sexta-feira, 12 de abril de 2019

Há muitos anos atrás no dia de hoje


Era o dia em que se cortavam os ramos do loureiro que existia no quintal. Não era um ramo qualquer! Tinha de ser grande, direito e com bom porte!
No sábado era o dia em que eu e o meu irmão o enfeitávamos com requinte: colocávamos no ramo desde rebuçados, até pequenos brinquedos e muitas camélias de várias cores. No sábado á noite ficava encostado à parede, enfeitado e pronto. 
No domingo de Ramos, depois de tomarmos banho, rumávamos à igreja para a celebração. Penso que todas as crianças faziam uma competição com os seus ramos para ver quem levava o maior e quem dava mais nas vistas na sua  decoração. Havia alguns decorados com laranjas e outras frutas que vergavam os ramos quase até ao tronco.
Lembro-me da sensação de ver a igreja transformada numa floresta de loureiros e oliveiras e em  que quase não se viam as pessoas!!! O que dizia o Padre Samuel? Não me lembro porque não era essa a preocupação principal!
Importante mesmo era levantar o ramo o mais alto possível para que a bênção ficasse bem feita. Na saída, a floresta dispersava e acabava a festa. Os nossos, depois de retiradas as decorações, serviam de tempero para os grandes assados em dias de festa.
Belos tempos!

terça-feira, 9 de abril de 2019

Memórias queridas


Tenho esta foto guardada há muitos anos! Tem um significado gigante apesar de ser simplesmente a foto de uma casa de banho! Pertencia à casa da avó querida que tinha um gosto pelas coisas da casa que só agora lhe admiro. Na altura, considerava natural toda aquela dedicação e vontade em rodear-se de coisas bonitas. 
Esta divisão já existia quando eu nasci há mais de 50 anos e ainda se pode dizer que não está muito desatualizada. Tudo era harmonia naquele espaço grande mergulhado no rosa dos tapetes que combinava com o chão e se prolongava às toalhas e às cortinas. Tinha incrustado na parede um grande armário branco, fechado, onde se guardava tudo e uma despensa para onde se entrava por uma portinha branca e onde a avó guardava os seus preciosos tesouros. 
Foi de avó querida que eu herdei o gosto pelas coisas bonitas, o gostar de ter guardados os meus tesouros, sabe-se lá para quê!
Esta casa de banho já não existe fisicamente. Existe apenas na minha memória e no que conservo sensorialmente dos momentos que passei por lá a explorar os armários ou simplesmente a admirar o bem fazer e sentir da avó. Era um tempo de ter tempo.
Saudades!

Do que me incomoda


O desperdiçar o meu precioso tempo! Talvez seja mesmo isso o envelhecer. Fico irritada quando vai passando o tempo sem que eu faça nada de significativo para mim, que me acrescente algo, me deixe memórias boas e me faça crescer como pessoa. 
Ultimamente este pensamento persegue-me. Sonho com novas vidas, novas abordagens, um  je ne sais quoi que me transforme e me mantenha viva e feliz. 
Cheguei aqui não sabendo como. Instalou-se devagarinho este desânimo, esta vontade da diferença, esta necessidade de partir e viver coisas novas que me desafiem e me façam vencer medos e tempestades.
Viver morna e mansamente não é para mim! Uma tristeza fria e lenta alastra e faz estragos quando os risos e a alegria que vivem dentro de mim não  encontram eco na minha vida!

segunda-feira, 8 de abril de 2019

A começar a semana


Se ao cabo de quarenta anos de vida cada um de nós olhar para a sua intra-história, que vê ele? que são os fastos e as misérias da sua actuação pessoal que a memória assinala e retém. Que foi a abertura de um túnel na escuridão do mundo, para passar desacompanhado, que ocupou todas as suas horas significativas. Que não foram as guerras dos outros mas as suas, que lhe deixaram cicatrizes no corpo.
Como um cego, que embora levado pela mão de alguém, tacteia sempre o seu caminho, e o sente, e o vive, e o descobre, assim cada indivíduo terá de pisar a terra, solitário bandeirante das suas aventuras. Ninguém o pode ajudar, nem o pode tolher. A mãe que o pare e o coveiro que o sepulta é que limitam e condicionam a sua empresa. Mas entre as duas barreiras ele é uma semente que tem de se abrir e  de se cumprir até ao último alento, desamparada entre as outras sementes que se vão abrindo a seu lado, na grande seara humana.

in DIÁRIO IV - Miguel Torga

domingo, 7 de abril de 2019

Bom domingo!

