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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Setembro quente

 


Começa o Outono mas o calor continua em alta. 

Rumámoss à casa da praia com medo do calor sufocante e foi a melhor decisão. Dormir até tarde, ver bons filmes, passear, ver o mar e descansar. Estava sol, mar estava calmo mas corria um ventinho reconfortante.

Voltar domingo já  pela fresca. 

Continuar a fazer contas relativas à minha reforma. Já descobri uns quantos erros o que me descansou.

Já inserida no trabalho da escola. Gosto das interacções com os alunos novos para os quais tudo é novidade! Muito engraçados! A vontade de ler continua a manifestar-se o que me deixa contente. 

Com a minha auto estima em alta por alguns factores que me fazem bem!

 Fiz um corte enorme no cabelo. Estava sem vitalidade. Esperar que cresça mais forte e bonito.

Comprei umas calças número 38! Nunca imaginei ser possível! Ainda não me ficam bem mas é o meu próximo objectivo para os próximos tempos.  Em Novembro há nova consulta e espero levá-las vestidas! 

Oxalá!

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A terrível palavra fim


 Estou a iniciar o ano lectivo, sabendo que, se tudo correr bem, já o vou concluir como reformada. Esta ideia, meio ainda no inconsciente, tem-me trazido noites de insónia, pesadelos, balanços, reflexões sobre a vida, a família, o envelhecimento, a morte... enfim! Apanharam-me um pouco de surpresa todas estas questões que me invadem as noites e me deixam derrubada. 

Parece um fim mas não tem de ser assim, eu sei! Mas houve tantos fins na minha vida e na de toda a gente!  Normalmente dolorosos mas que me ensinaram que levantar a mente e transformar os dias fazem parte da arte de viver. 

A  vida são ciclos que se fecham para que outros se abram mas os que se fecham deixam em nós imensa saudade! O dia em que o primeiro filho saiu para a universidade foi um fim de ciclo que nunca mais teve retorno. Passados três anos saiu o segundo e a vida com filhos em casa morreu para nunca mais ressuscitar. Se os queria cá com a idade que têm? Claro que não! Constroem as suas vidas como é natural. O que ficou foi uma saudade pueril de tempos bons que me assalta muitas vezes em sonhos. Compreendo melhor os meus pais e o que me diziam quando os visitava.

Depois, lá pelas quatra da manhã, começo a pensar nas minhas netas e no tempo que ainda terei para as ver crescer. Até quando? Seguirão também elas as suas vidas, deixarão as suas casas e construirão as suas rotinas com rumo à felicidade. Verei? Penso que não!

Acordei assim. Cheia de dores musculares depois de um treino puxado de retorno e a recuperar de uma insónia triste que se seguiu ao acordar de um sonho de uma vida lá muito atrás com filhos pequenos e eu tão nova e tão jovial!

Coisas!

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Coisas bonitas da vida

 


Durante toda a minha vida só  tive  dois primos direitos! A minha prima estava mais próxima, vivia em Portugal mas em outros locais. O meu primo nasceu e viveu sempre nos Estados Unidos o que não impediu que o meu tio, o seu pai,  não tivesse feito tudo e mais alguma coisa para vir até nós nas férias, para que os primos se relacionassem. É uma relação muito bonita a que tenho com ele, cheia de momentos hilariantes, de coisas cómicas de alegrias na vinda e de tristezas no regresso! 

 Vemo-nos de anos a anos mas falamos através das redes e vamos contando o que fazemos e a falta que nos fazemos. Ontem nasceu a primeira neta dele depois de dois netos homens. Fiquei contente por ele e pelo caminho de grande avô que está a trilhar.

Voltei depois atrás. Já são dez os meninos pequenos, nossos netos! Não é bonito? Alguma vez quando com vinte e poucos anos passávamos as férias juntos, despreocupados, alegres e de riso fácil, pensámos que iríamos ser avós de tantos netos? Coisas boas a acontecerem!

Tenho muitos mais primos direitos todos a viver nos Estados unidos mas não temos relação emocional. Alguns já nasceram por lá e nunca os vi! Coisas da vida!!

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Voltar a casa

 


Um reset que se inicia. Programar o novo ano. Deixar para trás momentos menos bons e concentrar a mente no positivo e em tudo o que foi programado durante este mês. Vamos ver se consigo continuar positiva e motivada. 

