vegetais, tubérculos e tudo o que era necessário. Muito animais desde galinhas a coelhos, passando pelo porco comprado pequenino numa feira da região.
Por tudo isto, a sustentabilidade actual se me torna engraçada. Há tanto tempo que se pratica e é vista como uma ciência nova, salvadora de todos os males. Não digo que seja contra. É só copiar os que os nossos pais e avós faziam tão bem!
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