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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Começo a pensar que há vida fora de casa

 


Para mim é um sinal de que a força e a vontade de viver começam a renascer. Sinto-me um pouco mais capaz. Fisioterapeuta diz que até a minha cara já está diferente. 

Pela noite a perna fica pesada mas a dor já não me impede de dormir. Noites mal dormidas são dias de castigo. Há muito ainda por fazer. Tenho feito exercícios todos os dias com ou sem fisioterapeuta. Não uso muleta embora me apeteça, por vezes, sentir-me mais segura. Anda comigo no carro e não tem saído de lá. 

Dedico o tempo aos afazeres de casa que podem ser resolvidos via internet. Tenho aprendido imenso em sessões de aprendizagem que vão surgindo e lido muitos artigos científicos. 

Ocupar o tempo de uma maneira inteligente e não apenas vê-lo  a escapar-se. 

O anoitecer é sempre o pior momento. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Coisas que não compreendo em mim

 


Estou saturada de estar em casa mas tenho medo de sair por aí, cair ou ter uma dor mais forte. Então mantenho-me pelos espaços que conheço bem.

Tenho imensas coisas para  estruturar. Não ser eu a fazer mas chamando alguém. A motivação para estas acções desapareceu. O armário necessita de arranjo e eu necessito de vontade de organizar coisas mesmo que sentada numa cadeira. 

Os dias passam por mim e só anseio não ter dores. 

Os percursos mais banais como ir ao shopping, ao supermercado, deixaram de fazer parte da minha rotina. Medo! Irracional mas, mesmo assim, medo que retira todo o prazer de ir.

O banho diário é uma odisseia. Pensar antes de colocar os pés, pensar como entrar e sair, pensar como me vestir sem muita dor. Vou descobrindo pouco a pouco o modo de me deitar sem dor,  o modo de minimizar a dor nocturna, o modo de minimizar as dores ao sentar e levantar. Estou uma expert. 

A fisioterapia continua diariamente. Cada vez com mais exercícios o que penso ser um bom sinal. 

Muita paciência para este tempo.

A seguir, vem o ginásio que começa e não terá fim! Assustador mas pensar que para muita gente é um modo de recreio e de convívio saudável  e que tenho de o transformar em tal para não se transformar em coisa negativa. É para repor músculo? Vamos lá então. 

Já estou por tudo!


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Decisões importantes


 Durante muitos anos afirmei que o que poderia acontecer de pior ao país era perder o serviço nacional de saúde. 

Toda a minha vida acompanhei familiares e amigos que sempre viveram nos Estados Unidos e assisti ao medo que eles tinham de ter doenças graves e morosas em que os seguros  de saúde não fossem suficientes para poderem ser tratados. Todos  têm mais do que um seguro de saúde para que na altura certa não seja necessário vender a casa ou pedir empréstimos para, simplesmente, não morrer.

Em Portugal sempre foi fácil  ser tratado. Tivemos sempre acesso a bons profissionais, a boas instalações e  com ou sem dinheiro, o estado pagava porque a saúde era um bem muito precioso.

Pouco a pouco tudo se foi alterando. Os privados entraram mansamente e afincadamente na equação da doença. A última vez que recorri a umas urgências de um hospital público, fiquei estarrecida. Apenas um médico de outra nacionalidade dava conta de uma quantidade de doentes incrível. Sem condições, porque alguns deles, cansados, abriam a porta do consultório e ouviam a consulta do doente anterior. Fui insultada por uma enfermeira sem razão nenhuma  só porque, percebi eu, tinha de descarregar em alguém a frustração que sentia!

Se resolveram o problema? Não.

Foi então necessário traçar nova estratégia para  alguma urgência que surja. Se algo acontecer, chamo os bombeiros que me levarão para a CUF Santarém onde sempre sou bem recebida e bem tratada. A partir daí, estarei em boas mãos. Se terei de pagar ou não, vai depender do serviço mas já o meu pai dizia que na saúde não se poupa. 

Hoje foi dia de consulta com o marido neste hospital. Uma médica relativamente nova, com uma argúcia, sabedoria e boa educação insuperáveis. Sai-se do consultório com a ideia de que estamos em boas mãos. Alguma coisa mais importante que isto?

O meu grande medo aconteceu: o SNS está moribundo! Há que enveredar por outros caminhos. 

Devo ao serviço público a vida do meu marido mas já passaram 10 anos!! Tanta coisa mudou!! Para pior, muito pior! A economia e a ganância são tramadas!


segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Finalmente é segunda feira


Banho tomado, roupa de treino posta e aí vou eu para a primeira aula de grupo do ano como tinha prometido a mim própria.

Aviso a professora da minha péssima condição física. Relembro outros tempos por ali quando pego nos tapetes e sinto-me capaz. A música ajuda. 

Estou tão, mas tão, fora de forma! Até consegui rir-me para dentro com as aselhices que estava a fazer!

Melhores tempos chegarão!

Resumo: A aula era composta por 4 avós, ficaram a doer-me as costas, consegui colocar o pé no ar, não tenho abdominais.