Sou pessoa de não aguentar muita negatividade simultânea. Sou pessoa de sol e não de sombras. Sou pessoa de sinceridade, de abertura e de verdade.

Um ano com muitas mudanças. As rotinas alteram-se e há que criar hábitos novos com novas pessoas e novas situações. Assustador mas tem de ser!

Cuidar de mim! Sentir-me bem no meu corpo e na minha mente! Isso é o importante!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

A "reforma" que se aproxima

 


É uma palavra horrível! Poderia substituir-se por mudança, ou nova vida ou novas aventuras! 

À medida que passa o tempo e ela se aproxima começo a sentir um certo nervosismo! Não quero ficar em casa, tenho mil e um planos mas... é tão aconchegante chegar de manhã e saber para onde me dirigir e rir-me com gosto das piadas de quem convive comigo há 30 e muitos anos!!

Não vejo esta etapa como uma libertação!! Seria admitir que passei 43 anos da minha vida a fazer o que não gosto. Eu gosto de alunos, de ensinar, de criar laços, de conviver, de me actualizar sobre o mundo e transmitir tudo o que aprendo! Gosto de resolver-lhes os problemas, de os ver crescer interiormente, de os sentir a pensar sobre o que se diz!

 Está muito mais dificil nos dias que correm é verdade! Muita burocracia escusada e irritante que nada acrescenta ao acto educativo mas a relação professor aluno é das coisas mais gratificantes que existe.

Não sei o que acontecerá lá para o Outono e se terei coragem para me retirar!! Todo o mês de Agosto para pensar! Junto ao mar, de preferência!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Saber o dia em que começam as férias

 


Este ano, por várias razões, esqueci-me de apontar o período de férias!!!

Com todas estas confusões dos exames necessitava mesmo de ir saber o dia do começo. As últimas férias! As que não apontei!

Alguma nostalgia!!

Posso ir descansada. Reuniões já marcadas. Esta semana está super preenchida com planos variados. 

É necessário ter planos, coisas para concretizar, vontade e necessidade de sair de casa e de fazer coisas que têm de ser feitas. A casa não dá saúde a ninguém!

Começar a pensar em fazer a  mala e a reunir tudo o que quero levar para me sentir bem.  Detesto deixar tudo para a última hora.

Vamos lá!

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Fins de semana que recarregam as baterias

 


É um prazer utilizar aquela casa. Renovada, pintada, com tudo à mão e com a melhor companhia. 

Voltar com a cabeça cheia de projectos e de coisas que tenho de fazer. Hoje é quarta e está quase tudo feito e realizado. 

Se um fim de semana faz esta diferença, imagine-se as férias com maior durabilidade! Não são luxo como muitos pensam! São uma necessidade!! Seja em que lugar for.

Nunca me esqueço do bem que me sentia depois de uma semana em campismo perto de Aljezur, comendo saudavelmente, quase sempre peixe da costa, praia todo o dia, muita conversa e nada para fazer. Apenas aproveitar tempos que nunca mais voltaram!

Aproveitar momentos! Viver os dias!

quarta-feira, 11 de março de 2026

Faz sol!


 Só esta luminosidade me faz querer o mundo! Vontade de renovar, de fazer, de criar!

Não devia haver Inverno! Nem serões intermináveis de escuridão. 

Sempre com  sol que me traz vontade de partir por aí, de viagens sonhadas, de férias encantadas. Mesmo que seja só na imaginação, deixam-me mais alegre e com vontade de viver. Os problemas são os mesmos mas vistos em nuvens de algodão. 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Estou como o tempo


 Um acumular de situações que foram andando e agora, de um momento para o outro, devido a uns mofos na casa da praia venho por aí abaixo quase à beira da depressão. Bem tento relativizar, pensar na guerra, nas coisas realmente importantes mas o mofo e bolor não me saem da cabeça adicionados às outras melhorias que todos resolveram  considerar importantes e eu meia impotente para traçar um plano que seja eficaz e não me leve os olhos da cara. Mil e uma hipóteses e parece que nada serve ou se encaixa. 

Mau humor a sério, vontade de baixar os braços, nada comum em mim. Nem me apetece lá ir. 

Amanhã talvez já me sinta melhor. Já peguei num livro várias vezes  e nem consegui reter o que estava a ler. 