E é isto! Dias cinzentos que se necessita que sejam de sol!

sábado, 6 de abril de 2019

Visitas especiais


Veio visitar-me antevendo que eu precisava imenso dela. E precisava. A presença dela acalma-me, faz-me bem, falamos a mesma linguagem, conversamos com os olhos. 
Trouxe o almoço pronto e foi só desfrutar. 
Foi-se embora e o meu mundo ficou mais pobre.
Querida irmã! Que seria eu sem ti?

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Dizem que vamos ter férias!!!!



Só podem ser as más línguas!!! Ainda estou a trabalhar a lançar notas, aulas dadas e previstas, fazer relatórios de tudo e mais alguma coisa, reunir com as colegas com quem partilho aulas para explicar em texto corrido o que andámos a fazer! A dormir não foi, com toda a certeza. Até já me tinha esquecido de metade das tarefas já cumpridas!! 
Este fim de semana avizinha-se monstruoso. Tenho de iniciar uma acta de cerca de 12 páginas onde contarei tudo e mais alguma coisa. Espero ainda os contributos de todos os profissionais que lidaram com os meus alunos mesmo que  tenha sido apenas dizer-lhes olá (ou quase)!
Pensem comigo: se uma escola é um organismo vivo, com projectos que oferece aos alunos para que eles participem alegremente e se vão habituando a serem autónomos, organizados, capazes de terem ideias inovadoras, ensaiarem o mundo lá fora, porque carga de água terá isto tudo que ficar registado se faz parte integrante do que é uma escola!? Quem irá ler e para quem terá interesse, a não ser para os pais que já sabem, qual a modalidade do desporto escolar que cada aluno frequenta e o lugar que ocupa? Não será muito  mais importante  saber que temos um desporto escolar super ativo, que traz para a escola a possibilidade dos jovens praticarem exercício físico, descobrirem modalidades e conviverem? 
As reuniões tornaram-se num surfar de ondas acelerado onde já não há tempo para falar seriamente dos problemas dos alunos, embora se continue a insistir em que é necessário que o diretor de turma conheça e valorize o ambiente em que vive cada  aluno, e das estratégias possíveis para recuperar os que apresentam maiores dificuldades. 
Já não existe calma e ponderação. Tudo é feito a correr porque o tempo urge e ainda é necessário ler as 12  páginas da acta para que nada lá falte, não vão chamar-me para começar tudo de novo.
Dia 11 temos uma reunião geral e no final do dia reuniões com os encarregados de educação para entregar as avaliações. 
Na semana seguinte, arrumamos os papéis e tentamos planificar o 3º período com tudo o que implica. Falta ainda acabar uns documentos oficiais que fazem falta. Sexta feira santa é feriado. Boa!
Temos a segunda feira a seguir à Páscoa e voltamos para mais um ciclo. 
Feliz Páscoa cheia de burocracia que não nos leva a lado nenhum. Antes pelo contrário: nos desmotiva, nos faz deixar de acreditar e nos faz entrar na sala de aula com menos energia do que a que necessitamos para os alunos de hoje. 
Reformas precisam-se mas não esta.


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Na sequência do post anterior


Sei mesmo muito bem daquilo que sou capaz!!!

Como eu me lembro tão bem dos meus 30!


Fico sempre chocada quando me chamam velha!! Meio a rir, mas sei que, lá bem no fundo, me sentem a passar para o lado de lá!
E no entanto, como eu me lembro tão bem do que é ter 30! Da sensação de empoderamento, de ser capaz de tudo, de ter a vida  pela frente, de sorver todas as ideias que me assolavam, de sonhar acordada todos os dias e a todas as horas, de pensar que tudo valia a pena!
Ainda sou assim? Não! Perdi pelo caminho a ilusão e metade do sonho. O meu olhar sobre as coisas e as pessoa ficou mais cru, mais ácido, menos crente. No entanto, sinto-me capaz de uma nova vida, de adaptar, de reinventar, de voltar a baralhar e jogar novamente na roleta do mundo. 
Velha? Não! Apenas um pouco mais cansada e menos ingénua! Mais selectiva naquilo que me incomoda e nas pessoas que quero que me rodeiem. Já não faço fretes, pela simples razão de que já não tenho tempo. Cada vez mais, quero concentrar-me só naquilo que me dá prazer e felicidade, sem opiniões que não pedi e sem comentários que não terei em conta.
Até é gira esta nova fase!

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Apetece-me


Não necessita mais palavras!!