Coisas minhas super estúpidas mas que me fazem sofrer. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Sair de casa


 Por muito que custe, a recompensa é sempre muito boa. 

Saí com os meus pensamentos,  ouvindo boa música e quentinha dentro o meu carro. Foi um dia bom de conversas e de mimo. 

Estar com quem nos compreende sem ser necessário falar. 

Almoçar em frente ao mar que estava enraivecido mas bonito. 

Hoje chove a cântaros. Tenho de sair para umas tantas tarefas. Decidi que vou fazer primeiro o almoço, almoçar e sair de seguida. Pode ser que esta neblina pardacenta levante um pouco. 

Aproveito e faço exercício cá em casa com os utensílios que tenho. Ontem andei muito e as costas não estão a 100%. Junto à noite, acendo a lareira e continuo nas minhas leituras. 

Se me apetecia estar todo o dia no sofá coberta com uma manta de lã? Apetecia muito mas não pode ser!


sábado, 6 de dezembro de 2025

Dia de mercado

 


Gosto de ir ao mercado semanal, sempre ruidoso e cheio de vida. Há muito tempo que não ia porque carregar os sacos até ao carro se torna penoso. Fui com a ideia de comprar apenas o que me faltava, nomeadamente beterrabas. Se alguém aqui há uns tempos me dissesse que eu iria amar este legume, eu daria uma gargalhada. Aqui estou eu a adorar beterraba cozida e tenrinha. 

Comprei legumes, duas grandes alfaces  roxas e um saco de coentros para lavar, secar  e ensacar para as minhas saladas misturada com coentros que eu adoro. Gosto desta reeducação alimentar. Preparar com amor e dedicação cada uma das refeições, saber o que se vai ingerir e  ter sempre em casa os ingredientes necessários desde o camarão até à dourada. 

Começo lentamente a voltar à vida depois de uma semana negra. 

Apetece-me fazer listas de compras o que já é sinal de que me começo a organizar. 

As tempestades passam mas o estrago fica. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Pouco para dizer

 


As minhas tarefas ultimamente resumem-se a exercício para recuperar a força nas pernas e começar a ser o que era antes das férias de Agosto. 

Há dias em que penso ser possível e depois há os outros dias em que penso que já nunca mais será igual.

Paralelamente, continuo aplicando a minha reeducação alimentar de modo a retirar peso tanto à coluna como às pernas. Está a correr bem. 

Existem depois todas as chatices do dia a dia, as irritações, a sensação de impotência, a falta de vontade de lutar. 

Planificar momentos que me tragam paz ou alheamento. Necessito de esta sozinha com a minha alma. Pensar sem ruido de fundo. Analisar friamente as situações.

Focar-me  em mim e nos meus problemas!

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O futuro

 


Penso muito no que a vida ainda me reservará. Não só coisas más mas sonho muito com dias glamorosos e em felicidade plena. Pode ser  que nunca aconteça. Pode ser que já não tenha tempo, mas a motivação que esta sensação me traz aos meus dias é fantástica.

Tenho tanto ainda para fazer, para dizer, para construir e para usufruir. Não posso baixar os braços porque o futuro se constrói com garra, decisões e muito amor para dar.

O "deixa andar" é o pior inimigo da felicidade. Todos os dias que acabam já não voltam e há que ser persistente e consistente nas mudanças que se querem.

Faço por isso todos os dias. Mesmo que me doa a perna, mesmo que esteja triste, mesmo que não me apeteça nada, levanto-me do sofá e vou. Um banho quente, muitas vezes, resolve toda a inércia acumulada psicologicamente.  

A esperança é a última a morrer!

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Há vida lá fora


Apesar de não me apetecer,  sei que tenho de dar uma grande volta à minha rotina. Introduzir um pouco de normalidade ao meu dia a dia. 

Uma amiga disse-me, há pouco tempo, que eu era um ser espiritual e muito intuitivo. Sei que sim. A minha intuição faz-me sofrer horrores, a maioria das vezes. Desta vez, diz-me que tudo está a entrar num rumo que considero certo. 

Dificuldade ainda em programar tempo para mim. Dificuldade em arranjar-me como gostava. Dificuldade em sentir-me segura e confiante como antes. 

Comecei pelo plano alimentar que está em marcha. Muito confiante! 

Vai continuar por visitas aos meus sítios preferidos onde tratam de mim. A coxear, mas irei. Fundamental para a minha saúde mental. 

Voltar a estar com os amigos nem que seja para tomar um chá. 

Começar a viver. Mais uma vez!

terça-feira, 21 de outubro de 2025

O corpo é que paga

 


Aqui não se trata da  cabeça não ter juízo, mas o meu corpo tem sofrido bastante  desconforto nos últimos tempos. Dizem que é necessário andar e fazer exercício mas, à medida que o tempo passa, o desconforto muscular fica maior e só me apetece voltar a casa. 

Tenho forçado bastante mas há dias em que subir uma rua a coxear me faz sentir física e psicologicamente exausta. 

Muita paciência e acreditar em quem diz que vai ficar tudo igual ao que era antes.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Adoecer pelo stress

 


Ontem começaram a doer-me os dentes. Não um, mas alguns deles! Considerei estranho mas não tomei medicamentos. Fui dormir e fiz meditação por um bocado. A dor foi acalmando e passou!

Temos de ter cuidado com a nossa saúde mental. Com o que nos irrita, com o que nos faz mal! Foram os dentes mas, ao longo do tempo, podem surgir outras doenças mais graves. Só há uma solução: fugir de tudo o que me perturba a alma e pensar egoisticamente no meu bem estar. Não valorizar, não me importar. 

O tempo colocará tudo no seu lugar. Sempre!

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Começo a acreditar

 


Estes dois últimos dias trouxeram-me maior mobilidade e menos dor.  Ainda não consigo sair sem muleta porque me canso e tenho medo de desequilíbrios. Próxima meta!

A fisioterapia tem feito muito e, pouco a pouco, vou deixando de sentir o pé dormente, vou caminhando cá por casa dando  voltas à sala todas as manhãs. 

Esta semana vou ao ginásio, tratar de assuntos de PT, horários e quejandos. Necessito ainda de alguma coragem mas tenho de começar. Penso que vai voltar a dor intensa e esse pensamento paralisa-me as ideias.

Tantos assuntos em pausa  e tão pouca capacidade de os resolver! Melhores dias chegarão!

Acredito!

terça-feira, 22 de julho de 2025

Reflexões

 


Uma das características que admiro numa pessoa é aceitar-se tal e qual é. Saber de onde veio, falar do seu passado sem vergonha,  sem se comparar a ninguém e perceber o quanto as suas origens o enriqueceram até chegar aqui. 

Não é necessário seu um pobrezinho (como antes se dizia) mas há por aí muita gente a tentar colocar-se em bicos de pés, a inventar para si e para os outros um passado que foi criado nas suas cabeças e nunca existiu. Tudo tão obvio por entre as vírgulas dos sues discursos supostamente polidos e cheios de pormenores estudados à pressa!

Acordem! O nosso passado somos nós. A nossa família é a nossa maior riqueza e o passaporte para uma vida cheia de sucesso. 

Os meus dois irmãos têm sotaque beirão. Eu não tenho, não sei porquê! Talvez por não ter nenhuma queda para as línguas ou porque vivi e convivi lá menos tempo. Não é que me orgulhe disso mas eles têm grande orgulho no seu sotaque beirão que mostra a todos de onde são e quais os valores que os norteiam. 

Gosto de saber fazer coisas que ninguém sabe como amassar pão e cozê-lo no forno de lenha, temperar um cabrito e assá-lo no forno, cortar as batatas para as semear  e tirá-las da terra com todo o trabalho necessário pelo meio, fazer compotas para o Inverno, todos os procedimentos da matança do porco, plantar uma horta e tratar dela, matar lesmas com sal, colocar armadilhas para as toupeiras,  cortar feno para os animais, apanhar castanhas e nozes, e por aí adiante. Paralelamente, sei colocar uma mesa com todo o preceito,  receber pessoas e fazer festas à volta da mesa, cozinhar pratos complicados, decorar uma casa, gostar de estar rodeada de objectos de qualidade e de bom gosto. Profissionalmente, nada me impediu de assumir todos os cargos existentes num agrupamento, alguns deles bastante exigentes, de ser uma boa professora, de ter a capacidade de me dar a cada um dos meus alunos e perceber muito bem as suas vidas longe da escola. 

Ter uma vida rica não é para esconder! É para agradecer todas as oportunidades  de aprendizagem que esta condição nos trouxe. Viver 10 anos numa aldeia em que todos eram família e ter sido empurrada para uma escola de cidade, em zona nobre, onde não conhecia ninguém e todos os meus colegas tinham frequentado colégios e eram filhos de algumas das famílias mais influentes, tornou-me mais forte. Sobrevivi e aprendi. 

Ontem pensava nisto enquanto ouvia o nosso Presidente, filho família, vivendo sempre em cama de penas e não conhecendo e não conseguindo interagir com verdade com as pessoas que não são assim. É como se fosse um muro de incompreensão. Uma vida pobre do ponto de vista emocional que, apesar das grandes notas académicas, não lhe trouxe o conhecimento necessário do mundo e das coisas. O mesmo acontecia com Paulo Portas quando se via em feiras ou festas populares. Um ser fora da sua zona de conforto onde tudo o que fazia ou dizia, soava a falso. 

Montenegro está  noutro nível. Assume-se tal e qual como é. Sabe e tem orgulho nas suas raízes e isso nota-se. Sabe falar com todos, não tem medos está de bem com ele próprio. Gosto disto. 

Ser verdadeiro  é sempre a melhor opção.


domingo, 18 de maio de 2025

Com o cérebro sempre a mil


Aqui, na minha sala grande e ensolarada com que tanto sonhei, olhando as tílias que abanam lá fora e o Verão que se anuncia.  Múltiplas imagens do tempo que vivi assomam à memória. 

Tenho, por vezes, a ideia de que sou muitas almas no mesmo corpo, com experiências tão díspares que me fazem ter um olhar diferente perante as coisas e a vida. Penso que é uma boa perspectiva!

Este tempo, lembra-me as alvoradas no campo, nos dias de malha. Comecei por assistir ao malhar do centeio nas eiras de granito à força de braços e dos manguais até virem  os tratores que colocavam palha para um lado e grão para o outro facilitando o trabalho. Pelo calor, o trabalho era mais difícil e procurava-se a penumbra da madrugada. Por aquele tempo, ajudavam-se uns aos outros, amigos, tios e primos. Era uma comunidade de trabalho mas também de muita amizade e compreensão.

Naquele tempo, não sabia nem imaginava que iria estar aqui, no conforto da minha sala, tantos anos depois a pensar no modo como todas essas vivências contribuíram para o meu optimismo, a minha realização enquanto ser humano e para o meu modo de ver o mundo, que é tão ridículo, por vezes!

Poucas coisas me abalam. Sei que consigo seguir em frente, porque aprendi, lá atrás que sou capaz de quase tudo. Apesar do calor, dos braços a doer, do corpo moído, da fraca vontade, da força que vinha da família, do arregaçar as mangas e seguir. Sei fazer quase tudo na área da agricultura. Não me diminui em nada. Ajudou-me  muito na minha profissão. 

 Não gostaria nada de ser um ser amorfo, criado em nuvens de algodão e que não percebe nada da vida e das coisas que vão acontecendo.  São os coitadinhos!! Os que nunca estão contentes e querem sempre aquilo que não têm. Nutro até um certo desprezo por estes seres!! 

Feliz com o que sou!! Conquistado com a ajuda preciosa da família, muito trabalho, algum sacrifício, muita resiliência, muita aprendizagem, muito foco e também alguma sorte  como dizia querido pai.

sábado, 3 de maio de 2025

Sou feliz com pouco


 Talvez o que me faça mais feliz é verem o meu lado bom, cómico, alegre, optimista, bondoso e aconchegante. Se virem isso e me apreciarem,  terão todas as outras facetas. 

Não é com vinagre que se apanham moscas, dizia a minha avó. Penso o mesmo. A imagem que mais se assemelha a mim ultimamente é a daqueles bivalves que logo que se lhes toca fecham a concha e assim permanecem. São toques leves na concha mas tão desagradáveis que tudo deixa de fazer sentido! 

Neste modo com tudo e todos. 

O problema real? Este estado retira de mim a vontade de viver e de me aproximar de coisas novas e interessantes, de programar o dia de amanhã. Fica sempre a ideia: não vale a pena! Não vai dar certo. O escaldão é tal que a pele ficou em carne viva!!

No entanto, eu sei que não sou como me veem e dizem que sou! Tudo tão distante da minha realidade!!

Incapacidade ou apenas preguiça? Nunca saberei!